Seja bem-vindo(a) ao meu Blog. Sou Mário Jorge Lima, e abaixo estão textos meus, apresentados como sermões, palestras, ou simplesmente frutos de minhas reflexões pessoais.

Sou pai dessas 5 moças ao lado, Mariana, Isabela, Júlia, Laura e Luíza, a quem amo mais que a mim mesmo. Quando escrevo sobre assuntos espirituais, quando apresento palestras ou sermões, é primeiramente para elas e pensando nelas que estou escrevendo e falando.

Esses textos, atualizados sempre que eu os crio, e para isso não tenho uma periodicidade definida, são o legado escrito que deixarei a elas, sem erudição, sem proselitismo, sem "filosofismos". São as coisas em que de fato creio e pelas quais hoje vivo. Se Deus me der o tempo e a chance necessários, ainda pretendo escrever um livro com estas reflexões. Se não conseguir, elas estarão pra sempre aqui nesse Blog.

OBS: As palestras são organizadas com as mais recentes sempre no Topo.

Postado em: sexta-feira, 26 de agosto de 2011

1(1) - Nosso Deus e o Dom da Vida

Nós que somos cristãos, por definição - digo isso porque eu não consigo entender um cristão que não creia nisso que vou dizer, embora os haja - acreditamos num processo criacionista em relação à origem da vida e do ser humano. Temos um Deus Criador por excelência e Mantenedor de todo o Universo infinito. Isso é algo que transcende em muito tudo aquilo que podemos pensar ou imaginar sobre esse Ser maravilhoso, que é ao mesmo tempo uma pessoa, não carnal como nós somos, mas um Espírito.

Entre os principais atributos de Deus estão a Sua eternidade (sempre existiu), a Sua santidade (não pode conviver com o pecado), infalibilidade (Deus nunca falha, nunca erra), onipotência (tudo pode), onipresença (está em todos os lugares ao mesmo tempo) e onisciência (tudo sabe, tudo ouve, tudo vê). Deus é atemporal, para Ele o tempo não existe (um dia é como mil anos e vice-versa). É um Deus que governa a história do nosso mundo e a está conduzindo sábia e corretamente para um final feliz, glorioso e eterno.

Esse é o Deus dos cristãos, é o Deus em Quem cremos e em Quem colocamos toda a nossa confiança, toda a nossa esperança. Admitir que esse Deus possa falhar, ainda que essa seja uma chance ínfima em um vigesilhão de vezes - e o vocabulário humano limitado não sabe expressar grandezas maiores - já destruiria todo e qualquer resquício de esperança, de segurança e de fé.

Esse é o Deus, por cuja palavra os mundos foram e têm sido criados. Sim, eu disse têm sido, porque acredito piamente que Deus continua criando mundos habitados por seres inteligentes e perfeitos. Aliás, a principal atividade de Deus é exatamente essa: criar, criar, criar coisas incríveis, santas e perfeitas, e no caso do nosso mundo humano, também recriar, restaurar.

Ou eu creio num Deus assim, com todo esse poder indescritível, ou, como cristão professo, estou perdendo meu tempo e não faz absolutamente nenhum sentido pensar em coisas espirituais. Pra que buscar o bem, procurar virtudes, pensar no próximo, criar uma família dentro de princípios, ter esperança de qualquer coisa? Melhor, então, viver apenas pelo aqui e pelo agora, pensando só em mim mesmo, procurando tirar vantagens de absolutamente tudo, a qualquer preço. Não mais qualquer perspectiva de futuro, nenhuma possibilidade de eternidade, a vida se resumiria apenas a esses minguados 70, 80, 90 anos que podemos viver nesse planeta. Depois viria o nada. Seríamos lembrados como pais que se foram, avós, bisavós, tataravós, e logo, apenas antepassados sem referência alguma. Mas esse é um cenário terrível que para nós cristãos não faz sentido.

Desde menino eu muitas vezes – ainda faço isso - sozinho, deitado na minha cama, na escola ou até mesmo brincando, tentava imaginar um mundo sem Deus, seja em seu início seja em seu final. Como seria um universo inteiro ao sabor do acaso, sem uma mente, inteligência e força superiores a governá-lo. Seria isso possível? Será que uma explosão cósmica absolutamente sem controle, em épocas imemoriais, teria sido capaz de originar a vida que temos hoje? Que propósito haveria nisso? E o que seria de um planeta com vida inteligente, errante por um espaço sem fim?

