Seja bem-vindo(a) ao meu Blog. Sou Mário Jorge Lima, e abaixo estão textos meus, apresentados como sermões, palestras, ou simplesmente frutos de minhas reflexões pessoais.

Sou pai dessas 5 moças ao lado, Mariana, Isabela, Júlia, Laura e Luíza, a quem amo mais que a mim mesmo. Quando escrevo sobre assuntos espirituais, quando apresento palestras ou sermões, é primeiramente para elas e pensando nelas que estou escrevendo e falando.

Esses textos, atualizados sempre que eu os crio, e para isso não tenho uma periodicidade definida, são o legado escrito que deixarei a elas, sem erudição, sem proselitismo, sem "filosofismos". São as coisas em que de fato creio e pelas quais hoje vivo. Se Deus me der o tempo e a chance necessários, ainda pretendo escrever um livro com estas reflexões. Se não conseguir, elas estarão pra sempre aqui nesse Blog.

OBS: As palestras são organizadas com as mais recentes sempre no Topo.

Postado em: sexta-feira, 28 de outubro de 2011

5(10) - O Fruto do Espírito: Paciência

Chegamos a um gomo do fruto do Espírito muito importante e necessário nos dias de hoje. Na maioria das traduções da Bíblia esse gomo é chamado de longanimidade. Aqui nós vamos chamá-lo de paciência, como está em algumas versões, ou em alguns casos, de tolerância.

Vivemos em tempos irados, tempos de muita inquietação e ansiedade, muita pressa, onde tudo é urgente e pra ontem, tempos onde tudo que falta é justamente o tempo. Nossa impaciência diante das diversas situações da vida pelas quais passamos, nossa intranquilidade e irritação, mostram muito do nosso interior, como vai a nossa alma e, eu diria, a quantas anda a nossa relação com Deus.

Vejam que esse gomo vem logo depois do gomo da paz, pois eles têm total relação entre si. É muito difícil que alguém exageradamente impaciente desfrute de paz interior, ou que alguém que não tenha paz possa ser paciente. Há pessoas que parecem viver sempre no limite de sua tolerância. É aquele pessoal da tolerância zero, do pavio curto, que não leva desaforo pra casa, com estresse permanente. As razões básicas para que isso aconteça nós poderíamos classificar da seguinte forma:

. Nossas características pessoais (alguns são impacientes por natureza);

. Um certo cansaço em relação à vida agitada e muitas vezes frustrante que levamos;

. Ou ainda uma dificuldade grande para nos relacionarmos com os outros e para aceitá-los como eles são.

Eu anotei aqui algumas situações muito corriqueiras, que fazem parte do nosso dia a dia, e que nos levam a ser impacientes, intolerantes e ansiosos:

. Ingratidão por parte de pessoas a quem muitas vezes ajudamos e de quem gostamos.

. Insistência das pessoas em nos fazer coisas que elas sabem que nos desagradam.

. Conexões na Internet que nos irritam por sua lentidão e quedas, além da enorme carga de Spam e-mails e Viruses que atulham nossas correspondências eletrônicas.

. A falha de computadores, impressoras, celulares, máquinas de todo tipo, nas horas em que mais precisamos desses equipamentos.

. A perda de horário para levantar ou para sair para um compromisso importante ou uma viagem.

. O trânsito louco das grandes cidades, os engarrafamentos quilométricos e o barulho intermitente das motos que nos cortam a toda velocidade.

. A estupidez de enfrentar filas no banco, no mercado, no ponto do ônibus, nos consultórios, em todo lugar.

. A impontualidade de nosso cônjuge ou nossos filhos, sempre vivendo nos limites dos horários.

. A falta de humildade, a ingratidão e a grosseria de amigos, irmãos, parentes, vizinhos e colegas de trabalho.

. O ronco do nosso companheiro (a).

. Termos que andar atrás de uma pessoa que anda bem devagar, enquanto estamos com toda a pressa do mundo.

. Comprarmos qualquer mercadoria e sentirmos que fomos enganados, que não funciona e não resolveu o nosso problema.

. Pagarmos por um serviço e ele não ser executado de forma satisfatória.

. Pedirmos ajuda a um atendente que nunca sabe nada, a não ser dizer naquela famosa forma de gerúndio no presente: "um momento, que eu vou estar transferindo a sua ligação".

. Gritaria de criança fora de hora, assim como latido de cachorro. Justamente você que ama tanto crianças birrentas e ama cachorros raivosos. Principalmente quando não são as suas crianças e não é o seu cachorro.

