Seja bem-vindo(a) ao meu Blog. Sou Mário Jorge Lima, e abaixo estão textos meus, apresentados como sermões, palestras, ou simplesmente frutos de minhas reflexões pessoais.

Sou pai dessas 5 moças ao lado, Mariana, Isabela, Júlia, Laura e Luíza, a quem amo mais que a mim mesmo. Quando escrevo sobre assuntos espirituais, quando apresento palestras ou sermões, é primeiramente para elas e pensando nelas que estou escrevendo e falando.

Esses textos, atualizados sempre que eu os crio, e para isso não tenho uma periodicidade definida, são o legado escrito que deixarei a elas, sem erudição, sem proselitismo, sem "filosofismos". São as coisas em que de fato creio e pelas quais hoje vivo. Se Deus me der o tempo e a chance necessários, ainda pretendo escrever um livro com estas reflexões. Se não conseguir, elas estarão pra sempre aqui nesse Blog.

OBS: As palestras são organizadas com as mais recentes sempre no Topo.

Postado em: sexta-feira, 30 de setembro de 2011

2(10) - O Fruto do Espírito: Amor

Continuando nossa nova série sobre o Fruto do Espírito, vamos nos deter no primeiro deles, o Amor. Esse é um assunto vastíssimo, com milhares de diferentes nuances, e que é discutido em prosa e verso há milênios, sem que seja nunca esgotado. E no caso do amor de Deus, teremos toda uma eternidade para tentar apenas arranhar a superfície desse elemento que define o próprio caráter e a natureza de Deus.

Portanto, tudo que vou tentar fazer aqui será tecer alguns comentários a respeito de três aspectos que julgo relevantes sobre o amor, e que eu fui aprendendo ao longo da minha vida, meus encontros e desencontros.

Vamos ao primeiro. Revendo nosso texto-base de Gálatas 5:22-23, quero dizer que não acredito que essa lista de gomos ou sabores do fruto do Espírito, publicada pelo apóstolo Paulo, tenha sido aleatória. O posicionamento do amor como sendo o primeiro gomo desse fruto maravilhoso mostra que ele é o fundamento, o elemento determinante de todos os demais.

Não por acaso, também, o amor tem a particularidade interessante de, além de fruto do Espírito, ser também um dom do Espírito, aliás, segundo o mesmo apóstolo, o maior dos dons, o mais excelente. Ou seja, além de ser um presente de Deus – dom - é também consequência, resultado, de ficarmos ligados a Ele – fruto -, que é a videira verdadeira. E, mais ainda, o amor é equiparado ao próprio Deus, quando João diz, na melhor definição bíblica desse tema: “Aquele que não ama, não conhece a Deus, porque Deus é amor.”. I João 4:8.

No entanto, apesar da sua nobreza e divindade, nada tem sido tão desvirtuado, distorcido e pervertido por satanás, quanto o amor. Rebaixado à categoria de sentimento, de emoção, de desejo e sensualidade, embora seja também um pouco de tudo isso, o amor é muito mais que esses elementos citados. Confundido com paixão e disfarçado como amizade ou outros interesses menos nobres, o amor tem deixado de acontecer, de fato, em grande parte das vidas humanas, pela total incompreensão do que ele realmente é.

Vocês querem saber, de forma insofismável, o que o amor é, e isso numa única palavra? Vou dizer de maneira direta, curta e objetiva: o amor é um mandamento. Isso. Um mandamento de Deus. Jesus disse: “Amai-vos!”.

Por ser um mandamento, não é algo que brote espontaneamente, que seja natural no ser humano. Nós nascemos com a capacidade de amar, assim como nascemos também com a capacidade de crer. Mas, deixar o amor acontecer é uma decisão da vontade, uma atitude, uma determinação. Temos que nos determinar a amar, temos que estar predispostos a amar. Como disse, é o que acontece também com a fé e eu diria, também, com o perdão.