Querem ver outra coisa deprimente se não tivermos a noção de um Deus que tudo controla? A expectativa de vida do ser humano hoje é absolutamente acanhada. Nascer, crescer e viver essas poucas sete ou oito décadas que um ser humano vive em média - isso quando tem saúde relativamente boa - em um mundo tão sofrido e penoso para a maioria de seus habitantes, reproduzir-se e depois morrer, não parece ser um projeto muito inteligente. Isso é deprimente e altamente desestimulante.

Por melhor que seja a vida do indivíduo nessa terra - e não vamos esquecer que a grande maioria dos habitantes desse planeta passa pela vida de forma penosa e sofrida - e por mais que vivamos - mesmo que fossem as centenas de anos dos personagens bíblicos - isso não seria nada. Viver os quase mil anos que Matusalém, Jarede e Adão viveram, com todo o luxo e riqueza de Salomão e o poderio de Davi, continuaria não sendo nada. Pelo simples fato de que isso um dia acabaria.

Portanto, para o ser humano, que é inteligente, isto é, pensante, tem que ter havido um inicio inteligente, tem que haver um propósito inteligente que leve necessariamente a um destino inteligente. E isso, também necessariamente, tem a ver com um Ser único, que é inexplicavelmente tudo, e que no nosso entendimento judaico-cristão atende pelo nome de Yahweh, Eu Sou, Deus único e verdadeiro. Ou para ser mais coloquial e pessoal, Abba, Paizinho, o doador da vida.

Johann Sebastian Bach, talvez o maior gênio musical que já habitou esse planeta, momentos antes de sua morte, doente e cego, quase adormecendo no leito de dor, pediu: "Fazei-me um pouco de música, cantai-me alguma coisa de belo sobre a morte, porque a minha hora chegou." Imediatamente, sua adorada esposa puxou o coral "Todos os homens devem morrer" sobre o qual Bach havia composto um belíssimo prelúdio. E enquanto cantavam, uma grande paz surgiu no rosto dele. Bach, profundamente religioso, começava a vislumbrar a eternidade.

Também Davi, o maravilhoso compositor e Rei de Israel, em seu leito de morte disse a Salomão seu filho: "Eu vou pelo caminho de todos os mortais. Esforça-te, pois, e sê homem." I Reis 2:2.

Davi foi um homem que conheceu toda a dureza e as conseqüências terríveis do pecado, mas também experimentou o perdão divino em altas dosagens. Ali no seu leito de dor tinha em quem se segurar, em quem colocar a sua confiança de que teria a vida eterna, garantida pela graça de Deus.

Há, portanto, esse fato inevitável em nossa existência - já falei isso aqui - algo diante do qual todos esbarramos e nos deixamos ficar perplexos e impotentes. Não importa se somos ricos ou pobres, crédulos ou incrédulos, poderosos ou miseráveis, cultos ou iletrados, cientistas ou leigos, filósofos ou ignorantes: somos mortais. Repito: enquanto nada novo, sobrenatural e novamente inteligente, acontecer na vida desse planeta, essa continuará a ser a penosa rotina da vida.

Mas, o ser humano, embora tenha que morrer, não nasceu para morrer, nasceu para viver. É por isso que jamais nos acostumaremos com a morte, é por isso que ela é algo estranho na nossa existência, é por isso que choramos e não nos alegramos ou soltamos fogos quando ela ocorre, é por isso que, em condições normais, não queremos morrer. E ela será o último inimigo a ser vencido por Deus, segundo Paulo nos diz em I Cor. 15:26.

Nascemos para viver, nascemos para obter a imortalidade, como Adão. Nascemos para entrar novamente no processo do qual ele, Adão, se alijou voluntariamente, que era desenvolver-se, provar sua capacidade de viver na dependência de Deus e então paulatinamente alcançar a imortalidade plena, coisa que ele não chegou a obter porque decidiu, conscientemente abrir mão dela. Pelas Escrituras entendemos que Deus criou o homem para conferir-lhe imortalidade, ou, em outras palavras, para que ele vivesse eternamente. Mas este bem ser-lhe-ia dado após um tempo de prova e crescimento na graça. Como ser moral livre, isto é, dotado de poder de escolha, Adão fez uma escolha infeliz. E por ele, a morte passou a todos os homens.

Ao longo dos anos nos acostumamos a ver e ler de pessoas em busca do famoso elixir da juventude, ou de algo que conferisse ao ser humano a possibilidade de nunca morrer, de viver pra sempre. Mas há um detalhe muito interessante em relação à imortalidade nesse mundo de pecado. Imortalidade, eternidade, no nosso mundo espiritual, só deveria rimar com santidade. Pra que alguém quereria viver pra sempre em um mundo onde as outras pessoas morrem, em um mundo em um veloz processo de deterioração e degenerescência, um mundo cada vez mais em frangalhos?