. Isso sem contar aquelas situações em que você se acha insatisfeito com você mesmo, com suas atitudes ou falta de atitude, com sua mediocridade, com a sua falta de ousadia e coragem, com sua falta de grana pra conseguir as coisas que você precisa ou que acha que merece ter, com seu casamento, com seu emprego, com seu desempenho pessoal.

São muitas as situações que nos causam verdadeiro estresse e, então, somos tentados a sair “detonando” tudo e todos à nossa volta. Vou confessar uma coisa a vocês. Eu sempre achei que Deus me fez pequeno e fraco porque se eu fosse grande e forte acho que iria causar muito estrago à minha volta. Eu sempre busquei ser mais consistente e forte nas minhas argumentações e reflexões, pra compensar a minha fraqueza física. Deus é muito sábio. Há um ditado popular que diz: “Deus não dá asas à cobra”. Vocês já imaginaram uma cobra que voasse como um pássaro, que estragos causaria, que predador insuperável seria, um animal peçonhento assim e ainda por cima alado!

A Bíblia diz que Deus é longânimo, paciente, misericordioso, e tardio em irar-se. Vejam alguns versículos lindos a respeito dessa característica do nosso Deus:

“SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade.” Êxodo 34:6.

“O SENHOR é longânimo e grande em misericórdia, que perdoa a iniqüidade e a transgressão...” Números 14:18.

“Misericordioso e piedoso é o SENHOR; longânimo e grande em benignidade.” Salmos 103:8.

“Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento.” II Pedro 3:9.

Com certeza nosso Deus deseja imprimir e desenvolver em nós essa característica tão necessária em nossos dias tumultuados e tensos. Nós aprendemos nos Provérbios bíblicos que “o longânimo é grande em entendimento, mas o de ânimo precipitado exalta a loucura.” Provérbios 14.29. Aprendemos também que a glória de uma pessoa é ser longânimo e perdoar as injúrias. Provérbios 19.11. O sábio também diz que “Melhor é o longânimo do que o herói da guerra, e o que domina o seu espírito, do que o que toma uma cidade.” Provérbios 16.32. Portanto, naquelas horas em que o sangue ameaçar ferver, lembremo-nos também que “a pessoa raivosa suscita contendas, mas o longânimo apazigua a luta.” Provérbios 15.18.

Na verdade, é muito fácil falar e teorizar, sentadinho aqui, num ambiente amistoso, cercado de pessoas cristãs que estão fazendo um trabalho que amam fazer, já desfrutando as delícias de um final de semana. Mas na roda vida da nossa vida diária, nas situações como aquelas que eu citei acima, não é fácil ser paciente, tolerante, benigno, amável e solícito. Mas, também não é algo inalcançável. Deus não esperaria de nós algo impossível de ser atingido. Quem busca imitar a Deus busca, entre outras coisas, ser longânimo, ser paciente. Não por suas próprias forças e virtude, evidentemente, mas pelo poder do Espírito de Deus.

Sendo assim, queremos que sejam pacientes e tolerantes conosco? Sejamos com nosso próximo também. Um belo texto de Paulo diz assim: “Exortamo-vos, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longânimos para com todos.” I Tessalonicenses 5:14.

Você sabia que nós só fomos salvos porque Deus é longânimo? A pergunta do apóstolo Paulo nos recorda precisamente a razão por que fomos alcançados por Deus, veja: “Ou desprezas a riqueza da sua bondade, tolerância e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?” Romanos 2.4. E como ensina Pedro, foi a “longanimidade do nosso Senhor” que nos salvou. II Pedro 3.15.

Agora fica aqui uma pergunta final e instigante pra vocês pensarem: será que ser pacífico (ter o fruto da paz) e ser longânimo (ter o fruto da paciência) significa que o cristão tem que ser apático, indiferente, mortinho? Será que temos que perder a nossa capacidade de nos indignarmos, de nos posicionarmos contra a injustiça, contra o erro, contra a hipocrisia, contra o atraso?

“Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento...” grita o apóstolo Paulo em Romanos 12:2. Atitude altamente revolucionária. As expressões fortes aqui são: não se conformar, transformar-se, renovar a mente.