Ou seja, muito mais que um sentimento volátil, inconstante e vulnerável, o verdadeiro amor é, primeiramente, uma postura racional, inteligente, consciente, daquele que ama e que quer amar. Eu, pessoalmente, não creio em amor à primeira vista. Eu acredito em interesse, em atração à primeira vista. O amor conceito racional, sereno, forte e duradouro, que ama até à morte, é muito diferente, vem depois, com o tempo, com o relacionamento. O sentimento, a emoção, o desejo sensual – no caso do amor conjugal – são maravilhosos, vêm enobrecer, amaciar, humanizar e dar um toque de lirismo, romance, poesia e fraternidade a essa postura inteligente que é: amar e se deixar amar, gostar e se deixar gostar. E isso que tem que existir também, claro, não somos máquinas, somos humanos.

Quem está falando isso a vocês - digo isso com muita humildade - é um poeta, sou eu, que também busco ser um cristão que quer prestar um culto racional. Então, não se deixe levar pelo devaneio de achar que quando você ama alguém, se enamora de alguém ou então constrói uma amizade ou companheirismo pra vida toda, está sendo apenas romântico, lírico, virtuoso. Não, acima de tudo, você quis amar aquela pessoa, aquele amigo, aquele parente. Embora, em grande parte das vezes, você não se dê conta disso.

Com o amor de Deus é a mesma coisa. Primeiro é despertado o interesse nas coisas espirituais, só depois vem o amor maior, vem a confiança plena, com o prolongamento da comunhão, do relacionamento. E você tem que persistir, tem que manifestar determinação de seguir nesse caminho. É o culto racional de que falei.

Eu diria também que o impulso inicial de amar alguém, nem sempre é dos mais nobres. Aliás, nossos impulsos, nossas emoções, como seres humanos imperfeitos que somos, via de regra, nunca são os mais nobres, os mais adequados. É Deus quem santifica os nossos motivos, é Deus quem apanha nossas emoções, sentimentos, desejos e interesses e modifica, santifica, otimiza e nos torna melhores pais, filhos, maridos e mulheres, amantes, amigos.

Segunda reflexão. Outra característica do amor verdadeiro, que guarda similaridade com o amor de Deus, é que ele é incondicional. Quem ama não impõe condições para amar. Ama porque ama, ama porque quer amar. É assim que amamos nossos filhos, e talvez essa seja a forma de amor humano mais parecida com o amor de Deus. Não importa a vida que nossos filhos levem, não importam suas escolhas profissionais, suas opções sexuais, seu modo de vida, seu comportamento, se obedecem e seguem nossas orientações, o nosso amor por eles não depende disso. Independente de nos sentirmos felizes ou não a respeito de suas escolhas, nós os amamos, primeiramente, porque são nossos filhos.

Foi assim que Deus nos amou. A Bíblia, em Romanos 5:8 diz que “... Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, quando ainda éramos pecadores”, ou em outra tradução “sendo nós ainda pecadores”. Cristo morreu por nós não apesar dos nossos erros, mas com os nossos erros, nos nossos erros, na nossa condição de total afastamento dEle. Portanto, amor verdadeiro é amor incondicional. E essa é a única maneira de virmos a ser transformados pelo amor: se ele for incondicional. Primeiro você dá amor incondicional, só depois vem a transformação natural. Aliás, transformação que pode vir ou não, vai depender de como o ser amado vai reagir ao amor recebido. Deixar que seja assim, também é amar.

E a terceira e última consideração que quero fazer hoje sobre esse primeiro e fundamental gomo do fruto do Espírito, chamado amor, e que eu penso já ter comentado aqui em algum momento, tem a ver com algo chamado discipulado.

Definindo discipulado de forma simples e descomplicada, eu diria que é o processo de convivência com Cristo Jesus, de aprendizado constante das Suas verdades, de fixação e confirmação da fé, de transformação pela contemplação das belezas espirituais do Filho de Deus.

Discipulado é também uma estratégia deixada por Jesus para o desenvolvimento de Sua igreja. Foi num processo de discipulado que Jesus recrutou, escolheu e formou os Seus discípulos, transformando-os em apóstolos. O verdadeiro discípulo torna-se seguidor e reflete o caráter de seu Mestre.

