Seja bem-vindo(a) ao meu Blog. Sou Mário Jorge Lima, e abaixo estão textos meus, apresentados como sermões, palestras, ou simplesmente frutos de minhas reflexões pessoais.

Sou pai dessas 5 moças ao lado, Mariana, Isabela, Júlia, Laura e Luíza, a quem amo mais que a mim mesmo. Quando escrevo sobre assuntos espirituais, quando apresento palestras ou sermões, é primeiramente para elas e pensando nelas que estou escrevendo e falando.

Esses textos, atualizados sempre que eu os crio, e para isso não tenho uma periodicidade definida, são o legado escrito que deixarei a elas, sem erudição, sem proselitismo, sem "filosofismos". São as coisas em que de fato creio e pelas quais hoje vivo. Se Deus me der o tempo e a chance necessários, ainda pretendo escrever um livro com estas reflexões. Se não conseguir, elas estarão pra sempre aqui nesse Blog.

OBS: As palestras são organizadas com as mais recentes sempre no Topo.

Postado em: sexta-feira, 25 de março de 2011

5(6) - Como me Relacionar com Deus - Leitura da Bíblia

Talvez alguns estejam se perguntando: O Mario só sabe falar de relacionamento? Já é o quinto programa falando sobre esse assunto.

E é verdade. Pois eu vou dizer a vocês, sem medo de estar falando asneira: relacionamento eh o que conta. No meu entendimento pessoal, o principal objetivo de ter vindo Jesus a esse mundo, foi: buscar e restaurar relacionamentos. Relacionamento do homem com seu semelhante, e relacionamento do homem com Deus.

Tudo que venha do ser humano para Deus: obediência, fé, esperança, perdão, boas obras, se não for fruto de relacionamento, de comunhão, digo com segurança: não tem nenhum valor. Se essas coisas, que são ótimas, não forem fruto do relacionamento de amor com Deus, de nada valem. Até porque essas coisas todas passarão, restará o amor, ou seja, o relacionamento.

Nesse penúltimo programa da Série sobre relacionamento, vamos continuar falando das 3 maneiras básicas de estabelecer nossa comunicação com Deus no dia-a-dia.

Na sexta-feira passada falamos sobre a mais comum e frequente, que é a ORAÇÃO. Falamos sobre o que significa viver uma vida de oração, sem cessar, e comentamos sobre o diálogo que a oração deve ser, não apenas um monólogo, já que é indispensável dar a Deus o espaço e o tempo para Ele se comunicar conosco. Ha muito mais coisas a serem ditas sobre a oração, uma fonte inesgotável de poder, mas iremos fazendo isso aos poucos ao longo das apresentações dos próximos programas.

Vamos falar hoje sobre a LEITURA DA BÍBLIA.

Todas as formas de nos comunicarmos com Deus demandam, de certa maneira, a condição de crentes. Ou seja, para orar a Deus de modo pleno é preciso crer que Ele existe. Paulo já dizia isso em Hebreus 11:6:

"De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe ...".

Então, para nos aproximarmos de Deus, seja pela oração, seja pela leitura de Sua Palavra, é preciso acreditar que Ele existe e que atende e ouve aqueles que O buscam.

E para ler com consciência a Sua Palavra, a Bíblia Sagrada, também é necessário acreditar que ela é a Palavra inspirada de Deus, escrita por homens santos sob a guia do Seu Espírito.

Aqui tem lugar um problema básico: quero então crer num livro que diz, dele mesmo, ser a Palavra de Deus. Qualquer livro, qualquer compêndio filosófico, pode dizer de si mesmo ser um oráculo verdadeiro. Mas é o livro que está dizendo. Entre dizer e de fato ser, vai uma grande distância.

Coincidentemente, falando a crianças aqui na igreja de Moema, na semana passada, numa aula do curso "10 Minutinhos com Deus para Meninos e Meninas", que vocês podem encontrar no site da igreja, no módulo da Rádio Moema, eu dizia a mesma coisa. E perguntava: como, então, acreditar na Bíblia?

Há pessoas que creem na Bíblia em função de provas materiais encontradas em escavações, objetos antigos, manuscritos de livros do Antigo Testamento, descobertas da ciência, da geografia, da história, da arqueologia, etc., e dão isso como prova de que ela é verdadeira. O problema com uma crença que se baseia fortemente nessas provas materiais é que, por outro lado, há muitas coisas que estão na Bíblia, mas que não tem ou são de difícil comprovação visível e tocável. E nesse caso, a nossa confiança vacila?