Já imaginou, por exemplo, se você alcançasse a imortalidade, nesse mundo, e visse outras pessoas, parentes, amigos, vizinhos, morrendo, enquanto você continuaria vivo? A literatura e o cinema diversas vezes versaram sobre esse tema. Você não conheceria mais ninguém, ninguém lhe daria atenção ou importância, você seria um incômodo, por não conseguir morrer. Que situação desesperadora, aterrorizante, inimaginável! Viver pra sempre, ou até mesmo, viver centenas de anos, nesse mundo, eu não quero. Quero coisa muito melhor.

A imortalidade só fará sentido em um mundo perfeito, recuperado de todos os males e do pecado, um mundo com a presença de Deus morando entre os homens, um mundo onde não apenas um ou outro teriam esse dom, mas todos que ali estiverem viverão pra sempre. Vida eterna só faz sentido num mundo sem a presença do pecado.

Pra você que se debate no seu dia a dia com o medo da morte, com a perplexidade do fim da vida, com a preocupação com todas as mazelas que o homem inflige a esse planeta cansado, quero deixar esse conhecido e belíssimo texto de Paulo em I Tess. 4:16-18:

"Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras."

Jesus disse ter vindo para que tivéssemos vida, e Ele enfatiza, vida em abundância. Essa vida a qual Ele se referia não é vida temporal, pois essa vida que aqui vivemos jamais será em abundância. Essa vida a que Cristo se referia tem dois sentidos: vida espiritual, porque essa pode de fato ser abundante e plena, mesmo nessa terra. E principalmente vida eterna. Embora Deus tenha feito muitas promessas de bênçãos para essa vida, o foco principal de Deus é a vida eterna.

Há uns 13 anos eu tive um problema cardíaco, passei por um procedimento médico conhecido como angioplastia. Estava numa UTI aqui em São Paulo, quando recebi a visita do pastor da minha igreja. Ele conversou comigo, e ao sair leu um texto bíblico, também lindo, e que quero deixar com vocês, pois ele é extremamente confortador. Está em Rom. 14:7-8:

"Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Portanto, quer vivamos ou morramos, somos do Senhor."

Eu na época até pensei: "Será que ele acha que eu vou morrer?". Mas logo esse texto se tornou um versículo de ouro pra mim. Saber que não importa o que aconteça comigo, não importa que rumos a minha vida leve, não importa que doenças, mazelas, dificuldades, angústias ou provações eu enfrente, eu sou do Senhor, não tem preço. Que possamos todos viver com essa certeza, principalmente nos dias difíceis que esse mundo vive.

Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 19 de agosto de 2011

1(1) - Eles Voltarão

Esse, na minha opinião, é o tema mais importante de todos os que eu já tratei ou virei a tratar aqui.

Minha reflexão dessa noite começou a ser urdida, ou seja, planejada e pensada, no último domingo, Dia dos Pais. Eu estava matutando - usando um termo bem antigo - sobre o que poderia conversar com vocês quando li no Facebook um pedido de oração feito por um dos web-ouvintes da Rádio Moema. Ele pedia por seu filho, já rapaz de 18 anos, que, havendo sido criado nos caminhos de Deus, nesse momento parece estar bem longe das coisas do Espírito, tendo inclusive enveredado pelo perigoso caminho do vício do fumo. Deu pra sentir o quanto ele estava com seu coração de pai oprimido e angustiado.

Em seguida outro amigo nosso, também do grupo da Rádio Moema, postou um pedido em favor de seu filhinho, de apenas nove anos, que também está rebelando-se contra as coisas de Deus. Eu disse nove anos. Isso me deixou consternado. E tenho certeza de que há centenas, milhares, milhões de pais e mães ao redor do mundo, que choram, sofrem, se desesperam com a situação espiritual, social, emocional de seus filhos. Quantos jovens, alguns recém-saídos da puberdade e da adolescência, estão por aí, pelas baladas e quebradas da vida, se drogando, se prostituindo, se embriagando, praticando todo tipo de atos ilícitos, contravenções, e até mesmo crimes bárbaros.

Muitos desses jovens tiveram e têm lares, muito desses lares com sólidas raízes tradicionais, religiosas, socialmente bem posicionadas. Já outros vêm daquele estrato mais empobrecido e miserável da sociedade, vêm de uma existência penosa, lares completamente desestruturados, isso quando esses lares existem. E essas duas extremidades do espectro social se nivelam, se igualam pela desgraça da solidão, do abandono, do desalento, da falta de horizonte e de esperança.