E vocês sabem qual é a maior prova de discipulado para o cristão, ou seja, o que mostra ao mundo que alguém verdadeiramente é um discípulo de Cristo Jesus? Você que está me ouvindo ou lendo, amigo cristão católico, protestante de qualquer denominação, evangélico de qualquer linha doutrinária, adventista, não importa: não é a frequência aos cultos e missas, não é a obediência a preceitos nos quais acreditamos, não são provas de fé, não é a prática de curas milagrosas, não é a manifestação de dons do Espírito, não é uma vida piedosa enclausurada e longe dos perigos e ameaças desse mundo hostil, que mostram que somos discípulos de Cristo Jesus. A maior prova de discipulado eu encontrei em João 13:35, e eu leio aqui, palavras do Salvador:

“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.”.

E Ele complementa em João 15:8:

“Nisto é glorificado meu Pai: em que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos.”.

Ou seja, além de sermos instados a amar, temos que amar muito, esse fruto tem que ser abundante.

Finalizo dizendo e reconhecendo que nós, em nosso estado de seres com natureza caída, não temos a menor possibilidade de amar, sequer a nós mesmos. Precisamos de um forte suporte dos céus, precisamos de um toque especial do Espírito de Deus, precisamos, como eu disse no início, manifestar atitude, disposição, determinação, precisamos abrir o coração.

Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 23 de setembro de 2011

1(10) - O Fruto do Espírito

Estamos iniciando hoje uma nova série. Serão ao todo 10 Palestras, já contando com esta, versando sobre o tão desejado e buscado Fruto do Espírito. Esta nossa primeira palestra é uma introdução aos temas que virão.

Lendo minha Bíblia, especialmente o Novo Testamento, chego à conclusão de que nenhum outro texto, como o de Paulo aos Gálatas 5:16-23, apresenta um contraste tão grande e tão definido entre o modo de vida daquele que não conhece as coisas de Deus, portanto, vive controlado pela sua natureza caída, e o daquele que busca viver de acordo com os princípios do cristianismo, assim, deixando-se controlar pelo poder do Espírito de Deus. Vamos extrair daí o texto base dessa nossa primeira conversa da série, e que são os versículos 19-23:

“Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia [sensualidade], idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias [brigas], emulações [ressentimento, inveja], iras, pelejas, dissensões [divisões], heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade [paciência], benignidade [delicadeza], bondade, fé [fidelidade], mansidão [humildade], temperança [equilíbrio, domínio próprio]. Contra essas coisas não há lei.”

Não vamos nos deter aqui em destacar as chamadas obras da carne, ou seja, a parte negativa, odiosa e indesejável dessa questão, mas vamos nos concentrar em discorrer sobre a parte desejável, abençoada e edificante.

Na parte positiva do texto, o que primeiramente nos chama a atenção é que, ao contrário do que costumamos pensar, não são vários os frutos do Espírito, na realidade, é apenas um único fruto, mas que, poderíamos assim dizer, tem 9 gomos.

Antes de continuar falando do fruto, quero falar de algo que frequentemente confundimos com ele. O fruto do Espírito, com seus 9 gomos, difere, de certa forma, dos dons do Espírito, esses em número bem maior. Se somarmos os dons mencionados em Efésios 4, I Coríntios 12 e Romanos 12, chegaremos a um total de 20 dons do Espírito de Deus. Se somarmos outros textos do Novo Testamento encontraremos pelos menos mais outros 6 dons, portanto um total de 26 dons do Espírito.

Cada pessoa tem pelo menos um desses dons, e alguns tem mais de um. Ninguém tem todos. São presentes dados por Deus, uma capacitação sobrenatural concedida por Ele, a Seu exclusivo critério e propósito, para o desenvolvimento de Seu povo, de Sua obra em prol da salvação.

Preste atenção no que eu vou dizer: o dom espiritual é algo que o Espírito Santo dá, e não tem ligação com mérito, talento ou aptidão pré-existentes. Ninguém merece o dom que tem, afinal, é uma dádiva, um presente de Deus, isso independe de nós, não é algo que podemos adquirir estudando, lendo, obtendo conhecimento, com esforço próprio. Deus tão somente escolhe uma pessoa e derrama sobre ela aquele dom especial. Ainda vamos fazer aqui uma série sobre dons do Espírito.