É bacana, é gostoso ler, ver e ouvir dessas coisas encontradas, dessas descobertas das diversas ciências, isso nos alegra, acrescenta em nossa cultura bíblica, mas, absolutamente, não é essencial pra nossa fé.

Olhem o que vou lhes dizer, e que disse às crianças na aula a que me referi: se tudo que a Bíblia fala, narra, descreve, pudesse ser comprovado, item-por-item, através de descobertas e dos laboratórios e museus da vida, que espaço restaria para a fé? Pra que serviria a fé? Fé é crer sem precisar de provas. A prova maior é você.

Exemplos: Jardim do Éden, estátua de sal da mulher de Ló, arca de Noé, travessia do Mar Vermelho, toda a história da cruz, milagres. Se tudo estivesse lá, visível, tocável, demarcado, catalogado - aliás, nem precisaríamos ir lá, pela Internet comprovaríamos tudo - continuo perguntando: que lugar estaria reservado à fé? Não precisamos dessas provas para crer. Bem-aventurados os que não viram nada disso, mas creram.

Sendo assim, comunicar-se com Deus, através de Sua Palavra, crendo que de fato a Bíblia é a Palavra dEle, crendo que é Ele quem fala a você através daqueles textos e fatos acontecidos, exige algo bem mais abstrato, porém extremamente mais forte e duradouro: Fé. E requer também uma ação simples e ao alcance de qualquer um, crianças, jovens, adultos, idosos: experimenta-la, lê-la, meditar e orar sobre os seus ensinamentos.

E ai, sim, a grande mágica vai acontecer: você vai crer cada vez mais! Você vai confiar cada vez mais! E vai encontrar a Deus, seguramente, e ouvi-Lo falar a você através desse livro sagrado. E a formula é essa: pra ter fé na Bíblia, tem que ler a Bíblia; pra gostar de ler a Bíblia, tem que ler a Bíblia; pra sentir falta dela quando você não a tem à mão, tem que ler costumeiramente a Bíblia, não como rotina, mas como necessidade, assim como você precisa comer e respirar.

Então, quando você ler: "O Senhor é o meu Pastor e nada me faltara" você estará sentindo que é você quem fala e não Davi. Quando você ler "Não temas, porque Eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu" você estará sentindo que Ele fala com você, e não com outra pessoa. E mais, você vai sentir prazer nisso, e isso vai transformar você, sabe por quê? Ninguém que lê a Bíblia com sinceridade de alma, com coração aberto e com oração, deixa de ser transformado, deixa de mudar de vida, e de forma permanente.

A Bíblia Sagrada é o único livro capaz disso, de exercer essa influência e esse poder sobre as pessoas que a leem. Isso não acontece, por exemplo, com o Alcorão, com o Talmude, com o Evangelho segundo Alan Kardec, com os vários compêndios de filosofia e crítica existentes. Apenas a Bíblia modifica vidas, torna as pessoas melhores pais, melhores filhos, melhores cônjuges, melhores amigos, melhores profissionais, melhores cidadãos. Apenas a Bíblia, diante das tragédias traz conforto e paz, diante do medo e da angustia traz esperança e fé, diante da morte e da limitação e finitude da vida humana traz vislumbres de uma vida eterna, real.

Mais dois últimos e importantes aspectos, aqui nessa nossa conversa:

. Quando você ler a sua Bíblia, nunca faça isso sem oração. Ou poderá compreender erradamente muitas das coisas que vai ler. O Espírito de Deus precisa estar influenciando sua mente, mostrando-lhe claramente o que você precisa saber e descobrir.

. Também nunca leia a sua Bíblia para apenas encontrar argumentos doutrinários que provem que o que você acredita é o certo e o que o outro acredita está errado. Ou para reprovar o comportamento ou atitude do outro. Em outras palavras, não use a sua Bíblia como "madeira pra dar na cabeça de ninguém". Leia sua Bíblia para encontrar o que ela tem de melhor: Cristo Jesus. São elas que testificam dEle. E Ele é a Verdade salvadora, Ele é a doutrina salvadora. As demais coisas, os outros ensinamentos, e até mesmo as profecias, só tem valor e significado se apontarem para Ele. E são todos secundários se postos em confronto com Cristo e Seu amor.