Satanás é um anjo covarde. Não mexe com ninguém do tamanho dele, ou maior que ele. Quando fez isso, perdeu. E essa é a sua grande frustração, principalmente porque sabe que pouco tempo lhe resta. Então ele ataca em todos os níveis, atira para todos os lados. E as crianças, nossos filhos e filhas, juvenis, pré-adolescentes, adolescentes, jovens e mesmo adultos, são seu alvo preferido. Ele já não perde tempo com velhos e idosos, a esses ele só quer fazer sofrer e que morram o mais rapidamente possível, e com as piores doenças possíveis.

Mas aos nossos filhos, as crianças e jovens do mundo, ele reserva a sua artilharia mais pesada. Envolve-os inicialmente com encantos e depois com o desencanto, com sofrimento, oferece-lhes tudo que pode chamar-lhes a atenção, gastar-lhes o tempo e destruir-lhes a saúde, física, mental, emocional e espiritual. E usa para isso um arsenal variado e de grande porte. Drogas, o mau sexo praticado sem amor e com perversões e desvios, a pornografia e a libertinagem, a comida que não presta, a bebida ruim que entorpece e tira do sério e do real, as diversões e o lazer inadequados, a falta de disposição para o estudo e para o trabalho, o esporte cada vez mais violento, a destruição da saúde, o desânimo causado pela falta de horizontes e de oportunidades, os relacionamentos sem compromisso, amizades maléficas e daninhas, as filosofias que dispensam a existência de alguém superior, isto é, a falta de uma religião pessoal e da crença num Deus verdadeiro. Enfim, o cardápio é variadíssimo, e esse garçom dos infernos sabe o que oferecer em cada caso.

Eu sou pai de cinco meninas, cinco moças, cujas idades variam da pré-adolescência até a idade adulta, sendo uma delas já casada. Sou um pai inteiramente apaixonado pelas filhas, e digo sem medo de errar ou estar exagerando: daria, sem pestanejar, a minha vida por qualquer uma delas. Como todo pai que acompanha de modo intenso o desenvolvimento dos filhos nesse mundo chamado pós-moderno, e que procura estar antenado com tudo que ocorre em volta, sou também um pai preocupado, atônito e muitas vezes angustiado. Quando alguma crise comportamental ou de relacionamento se aproxima do meu lar, eu acordo muitas vezes de madrugada para orar a Deus, pedindo que me dê sabedoria, tolerância, compreensão e amor. E nesse processo de conviver com os filhos e educá-los não só para essa vida temporal, mas, principalmente para a vida eterna, tenho errado e acertado. Talvez em quantidades iguais.

Entendo que não é fácil ser jovem no mundo atual. A despeito de todos os avanços tecnológicos, e até por isso mesmo, o jovem tem a sua frente uma variedade imensa, indescritível, impossível de ser digerida de forma adequada, de opções, de alternativas, de possibilidades, em todas as áreas de interesse. Como também não é fácil ser pais de jovens que vivem nesse cenário, o distanciamento nunca foi tão grande. A dificuldade para encontrar e manter desimpedido o caminho, manter aberta a porta para o coração da criança e do jovem, é enorme, e em grande parte das vezes nos encontramos em uma encruzilhada, ou pior ainda, em um beco sem saída.

Considerando então, a disposição do maligno em levar para longe os nossos filhos, e as condições cruéis de um mundo sem regras, sem amor e sem oportunidades, um mundo hediondo, que mata as suas crianças e jovens, temos chances apertadas, não podemos perder tempo, não podemos ficar parados, não podemos descansar. Saibam vocês que me ouvem, e que são pais, que lá fora, tem muita gente querendo o seu filho, querendo a sua filha, e nem sempre com as melhores intenções. Se não ocupamos o nosso espaço ao lado deles, outros ocuparão, e poderão ser companhias das mais desagradáveis e daninhas nessa viagem perigosa pela vida.

Nós temos uma fé e uma militância cristãs, cremos num Deus que deu Seu próprio Filho - uma criança - em nosso favor, cremos num Cristo Jesus, que morreu jovem, e que amava e ama as crianças, chegando a dá-las como modelo para quem quer entrar no Reino dos Céus. E é a Eles que temos que recorrer em busca de ajuda, em busca de equilíbrio e de discernimento para lidar com nossos filhos.