O cristão é um inconformado por natureza. O cristão deveria andar em revolta contra o sistema pecaminoso que impera no mundo. O cristão tem que ser indignado. Por isso, de algum modo, ele sempre estará em conflito com a sociedade. Quando um grupo cristão se conforma com os valores sociais do seu tempo, algo talvez esteja errado. Uma dose de conflito sempre é necessária. Não conflito físico, mas conflito moral e espiritual. As igrejas que estão muito afinadas com a sociedade e suas misérias e injustiças talvez estejam mal diante de Deus, porque o Senhor não aprova os padrões deste mundo. Não se conformar é não tomar a forma, o modelo do mudo. Deus nos criou à Sua imagem e semelhança, por que iríamos nós, agora, adotar uma forma diferente?

A segunda expressão forte é “transformai-vos”. Comece a mudar o mundo mudando você mesmo, mas pelo poder que há na Palavra de Deus, o poder do Espírito Santo. Transformar a si mesmo já é uma tarefa grandiosa e revolucionária!

A terceira expressão é “renovação da mente”. Pelo que a própria psicologia prega, você é o que você pensa. Se pensamos nas coisas espirituais, nas coisas de Deus, estamos caminhando para voltar a ter a imagem dEle refletida em nós.

Dizem que temos que “chamar o pecado pelo nome” e não tolerar os erros, as transgressões à vontade de Deus. Então comecemos a chamar pelo nome o nosso próprio pecado. Comecemos a combater as nossas próprias transgressões, a nossa própria hipocrisia. Se cada um fizer isso, seremos todos mais pacientes, longânimos, compreensivos com os outros e viveremos em paz.

Ser longânimo, ser paciente, ser compreensivo, ser tolerante, é uma maneira de nos parecermos com o nosso Deus. Brenan Manning, pensador católico e um dos grandes escritores cristãos do nosso tempo, construiu esse admirável e profundo parágrafo que eu deixo aqui para finalizar nossa conversa de hoje:

“O modo como somos uns com os outros é o teste mais verdadeiro de nossa fé. Como trato um irmão ou irmã no dia-a-dia, como reajo ao bêbado importuno marcado pelo pecado na rua, como respondo a interrupções de pessoas de quem não gosto, como lido com gente normal em sua confusão normal num dia normal, pode ser melhor indicação da minha reverência pela vida do que um adesivo contra o aborto preso ao pára-choque do meu carro.”

Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, paciência...

Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 21 de outubro de 2011

4(10) - O Fruto do Espírito: Paz

Na sequência da nossa presente série, vem o terceiro gomo do maravilhoso fruto do Espírito de Deus em nós, que é a paz. Esse é um doce e precioso gomo, um anseio natural que existe no coração de todo ser humano: viver em paz. Em um mundo envolto em guerras, conflitos de todo tipo, violência, crime, ferocidade, ditadores e ditaduras, injustiça e corrupção em todos os níveis, o mínimo que se pode desejar é ter paz na vida.

Por outro lado, também as condições financeiras, econômicas e sociais do mundo, as doenças de todo tipo, em especial as emocionais, as assim chamadas, doenças psicossomáticas, que trazem comportamentos de difícil tratamento e convivência, como a depressão, a síndrome do pânico, a esquizofrenia, a baixa auto-estima, a frustração, o complexo de culpa, os bloqueios, as fobias de todo tipo, a angústia, e tantas outras, nos tiram a paz, a tranquilidade, a serenidade e até mesmo a vontade de viver.

Quando o nascimento do Salvador foi anunciado ao mundo, um dos desejos mais ternos expressos por Deus para o ser humano, e que se personificava naquele divino bebê, dizia assim, nas vozes do coro de anjos: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem.” Lucas 2:14.

Desde os tempos bíblicos do Velho Testamento os homens de bem se cumprimentava dessa forma: “Paz seja convosco.” Gênesis 43:23. Os anjos de Deus usavam essa mesma expressão: “Paz seja contigo.” Juízes 6.23. A bênção sacerdotal, chamada de bênção aarônica, terminava assim “O Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz.” Números 6.26. Jesus Cristo, o Príncipe da Paz, também saudava seus discípulos e amigos dessa mesma maneira: “Paz seja convosco.” Lucas 24.36. Chegou mesmo a recomendar que quando entrassem na residência de alguém, dissessem: “Paz seja nesta casa.” Lucas 10:5. Os apóstolos pediam que o “Deus da paz” estivesse com todos, Romanos 15.33. E uma das saudações na igreja do Novo Testamento era “graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.” I Coríntios 1.3.