Então, resumindo: os dons do Espírito, com seus mais de 20 tipos básicos de manifestação, são recebidos gratuitamente da mão de Deus, por eleição, por escolha, por graça, por Seu propósito. Todo cristão tem, no mínimo, um desses dons. Já os 9 gomos do fruto do Espírito são conquistados na caminhada com Jesus, no relacionamento, no processo de santificação pelo qual passa todo cristão convertido. E precisamos ter todos, precisamos desenvolver todos, ou, melhor dito, precisamos deixar crescer todos os 9 gomos, ou o fruto estará incompleto, anormal, sem sabor. Nas próximas 9 semanas vamos conversar aqui sobre cada um desses gomos espirituais.

Numa outra definição, para compreendermos melhor a questão entre dons e fruto do Espírito, eu diria que o dom define o que o cristão fará no trabalho de desenvolvimento do povo de Deus, uma aptidão especial dada por Deus, dada por eleição e por escolha de Deus para ser usada em favor dos outros. O fruto do Espirito define o que o cristão é, são atitudes e posturas pessoais desenvolvidas no relacionamento com Deus.

Uma das figuras mais interessantes usadas pela Bíblia na questão do relacionamento, é a da árvore. Elas foram criadas por Deus, no Éden, e Ele as fez "agradáveis à vista". A árvore dá a você sombra, proteção. Dá a madeira e dá o fruto. Suas raízes, quando profundas, resistem a qualquer tempestade. E mesmo depois de cortada e abatida a árvore pode renascer. Vejam que alegoria espiritual linda essa, quase desconhecida, se encontra no livro de Jó 14:7-9:

"Porque há esperança para a árvore, pois, mesmo cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus rebentos. Se envelhecer na terra a sua raiz, e no chão morrer o seu tronco, ao cheiro das águas brotará e dará ramos como a planta nova.".

Essa é uma promessa inspiradora que Deus colocou nos lábios de Jó, em meio ao seu intenso e inexplicável sofrimento. Você sabe o que representa essa água mencionada no texto? No meu entendimento, significa o Espírito Santo de Deus. Se você, mesmo em meio ao infortúnio, em meio aos desencontros e transgressões, procurar ficar perto de Deus, e permitir que Ele atue em você, com certeza, vai renascer, e melhor ainda, brotará e dará ramos e frutos como se fosse uma planta nova.

Você está ou pelo menos, se sente longe de Deus? Tem uma existência apagada e sem vida? Acha que suas chances de vida eterna passaram e a fé está como que escorrendo por entre seus dedos? Não se afaste das águas. Leia novamente o texto de Jó. Você vai reviver.

Fruto, necessariamente exige um processo anterior que é o plantio e a germinação de uma semente. O próprio Cristo ensinou que a semente, caindo na terra, passa por um processo semelhante à morte. Ele disse assim em Mateus 12:24:

"Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto.".

Portanto, todo aquele que quer desenvolver o fruto do Espírito de Deus em sua vida precisa morrer para a presente vida e renascer para viver vida nova e abundante em Cristo Jesus. E a partir dai, somente a partir dai, poderá ele dar muito fruto. Estará necessariamente ligado à videira verdadeira que é Cristo Jesus, e a seiva do Evangelho puro produzirá nele um belo resultado.

E Paulo disse ainda de forma contundente: "Contra essas coisas não há lei." Sabe o que isso significa? Significa que quando sua vida é dirigida pelo Espírito de Deus, e você naturalmente produz aqueles gomos citados, ninguém pode julgar você, e melhor ainda, ninguém pode condenar você. É a própria Bíblia que diz lá em Romanos 8:1: "Agora, pois, nenhuma condenação há para quem está em Cristo Jesus.".

Medite sobre isso, busque pelo relacionamento, pela leitura da Bíblia, pela oração, pelo serviço de amor incondicional, desenvolver esse fruto maravilhoso em sua vida. Temos todos tido muitas provações. Temos todos enfrentado situações angustiantes e penosas, na nossa família, no trabalho, na escola, nos nossos relacionamentos, nas ruas, em todo lugar. Esse é o ambiente propício para o fruto do Espírito de Deus se desenvolver. É nessa situação de crise que o poder de Deus se aperfeiçoa em nós. O que eu desejo é que você se torne uma bela e frondosa árvore espiritual, forte, rija, com raízes profundas em Cristo Jesus, e cheinha de frutos.

Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 16 de setembro de 2011

1(1) - Ela Entregou Tudo que Possuía

No domingo passado estive participando de um programa de evangelismo na igreja adventista do Capão Redondo, aqui em São Paulo. Num dos intervalos da programação uma senhora da igreja, chamada Laura, me procurou e perguntou se eu era o Mário Jorge da Rádio Moema. Quando confirmei, ela, com muita alegria me contou o seguinte: sua mãezinha, Sra. Ilka, já idosa e com dificuldade de se locomover, não conseguia mais ir à igreja em função desse problema, e ouvia toda a programação da Radio Moema, incluindo a programação ao vivo das sextas-feiras à noite. E ela havia colocado no coração o desejo de ajudar o ministério da Radio Moema, reservando uma pequena parte dos seus ganhos para dedicar ao nosso trabalho. Pediu-me então os dados de conta bancária para fazer os depósitos.

Aquilo me comoveu muito, e eu lhe disse que posteriormente entraríamos em contato com ela para conversar com sua mãe e conhecê-las melhor. Já passei essa informação aqui para o pessoal da equipe, vários dos oficiais da igreja se emocionaram e se motivaram com o gesto daquelas irmãs lá do Capão Redondo. E esse fato imediatamente me deu o mote que eu precisava para definir sobre o que conversaríamos aqui.

Veio-me à mente, naquele momento, de forma instantânea, o que se encontra relatado no Evangelho de João 21:1-4: "Estando Jesus a observar, viu os ricos lançarem suas ofertas no gazofilácio. Viu também certa viúva pobre lançar ali duas pequenas moedas; e disse: Verdadeiramente, vos digo que esta viúva pobre deu mais do que todos. Porque todos estes deram como oferta daquilo que lhes sobrava; esta, porém, da sua pobreza, deu tudo o que possuía, todo o seu sustento."

Aquelas moedas da viúva eram as menores moedas em uso naquele tempo, feitas de cobre, e valiam muito pouco. No entanto, pelo desprendimento e liberalidade demonstrados de forma humilde e sem alarde, na apreciação e avaliação do Mestre, sem dúvida, para Deus, aquela oferta carregava o maior valor.

Eu não sei a situação daquela irmã que me procurou na igreja, não sei o quanto ela pretende doar e também não sei o quanto representa para ela o valor que ela decidiu dedicar a Deus através do nosso trabalho. Mas essa cena bíblica, que não foi uma parábola, foi um fato real presenciado por Jesus e os discípulos, foi a primeira coisa em que pensei. E duas coisas me emocionaram e chamaram minha atenção no ato daquela senhora no domingo passado.

A primeira, é claro, foi a sua disposição de ajudar por se sentir abençoada ao ouvir a nossa programação radiofônica. Por isso, então, ela quis contribuir, ainda que com pouco, para um trabalho que, possivelmente, também beneficia a outras pessoas. Percebam um detalhe pequeno, mas muito significativo: o ato daquela nossa irmã foi uma resposta, uma reação ao nosso ato de produzir e oferecer uma programação radiofônica espiritual. Ou seja, ela não doou para comprar ou para gerar uma programação que a beneficiasse. Ao contrário, porque primeiro se sentiu beneficiada, ardeu nela o desejo de participar, de colaborar. Portanto, ela reagiu à nossa ação. Nós agimos, e ela reagiu.

E é assim que funciona o Evangelho puro de Cristo Jesus quando atinge nossa vida, essa é a mecânica correta. Assim devem ser as boas obras que praticamos, a obediência que demonstramos, e também a adoração que prestamos a Deus. Nossa religião deve ser uma religião de reação. Deus age, e o homem reage, não o contrário. Em outros cultos, notadamente os cultos do paganismo, a crença é que a divindade fica aguardando ser bajulada, beatificada, recebe sacrifícios, para só então se mover e atender aos seus súditos. Ou seja, o homem age para que sua divindade reaja em seu favor.