Uma boa parte, e eu diria até, a maior parte, da responsabilidade dos caminhos e das escolhas que nossos filhos tomam pela vida, é nossa, como pais, que muitas vezes nos descuidamos da nossa função, não os ajudamos quando e da forma que precisam, não estamos presentes quando mais necessitam, damos maus exemplos, somos intolerantes, contraditórios, muitas vezes somos fracos, vivemos sem regras. Temos que nos convencer de que somos pais imperfeitos, e precisamos busca de Deus sabedoria para transmitir aos nossos filhos. Temos que ser firmes - e estou falando pra mim mesmo - ou perderemos as rédeas.

Che Guevara foi um guerrilheiro histórico, por quem não chego a ter nenhuma admiração especial. Ele disse uma vez uma frase, ou é atribuída a ele uma frase mais ou menos assim: "Hay que ser duro, pero sin nunca perder la ternura." Referia-se ele à maneira como tratar os inimigos na guerra. Estamos numa guerra, embora nesse caso não estejamos tratando com um inimigo, e sim com aqueles a quem mais amamos nessa vida: nossos filhos e filhas. Precisamos ser firmes e lhes impor regras e limites - isso todo psicólogo ensina- mas, não podemos jamais perder a ternura.

Davi, o rei de Israel, foi um homem segundo o coração de Deus, mas foi um péssimo pai. Não deu bons exemplos, teve conflitos com praticamente todos os seus filhos, houve acontecimentos trágicos, tenebrosos, na sua família, incluindo assassinatos e incesto entre irmãos, seus filhos não só o abandonaram, mas, um deles até se tornou seu inimigo e guerreou contra ele. Por outro lado, Saul, que tristemente se afastou de Deus, parece ter sido um bom pai. Teve a lealdade e o respeito de seus filhos até o fim, e vários deles - incluindo Jonatas, o melhor de todos - morreram ao seu lado, em batalha, lutando guerra santa pelo povo de Israel. O fato de sermos cristãos não nos livra das mazelas que acometem os lares e as famílias, mas, pelo contrário, até nos tornam alvos preferenciais de satanás.

E esse amado Davi, que conheceu tanto o pecado mais degradante quanto o perdão mais completo e restaurador, disse assim no Salmo 144:12: "Que nossos filhos sejam, na sua mocidade, como plantas viçosas, e nossas filhas, como pedras angulares, lavradas como colunas de palácio." Ainda Davi, no Salmo 127:3-5: "Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão. Como flechas na mão do valente, assim são os filhos da mocidade. Bem-aventurado o homem que enche deles a sua aljava.".

Sempre que falo sobre filhos, ou sobre crianças, costumo dizer que dentre as muitas bênçãos que Deus nos dá - e são muitas - abaixo de Cristo, o dom de Deus, nossos filhos constituem o topo dessas bênçãos. Eu considero que não há nada na vida mais importante que eles. Com todas as preocupações que temos em relação a eles, com todas as dificuldades associadas à tarefa de educar e fazê-los crescer de forma honrada e no temor de Deus, com todas as horas de sono perdidas pensando neles, lutando contra enfermidades, com todo o trabalho duro para prover-lhes o sustento e a educação, eles constituem o melhor que recebemos de Deus nessa vida.

Nem todos somos ou seremos pais, mas todos somos filhos, porque é nessa condição que entramos e saímos da vida. O próprio Deus, quando um dia decidiu morar entre os homens, cumpriu o procedimento natural de nascer aqui como criança, teve pai e mãe humanos. Isso mostra em que elevada conta Ele tem esse relacionamento familiar, na realidade, estabelecido por Ele na criação quando mandou que o homem se multiplicasse e enchesse a terra.

Nossas crianças são tão importantes para Deus, que Cristo disse uma vez que os anjos delas veem constantemente, todo o tempo, a face de Deus, tendo assim como que uma espécie de prioridade para adentrar a sala do trono de Deus, com certeza para levarem as necessidades, angústias, anseios de nossos filhos ao Pai.

Terminando, eu quero deixar com vocês algo que já comentei essa semana no Facebook dos ouvintes da Rádio Moema, e que deu título à nossa palestra de hoje. Deus tem uma promessa maravilhosa para todos os pais que sofrem por verem e saberem que seus filhos estão longe deles, longe das coisas de Deus, longe do aconchego da família, e até mesmo, embora fisicamente próximos, muitas vezes estão distantes no afeto, na emoção, com relacionamento desgastado e às vezes destruído. Essa é uma situação aflitiva, extremamente dolorosa. São palavras quase desconhecidas, de um profeta chamado de "chorão", pelos muitos lamentos que apresentou a Deus em seu tempo. São palavras proféticas, e constituem também uma promessa linda. Referia-se ele aos filhos de pais dos reinos de Israel e Judá, que estavam em cativeiro, longe da terra natal, literalmente em terras do inimigo. Esses pais, assim como muitos de nós hoje, choravam e desejavam a volta de seus filhos, porém, sem esperança de que isso ainda viesse a acontecer. E Deus, em Sua infinita misericórdia lhes mandou essa mensagem através de Jeremias, e manda também hoje a todos vocês que choram pelas mesmas razoes:

"Assim diz o SENHOR: Reprime a tua voz de choro e as lágrimas de teus olhos; porque há recompensa para as tuas obras, diz o SENHOR, pois os teus filhos voltarão da terra do inimigo. Há esperança para o teu futuro, diz o SENHOR, porque teus filhos voltarão para os seus territórios."

Na versão da Bíblia na Linguagem de Hoje, diz de forma mais coloquial, assim:

"Pare de chorar e enxugue as suas lágrimas. Tudo o que você fez pelos seus filhos será recompensado; eles voltarão da terra do inimigo. Sou eu, o SENHOR, quem está falando. Há esperança para você no futuro; os seus filhos voltarão para casa. Sou eu, o SENHOR, quem está falando."

Mas, veja que essa é uma promessa que entende que você fez a sua parte, que você fez por eles o que julga que deveria ter feito, não foi um pai ou uma mãe displicente e irresponsável. Então, ore, e descanse. Mas, ainda que você não tenha feito o que deveria - e todos nós falhamos aqui e ali, não tenha duvida - aceite o perdão de Deus que Ele em Sua misericórdia já disponibilizou pra você, coloque-se na mão dEle, e jamais deixe de orar por seus filhos. Deus o recompensará, e seus filhos, sim, um dia, voltarão para casa, vindos da terra do inimigo.

Que Deus nos proteja a todos, pais e filhos, que o Seu Espirito possa estar conosco, ensinando-nos, como pais, a agir com nossos filhos da forma mais amorável, compreensiva e tolerante que possível, e como filhos, a aceitarmos a orientação, a guia e mesmo a repreensão de nossos pais. Esse relacionamento de família é a maior benção que Deus deu ao ser humano.

Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 5 de agosto de 2011

1(1) - Todo o Evangelho em um só Versículo Bíblico

Vamos relembrar: da última vez, falando sobre testemunhar, dissemos que isso é algo que podemos fazer em apenas 3 minutos. Não é preciso muito tempo, não é preciso fazer longos discursos, sermões e estudos, e nem ser profundo conhecedor de profecias e doutrinas. Essa é uma outra fase que vem depois e que toma toda a sua vida a partir daí. Mas, para testemunhar de Cristo Jesus, só precisamos de 3 minutos. Foi exatamente o que o apóstolo Paulo fez diante do Rei Herodes Agripa.

E isso, que leva tão pouco tempo, podemos fazer em qualquer lugar, na fila de um supermercado, na fila de um caixa eletrônico, num ponto de ônibus, numa conversa de intervalo nas aulas ou no trabalho, enfim, em qualquer lugar, e em um curto espaço de tempo.

Nos dias de hoje, vivemos em tempos de muita rapidez, muita velocidade, exatamente porque tempo é algo considerado escasso para o monte de coisas que queremos realizar e cumprir. E nesses tempos velozes, até mesmo as coisas que aprendemos e apreendemos, tem que acontecer em pouco tempo ou consideraremos perda de tempo. Os computadores, telefonia, comunicação por satélite, tudo precisa acontecer não em horas e nem mesmo minutos, mas em segundos ou frações de segundo, os chamados microssegundos e nanossegundos. Quem trabalha com hardware sabe do que estou falando.

O que menos temos hoje para usar nos nossos relacionamentos é o tão precioso tempo. Não temos tempo para nossa família, mulher, marido, filhos, não temos tempo para os nossos amigos, não temos tempo para nós mesmos, e pior que tudo, não temos tempo para Deus. Parece que todo nosso tempo disponível é para corrermos atrás daquilo que acaba sendo o principal da nossa vida: o trabalho, a atividade de ganhar dinheiro, de adquirir bens e recursos. Alguém já fez uma pergunta inquietante, que deve nos levar a pensar seriamente: "Quer saber o que realmente é importante na sua vida, aquilo que realmente conta pra você? É muito simples: basta ver as coisas às quais você mais dedica tempo ou das quais mais tem dificuldade em se desligar."

Eu propus aqui da vez passada algo pouco usual: nesse cenário, como falar do Evangelho, não apenas em pouquíssimo tempo, mas em um único texto bíblico? Teria que ser um texto que contivesse os principais elementos que constituem a pregação central sobre como funciona o plano de salvação.