Por esses poucos exemplos vemos que a paz sempre foi uma condição de vida desejada, procurada, prometida ao longo de toda a Bíblia. Pesquisando, poderemos encontrar essa palavra mencionada em pelo menos três centenas de versículos.

Às vezes pensamos na paz apenas como a situação oposta à da guerra, ou seja, a paz é a ausência de guerra. No entanto, a paz para o cristão tem também outra conotação, que lhe permite inclusive desfrutar paz mesmo em meio a conflitos e confrontos de qualquer natureza.

A paz para o cristão é estar reconciliado com Deus. É ter sido justificado e perdoado de todos os seus pecados passados e ser nova criatura em Cristo Jesus. É viver dentro de uma nova ética, relacionando-se intensamente com Deus através da oração, do estudo da Bíblia e do serviço de amor ao próximo.

Por Seu lado, Deus deseja dar-nos paz, completamente diferente da paz que o mundo dá. Esta é a Sua promessa: “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais.” Jeremias 29.11. “O Senhor dá força ao seu povo, o Senhor abençoa com paz ao seu povo.” Salmos 29.11.

E lá no início da Eternidade, o Reino de Deus, onde todos, pela graça, esperamos estar um dia, segundo diz o apóstolo Paulo, “... não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.” Romanos 14:17. Vejam que a paz é um valor eterno, começa a nos envolver desde nossos primeiros passos na vida cristã, quando nos convertemos e somos justificados, e nos acompanha por toda a eternidade.

A paz que nos vem como fruto do Espírito não depende de uma situação favorável em redor, não depende de ausência de conflitos, não depende da vontade daqueles que nos cercam, não depende das circunstâncias. A paz que vem de Deus, como diz a Bíblia, “excede todo o entendimento.” Filipenses 4:7. Ela é muito mais do que SHALOM - que significa bem-estar - ela é um estado de alma. Ela vem da certeza de que tudo vai bem no relacionamento entre o crente e seu Deus.

O mundo vive em guerra. No mundo há falta de paz. Os países do mundo vivem se confrontando , a probabilidade do início de uma guerra está sempre na próxima decisão de governo. As empresas, as famílias, todos os segmentos da vida humana e da sociedade estão envoltos em conflitos ou possibilidades iminentes de conflitos. As igrejas vivem em guerra, cada uma querendo mostrar-se ao mundo como verdadeira ou ostentar o maior número de adeptos ou o crescimento mais acelerado.

E por que isso acontece? Qual a razão de tanta inquietação, de tantos desencontros, de tanta agressividade e ferocidade, tanta competição irrazoável? Por que não há paz na terra e boa vontade entre os homens? A Bíblia mostra a razão: é porque não damos ouvidos aos comandos de Deus e não nos envolvemos no seu projeto para o mundo. Isaías descreve esse anseio de Deus: “Ah! Se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos! Então, seria a tua paz como um rio, e a tua justiça, como as ondas do mar.” Isaías 48.18.

A paz, como já disse ainda há pouco, é uma benção de Deus, que coroa o processo de justificação. Quando o homem se encontra afastado de Deus, desligado das coisas do Espírito, vive em meio aos seus próprios interesses, uma vida cheia de conflitos, numa guerra íntima contra Deus, contra o mundo, contra si mesmo. O Evangelho então chega à vida desse homem, trazendo-lhe as boas novas da salvação inteiramente pela graça de Cristo Jesus. Esse homem, abrindo o coração a Deus, crê nessa palavra divina, estendendo para ela o braço da fé. O apóstolo Paulo descreve resumidamente esse processo assim: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.” Romanos 5.1.

Em outras palavras, quando o homem aceita o evangelho e crê nAquele que o justifica, reaproxima-se de Deus, refaz a amizade e o relacionamento, não tem mais nenhum litígio com o Criador e passa então a desfrutar de verdadeira paz interior. É essa paz que é inexplicável, é essa paz que é diferente da que o mundo dá, é essa paz que ultrapassa tudo que possamos compreender.

Na vida religiosa, na vida espiritual, há alguns fatores que também contribuem para a nossas falta de paz. Eu citaria aqui alguns que julgo estar entre os principais: a falta de entendimento das coisas de Deus, o espírito de crítica ácida e ferina, indisposição para perdoar e sentir-se perdoado, o legalismo e a incerteza da salvação. Há muitos outros fatores que prejudicam a nossa vida espiritual, mas eu penso que esses citados estão entre os mais comuns em nossas comunidades religiosas, de qualquer coloração, de qualquer denominação.