Falamos hoje, então, sobre a segunda maneira que temos para nos comunicarmos com Deus, num processo de relacionamento continuo, que é a leitura da Bíblia, a Sua Palavra inspirada.

Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 18 de março de 2011

4(6) - Como me Relacionar com Deus - Oração

Da ultima vez eu dizia que via algumas maneiras básicas de nos relacionarmos ou nos comunicarmos com Deus. Na verdade tem duas que são uma coisa só, portanto, vou conversar com vocês sobre 3 meios importantes pelos quais nos comunicamos com Deus, ou seja, as formas pelas quais é possível um relacionamento, uma comunhão, uma ligação do humano com o Divino, e do Criador com a criatura.

Então, a questão que ficou foi: como estabelecer essa conexão com o Deus espiritual no qual acreditamos, de tal forma, que nosso comportamento, nossa obediência, tudo que vem depois, possa ser fruto dessa relação?

Vamos falar de cada dessas 3 maneiras de nos comunicarmos com Deus, nessa e nas próximas duas sextas-feiras.

1) ORAÇÃO

Essa eh a forma de comunicação com Deus mais comum e talvez a mais praticada por indivíduos de mente espiritual. A Bíblia tem uma recomendação de Paulo, que às vezes parece difícil de assimilar: ORAI SEM CESSAR. Está lá em I Tess. 5:17.

Como é isso? Seria ficar balbuciando palavras repetidamente, como numa novena, ou uma espécie de ladainha? Ou ficar contritos, de cabeça baixa e olhos fechados o dia inteiro, como num convento de clausura? Eu penso que não.

ORAI SEM CESSAR significa viver com a consciência de que estamos na presença de um Deus santo, perfeito e infalível. Significa depositar nossas ansiedades, medos, nossos planos e sonhos nas mãos invisíveis desse Deus. Mas reconheço, por experiência própria, que isso é bonito de falar, mas não é tão simples de conseguir. É preciso muita prática diária e constante.

Durante o desenrolar do dia, a oração pessoal e silenciosa, deveria ser a nossa primeira resposta a toda situação complicada que enfrentássemos, a todo pensamento ansioso ou atemorizante que tivéssemos, a toda tarefa difícil de empreendêssemos. E também, é claro, a toda situação de alegria e realização.

A falta de oração faz com que paremos de depender da graça de Deus e passemos a depender de nos mesmos, de nossos recursos materiais, de nossos talentos e capacitação, ou daquilo que chamamos "sorte". Orar sem cessar, portanto, é, em essência, dependência de Deus. Quando você ora a Deus, se curva diante dEle, está naturalmente reconhecendo-O como Senhor, aceitando que Ele e bem maior que você e que pode fazer algo por você.

Ha uma eterna pergunta que sempre fica, subjacente, dormente dentro de nós: a nossa oração tem o poder ou o papel de mudar a vontade de Deus a respeito de algum problema ou de qualquer questão sobre a qual oramos? Há bons textos que dizem que a oração fervorosa "move o braço de Deus", e que há bênçãos que se não orarmos Ele não nos dará.

Essa é uma questão polêmica, e não vamos nos deter nela agora. Mais adiante pretendo trazer uma série de reflexões sobre a oração, e lá então conversaremos um pouco mais sobre esse e outros pontos relacionados com o atendimento às nossas orações e o plano de Deus.

Mas ha um aspecto muito importante sobre a oração - e eu ate quero encerrar com isso a nossa reflexão de hoje - que eu quero comentar.

Eu disse num dos programas anteriores que a comunicação entre duas pessoas, seja uma comunicação no nível da amizade, no nível do relacionamento conjugal, entre pais e filhos, no âmbito profissional, só acontece se ela for um diálogo, e não um monólogo. Ou seja, em um relacionamento num desses níveis, se apenas um dos lados falar e se manifestar, explicitando o que pensa e o que quer, enquanto o outro apenas ouve, ou fala muito pouco, o mesmo não vai prosperar, não vai adiante, dentro de algum tempo vai enfraquecer e acabar.

Existia até há pouco tempo, um casal de personagens humorísticos de TV, em que apenas a mulher falava, falava, o tempo todo, e no final ainda dizia que o pobre do marido falava demais. Um relacionamento assim não consegue se manter, não tem chance.