Logo nos vem à mente o maravilhoso texto da conversa de Jesus com Nicodemos, narrado em Joao 3:16: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.". Esse é lindo, um dos textos mais amados de toda a Escritura, e até se aproxima do que eu tenho em mente.

Mas, como disse, não é esse o texto a que me referi. Há também um outro maravilhoso, de Paulo, em Efésios 2:8-10, que diz "Pela graça sois salvos....". Bem poderia ser esse, pois ele de fato tem tudo que precisamos saber sobre a questão da salvação, só que esse se espalha por pelo menos três versículos bíblicos, e eu disse que deveria ser apenas um único versículo. Então vamos a ele.

O meu texto é dos mais conhecidos do Novo Testamento, todo cristão seguramente sabe recita-lo de cor. Encontra-se em Romanos 6:23: "Pois o salario do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. ". Pronto, aí está, tudo que realmente conta para a salvação em um único versículo bíblico. Se amanhã ou depois, você estiver com alguém, por poucos minutinhos apenas, alguém a quem provavelmente você não verá jamais em outra oportunidade, e tiver que deixar com essa pessoa uma palavra de esperança e de confiança no poder do Evangelho, marcando um texto bíblico em sua mente, recite e ensine-lhe este versículo das Escrituras, e até mesmo peça-lhe que o decore.

Nesse texto você encontra o conceito do pecado e suas consequências, tem toda a diferença entre merecimento e graça, tem a salvação unicamente através de Cristo Jesus, e tem por fim a esperança da vida eterna. Do que mais você precisa falar ao testemunhar pra alguém sobre o evangelho do Reino? Vamos fazer um pequeno comentário sobre os itens desse pequeno texto. Não será uma exegese, que é uma interpretação profunda de um texto, bíblico, jurídico ou literário, pois eu não sou um teólogo ou literata. Essa será apenas uma conversa devocional.

Vamos ver as duas situações propostas nesse texto:

1) Quando você trabalha e ao final do mês recebe o seu salário, ou executa um serviço qualquer para alguém ou para uma empresa e quando termina recebe o seu pagamento, independente de ter feito um bom trabalho ou não, você está recebendo aquilo que merece. Afinal, ao longo do mês você esteve à disposição da empresa. Ou gastou horas ou dias para executar um serviço para alguém. E é isso mesmo. Está recebendo aquilo que merece. É um direito seu. Você pode reivindicá-lo, brigar por ele, ir até à justiça para receber aquilo que lhe é devido. Esse, portanto, não é um cenário onde existe graça. Aqui existe merecimento e consequente pagamento.

2) Ao contrário, quando alguém que gosta de você, que o admira, que nutre qualquer tipo afeto por você, lhe dá um presente, ou faz para ou por você alguma coisa que você aprecia muito, você está recebendo algo inteiramente de graça. Nunca diga ou pense que alguém que recebeu um presente merece aquele presente, porque sendo esse o espírito, naquele instante deixou de ser um presente e passou a ser um pagamento merecido.

Portanto, eu disse que ninguém que recebe um presente - mesmo na data do seu aniversário - deve pensar que merece aquele presente ou tem direito a ele. Porque, se merecer, já não é um presente, e sim uma justa retribuição a que ele tem direito. Você que é pai ou mãe, ou mesmo sendo apenas filho ou filha, saiba que não tem obrigação nenhuma de dar ou de receber presentes. Presente é presente, em princípio, e por definição, sem qualquer merecimento por parte de quem o recebe. Quem dá um presente dá porque quer, dá porque gosta do presenteado, ama a pessoa que recebe o presente. O pai, a mãe, que presenteiam seu filho(a) o fazem não porque tenham obrigação, por serem pais; eles o fazem porque amam seus filhos. Que isso fique bem claro.

Esse é um conceito que precisamos entender, firmar e consolidar, se é que queremos considerar devidamente a questão dos extraordinários presentes que recebemos de Deus: a salvação e a vida eterna, bem como o maravilhoso dom de Deus (dom quer dizer presente) que é Cristo Jesus.

Voltando então ao nosso texto, quando Paulo diz ali que o salário do pecado é a morte, está dizendo que isso é o que todos merecemos, porque todos pecamos, e pior ainda, todos nascemos em condição de pecado, com natureza pecaminosa. Essa era a situação, era o cenário que passou a existir para o ser humano, desde o Éden. A morte era, e continua sendo o justo pagamento por sermos pecadores natos. Se o texto terminasse aqui, que desgraça e tragédia profundas! O SALÁRIO DO PECADO É A MORTE!.