Já quase ao final dessa nossa conversa de hoje sobre a paz, eu queria ainda fazer um comentário. Sentir paz não é apatia, paz não é ser indiferente a tudo e a todos. Pelo contrário, quem se deixa conduzir pelo Espírito Santo jamais é indiferente. Quem se deixa conduzir pelo Espírito Santo não pode ficar na maior calma vendo o sofrimento de alguém sem se importar. Isso é religião prática, que, quero deixar bem claro, não nos salva de modo nenhum, mas mostra para Quem nós vivemos, em Quem nos movemos e em Quem existimos. Aquele que se deixa conduzir pelo Espírito Santo vai arrumar uma maneira de arregaçar as mangas e fazer alguma coisa, vai trabalhar, semear a paz no trabalho, no seu dia-a-dia. A paz é uma experiência que nos leva a uma grande transformação. E essa transformação, vem nos mostrar um jeito diferente e atuante de enxergar a vida.

Francisco de Assis nasceu no século XII na cidade de Assis , na Itália. Ele é considerado pelos nossos irmãos católicos como o mais querido de seus santos, e goza de uma boa consideração também por parte de protestantes e de adeptos outras filosofias. Ele teve uma infância cheia de travessuras normais em uma criança, até os 20 anos ajudava e era o orgulho do seu pai nos negócios. Decidiu ir à guerra em nome de sua cidade. Foi preso e depois de um ano foi resgatado por seu pai por motivo de doença, juntamente com alguns outros que participaram na guerra. Foi nesta época que teve seus primeiros contatos com o evangelho.

Francisco descobriu sua vocação aos 24 anos de idade. A partir de então, abandonou tudo e todos, e saiu em busca de sua paz, ajudando doentes, confortando miseráveis e leprosos, amando todos como irmãos. Foi chamado de louco, pois deu tudo o que tinha aos pobres, porém renunciou a todos os bens terrenos, e, sendo assim, ele tratou de desprezar a própria vida mundana para encontrar com a pobreza a felicidade que tanto almejava. Tornou-se uma pessoa muito humilde, que também passou por muitas provações.

A relação de Francisco com o seu tempo, foi bastante ligada com a estrutura social e com os problemas que seus contemporâneos enfrentavam, e revelam um Francisco pensando as questões postas por seu tempo; a verdadeira inovação de Francisco foi se unir aos pobres, se tornando ele próprio um pobre.

Sua bela oração, conhecida em todo o mundo, expressava seu desejo maior: “Senhor, fazei de mim um instrumento de Vossa paz.” Que essa seja também a nossa oração, que a paz que desenvolvemos como fruto do Espírito de Deus, nos tranquilize e acalme na provação, mas também transborde na nossa vida, não nos deixe estáticos, sem atitude, sem ação, anestesiados, mas nos faça participantes do sofrimento daqueles que nos cercam.

Temos recebido muitos pedidos diários de oração, são parentes, vizinhos, amigos, irmãos de fé, que nos procuram buscando força em suas aflições, e sabemos o quanto as pessoas sofrem em volta. Aquilo que passamos, se olharmos bem e com olhar de sincera autocrítica, é pequeno perto do que muitas outras pessoas sofrem. Usemos nossa vocação evangélica e cristã, como varas ligadas à Videira verdadeira, para deixar crescer o verdadeiro fruto do Espírito, produzido pelo Príncipe da Paz.

Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 7 de outubro de 2011

3(10) - O Fruto do Espírito: Alegria

Eis aqui um gomo que no meu fruto do Espírito tem uma certa dificuldade para se desenvolver. Não que eu seja uma pessoa triste, não sou, posso até parecer um pouco fechado, mas, aqueles que convivem comigo sabem que sou uma pessoa bem humorada e feliz. No entanto, dentro daqueles quatro conhecidos perfis psicológicos com que a moderna psicologia trabalha, eu reconheço que sou melancólico. Minhas músicas, letras, poemas mostram isso claramente. Por isso, admiro profundamente aquelas pessoas alegres, risonhas, pessoas que parecem iluminar o ambiente em que chegam.

Quando eu li que a alegria faz parte do fruto do Espírito, ou seja, por estar com Jesus, por crer nEle e amá-Lo, tenho que apresentar também a alegria como resultado desse relacionamento, confesso que fiquei um pouco preocupado.