Mas, como disse, no culto cristão é Deus quem sai na frente. Deus nunca nos pede nada sem antes fazer algo por nós. I João 4:19 diz isso claramente: "Nos amamos porque Ele nos amou primeiro." Primeiro Deus faz, e faz tudo que é necessário, depois, então, Ele aguarda nossa reação ao que Ele já fez por nós, uma reação que seja natural, consequente, racional. Reação, diga-se de passagem, que pode acontecer ou não. Se não acontecer, nem por isso Deus deixará de fazer. Não, Ele continuará fazendo.

Se não me engano, o pastor Morris Venden, em um de seus livros, comenta o seguinte, que eu também já li de outros teólogos cristãos. Existe algo que vamos chamar de Indicativos de Deus (o que Ele já fez por nós), e algo que vamos chamar de Imperativos de Deus (o comando dEle, o que Ele quer e espera de nós). Deus jamais nos apresenta um Imperativo sem primeiro mostrar o Indicativo. Ou seja, Deus sempre faz antecipadamente e só depois pede. Vou dar um exemplo clássico do Velho Testamento.

A Lei dada por Deus a Moisés, ou seja, a Lei dos Dez Mandamentos, começa assim: "Eu sou o Senhor Teu Deus que te tirei da terra do Egito e da casa da servidão [Indicativo]. Não terás outros deuses diante de Mim [Imperativo]." E há inúmeros outros exemplos dessa forma de aproximação de Deus. O apóstolo Paulo mostra isso em diversos de seus textos.

O Indicativo de Deus para aquela senhora do Capão Redondo foi o bem que ela recebeu ao ouvir e ser confortada por uma programação radiofônica de conteúdo espiritual. O Imperativo para ela se tornou o desejo de contribuir com esse trabalho. Essa foi sua reação, natural, consciente.

E a segunda coisa que me impressionou quando sua filha veio falar comigo, foi a alegria dela. Aquela irmã sorria e demonstrava uma alegria imensa por ter-me descoberto e poder assim atender ao desejo de sua mãe. A Bíblia diz em II Coríntios 9:7 que "... Deus ama a quem dá com alegria.". Essa é uma característica que deve revestir qualquer coisa que façamos para Deus: a alegria. É o mínimo que podemos sentir ao tributar, ao dedicar qualquer coisa ao serviço de Deus.

Lembremos sempre que a alegria é um dos gomos do Fruto do Espirito. Ela vem logo depois do amor e antes da paz. Pode significar que ela é gerada pelo amor de Deus. Não é uma euforia, não necessariamente ela precisa ser ruidosa e extravagante. E conduz a momentos de paz, paz interior, paz que o mundo não dá, paz que excede todo o nosso entendimento.

De alguma maneira já falei sobre isso aqui, e vou rotineiramente repetir conceitos e ideias já mencionados em outras palestras. Na última conversa que tivemos aqui, um ouvinte mencionou que eu já havia falado alguma coisa que estava falando novamente naquele momento, e provavelmente já tinha mesmo. Que bom que ele lembrou, essa é a forma bíblica de gravar e firmar o pensamento, a repetição, é a maneira consciente e metódica de ensinar os nossos filhos, é a forma de aprendermos de Deus, firmando e retendo tudo aquilo que é bom.

Que Deus abençoe a nossa irmã Laura, a sua mãezinha, irmã Ilka, sua neta, toda sua família, por sua liberalidade e desprendimento, trazendo-lhes não apenas bênçãos espirituais, mas também bênçãos materiais, cura física e emocional, cura das dores da alma, graça e paz.

E desejo a vocês que me ouvem, e também a mim mesmo e minha família, que sempre reajamos, no sentido de responder as ações de Deus. A maior ação de Deus em favor do ser humano foi Ele mesmo Se dar em nosso lugar e pagar a nossa dívida, a dívida que a raça humana contraíra com o bem, com aquilo que é correto e verdadeiro. Em função dessa ação maior e primeira de Deus, tudo que viermos a fazer, que não seja troca, que não seja tentativa de comprar o favor de Deus, que não seja para que nos tornemos melhores que nosso semelhante, pois assim nos frustraremos e nada conseguiremos, sem a menor sombra de dúvida. Mas que seja resposta natural e verdadeira às ações de Deus em nosso favor, portanto, fruto do Evangelho.

Autor: Mário Jorge Lima