Mas... temos essa bendita conjunção adversativa, que entra com uma ideia oposta à primeira: "mas, o dom gratuito de Deus é a vida eterna...". E aqui, desculpem-me o comentário, "dom gratuito" ou "presente gratuito" configura o que chamamos de pleonasmo. Se for dom, se for presente, só pode ser gratuito. Não chega a configurar um erro, mas, provavelmente foi usado assim para enfatizar - e isso é bom - que a vida eterna é inteiramente "gratuita". Aliás, na maravilhosa e tradicionalíssima tradução inglesa The King James' Version, o texto diz: "But, the gift of God is eternal life...".

Amigos, a salvação, a vida eterna, são dons, são presentes de Deus, portanto, inteiramente gratuitos, inteiramente imerecidos. E com isso, esse texto maravilhoso das Escrituras nos apresenta a noção clara, sem sofismas, do que vem a ser a graça de Deus. Deus nos concede a salvação em Seu Filho, Jesus Cristo, não porque tenhamos qualquer direito a ela; não porque tenhamos feito ou venhamos a fazer qualquer coisa, praticar qualquer ato meritório que nos dê ainda que uma pequena porção de garantia ou direito à vida eterna. Deus nos deu e nos dá a salvação simplesmente porque nos ama. Deus nos estende a graça do Seu perdão e a possibilidade real de viver pra sempre simplesmente porque nos ama. Só isso.

Nossos atos de obediência (pobre e esfarrapada obediência, diga-se de passagem) não tem nenhum papel salvífico, nada mais são do que resposta, consequência, resultado, fruto do companheirismo, do relacionamento com esse Deus que nos salva e morreu por nós simplesmente porque nos ama. Imaginem o tamanho desse amor! Essa é a correta pregação do Evangelho que salva. Não chame a isso graça barata, porque não é, ela foi muito cara, custou a vida do Filho de Deus.

Na verdade, às vezes somos levados a pensar no exposto acima como graça barata, porque estamos acostumados a pagar por tudo que temos. Só damos valor às coisas que custaram, e principalmente às que custaram muito. Costumamos ouvir, e até dizer: "isso aqui eu comprei com o meu dinheiro" ou "não quero nada de graça, prefiro pagar com o meu dinheiro" ou "se fosse bom, ninguém dava, vendia" ou "tudo que é bom é caro, porque o bom e barato é raro". Esse é o conceito humano sobre o que realmente tem valor.

Pois então saiba: a coisa mais preciosa que você poderia ter ou ganhar, que seria uma eternidade de paz e felicidade sem fim ao lado de todos os seus queridos e junto de Deus e de Cristo Jesus, é algo que lhe é ofertado inteiramente de graça, sem que você precise fazer nada para receber, só precisa isso: receber, aceitar. Qualquer mudança de vida, qualquer mudança no seu procedimento daí pra frente, será consequência de haver aceitado, será uma reação a essa ação magnífica de Deus em seu favor. Mesmo na eternidade, um dia, com corpo glorificado, mente transformada e vivendo pra sempre, você nunca será digno da salvação, ela terá sempre sido um dom, um presente da graça de Deus.

Preste atenção no que eu vou dizer agora pra encerrar: ao fazer qualquer coisa pra Deus, ao praticar qualquer ato simples de obediência a princípios ou regras que você acredite que são corretas e devem ser observadas, nunca ouse, nunca caia no erro de achar ou pensar que agindo assim estará ganhando ou fazendo por merecer, ainda que uma ínfima parte da sua salvação. Experimente pagar a alguém que lhe dá de coração um presente, que pra ele pode ter custado muito, mas pra você não custou nada, e tudo que você vai conseguir com isso será simplesmente magoar quem presenteou você. E na questão da salvação é o seu maravilhoso Deus. Quando você faz a vontade de Deus, através de atos de obediência, está apenas mostrando de que lado você está, e está, claro, vivendo melhor com toda certeza. Afinal, os reclamos de Deus, suas leis e diretrizes, sempre foram dados para que o homem viva melhor.

Repita agora mentalmente comigo esse texto maravilhoso que prega o núcleo da questão da salvação em Cristo Jesus em um único versículo, e ensine-o a todos que se relacionam com você, quer eles já creiam nisso ou não. Essa é uma pequena jóia do Evangelho que salva que Cristo Jesus deu ao seu amado apóstolo Paulo: "Pois o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. ". Amém.

Autor: Mário Jorge Lima