Então vamos ver uma coisa: sabemos que a oração refletida e devocional, aquela que se faz no aconchego da nossa câmara de oração, com tempo e ambiente propício, deve conter alguns elementos principais, como: iniciar pela adoração e reconhecimento de Deus como nosso Pai, apresentando-nos a Ele sempre em nome de Jesus, a intercessão, petições e súplicas, confissão, agradecimentos, louvor, etc. Não estou dizendo que se não for assim Deus não nos ouve. Você pode simplesmente dizer o nome inefável de Deus e elevar o pensamento a Ele, e já estará orando. Mas refiro-me a uma oração pensada com tranquilidade e paz interior.

No entanto, mesmo quando nossas orações contêm todos esses elementos, normalmente falta um item, ou uma fase dessa comunicação com Deus, que é essencial e indispensável, e sem ela o contato fica falho, incompleto. Vejam que nos elementos citados só houve monólogo, ou seja, só nós falamos, todo o tempo. Estamos diante do trono de Deus, tagarelando e expondo toda a nossa aflição, nossas necessidades, nosso louvor, etc. E muitas vezes multiplicamos palavras, conceitos, já antevemos ate mesmo as soluções.

Isso é válido e necessário, isso é bom, estamos diante do trono da graça, buscando alcançar misericórdia. Mas a comunicação fluiu num só sentido. Quando terminamos, saímos dali, normalmente voltamos de forma apressada para os nossos afazeres, voltamos para a agitação ou o marasmo da nossa vida comum, e não damos a Deus a oportunidade dEle se manifestar e falar conosco. Ficamos no monólogo, quando deveria ser um diálogo, uma conversa.

E tenho com muito esforço começado a aprender que Ele fala mesmo. Fala pela impressão do pensamento. Fala diretamente na nossa célula, no nosso lóbulo frontal. Afeta a nossa compreensão, muda ou ajusta o nosso modo de pensar sobre as coisas que acabamos de Lhe expor, nos acalma, nos anima. Se ao final da oração, após tudo que temos a falar-Lhe, ficarmos ali, recolhidos, alguns minutos em silêncio e reflexão profunda, aprenderemos a ouvir a Sua voz.

No início, não será fácil, confundiremos, ouviremos errado, não ouviremos nada nos falando ao ouvido da fé. Mas aos poucos, se persistirmos nessa pratica, aprenderemos a ouvi-Lo, a compreender na intimidade da nossa devoção, qual é a Sua vontade. E vamos nos ajustando, entrando em sintonia com Sua vontade, aceitando, e cada vez mais confiando. É uma pratica constante e perene, dura toda a vida.

Eu ainda sinto muita dificuldade para perceber, para ouvir a voz de Deus falando ao meu pensamento. Isso depende de uma vida cada vez mais em sintonia com o Céu. Há pessoas, e eu conheci algumas ao longo da vida, que já estão num estágio de comunhão tão elevado, que ouvem e identificam com facilidade a voz de Deus. Mas há outras, como eu, talvez como muitos de vocês, que ainda são atrapalhadas por muitos ruídos que impedem que essa voz se faca ouvir na mente e no coração.

Isso não é esoterismo, não é espiritualismo. Mas isso faz, sim, parte do processo de crescimento na graça de Deus, do processo de mudança de vida e de santificação, pelo qual todos que aceitam a Cristo como Salvador entram.

Pra finalizar, vou contar uma experiência curta que um pastor, conhecido meu, esteve em Israel, e lá presenciou, numa estrada poeirenta, algo de que a Bíblia fala: um pastor em plena atividade de conduzir seu rebanho. Aliás, eram 3 pastores, cada qual com seu rebanho. Todas as ovelhas e cordeirinhos estavam misturados, uma confusão e uma barulheira total. Quando chegaram num ponto da estrada em que era necessário separar os rebanhos, ele queria ver como os pastores iriam separar os rebanhos e cada qual sair com o seu de volta para suas fazendas.

E foi então que aconteceu a coisa mais espantosa, significativa e linda. Cada pastor começou a gritar e chamar o seu rebanho. E todas as ovelhas se dirigiram, cada qual para perto do seu pastor, pois conheciam a voz dele.

Convivência. Relacionamento. Aos poucos, aprenderemos a reconhecer a voz de Deus quando Ele nos falar.

Bom, falamos hoje aqui sobre um dos 3 meios mais conhecidos pelos quais podemos estabelecer comunicação com Deus e Deus conosco, que é a Oração. No próximo falaremos de mais um, que é a leitura e o estudo de Sua Palavra.

Autor: Mário Jorge Lima