No mundo de hoje, hostil, violento, injusto, é muito difícil ser naturalmente alegre. Nesse mundo onde a tristeza, a melancolia, a depressão, a angústia profunda, o pranto e a dor fazem parte da realidade da vida de uma grande parcela da humanidade, manifestar alegria genuína, ser naturalmente descontraído e demonstrar real felicidade parece ser cada dia mais difícil. Essa é uma das razões porque as drogas, a bebida e outros artifícios de fuga são tão procurados por quem vive triste e infeliz. Mas a alegria, fruto do Espírito é de outra natureza.

Esse é o segundo gomo do fruto do Espírito, vindo logo depois do amor. Sim, essa alegria deve ser um elemento sempre presente na vida de todo aquele que foi salvo pela graça de Cristo Jesus. A alegria, nesse nosso contexto, não é uma virtude que consigamos produzir de forma espontânea, ela é uma manifestação do Espírito Santo em nossa vida.

Vamos ler algumas citações bíblicas a respeito da alegria, inicialmente o que disse Davi no livro dos Salmos 16:11:

“Na presença de Deus existe abundância de alegria, em sua destra existem delícias perpetuamente.”.

Que linda essa constatação de Davi. A alegria, no contexto espiritual, é algo bem diferente de euforia, algazarra, gritaria, como se a vida fosse uma festa constante. A alegria cristã tem outras motivações e outras maneiras de se manifestar, o que não impede, de forma alguma, o riso, a brincadeira, o lazer, o divertimento saudável. Mas, permitam-me dizer-lhes que a vida não é uma festa, no sentido de viver despreocupada e irresponsavelmente.

Paulo disse assim, em Romanos 14:17:

“Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.”.

A alegria é algo que tem sua origem em Deus, sem a menor sombra de dúvida. Ao considerar, no final de cada dia da criação, que tudo que Ele estava fazendo era bom ou muito bom, podemos entender que o ato de criar é algo que Deus fez e faz com imensa alegria, com grande satisfação. A Bíblia diz a respeito de Deus:

“Majestade e esplendor há diante dele, força e alegria, no seu lugar.” I Crônicas 16:27, ARC.

Deus sentiu alegria por ocasião do batismo de Cristo Jesus, dizendo audivelmente ser Ele Seu Filho único da espécie, em quem Ele se comprazia, ou se alegrava. É dito também na Bíblia que há muita alegria no céu a cada vez que um pecador se arrepende (Lucas 15:7).

Portanto, como seres criados à imagem e semelhança de Deus, devemos ser alegres, pois não há qualquer contradição entre alegria e santidade, comunhão ou relacionamento com Deus. Nossos cultos deviam ser mais alegres, descontraídos. Não precisamos partir para a algazarra e o ruído incômodo para demonstrar nossa alegria ao cultuar a Deus, mas não precisamos, mesmo em cerimônias solenes como a Ceia do Senhor, manter um ar de tristeza ou melancolia.

Davi no Salmo 43:3-5 disse assim:

“Envia a tua luz e a tua verdade, para que me guiem e me levem ao teu santo monte e aos teus tabernáculos. Então, irei ao altar de Deus, do Deus que é a minha grande alegria, e com harpa te louvarei, ó Deus meu. Por que estás abatida, ó minha alma? E por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei. Ele é a salvação da minha face e Deus meu.”.

A alegria segundo o Espírito Santo é a alegria da graça, é a alegria que permite inclusive que a pessoa possa sentir-se bem, sentir-se tranquila em meio a uma dura provação, ou seja, é um contentamento que não depende das circunstâncias. Isso pode parecer estranho, mas é possível. Vejam o que nos diz II Coríntios 8:2:

“Irmãos, queremos que vocês saibam o que a graça de Deus tem feito nas igrejas da província da Macedônia. Porque, no meio de muita prova de tribulação, manifestaram abundância de alegria...”.

Outro detalhe muito interessante que encontramos nos escritos de Paulo: quando fala dos dons do Espírito, lá em Romanos 12, ele associa o exercício do dom do amor [misericórdia] com a alegria. Lemos no versículo 8:

“... o que exorta faça-o com dedicação; o que contribui, com liberalidade; o que preside, com diligência; quem exerce misericórdia, com alegria.”.

Ainda nesse contexto de amor, de misericórdia, quando doamos qualquer coisa para Deus ou para os pequeninos de Deus, devemos fazê-lo com intensa alegria. II Coríntios 9:7 nos diz:

“Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria.”.

Vejam, portanto, que a alegria deve permear a vida do cristão, em vários sentidos, em vários aspectos, em todas as situações.

Agora uma questão interessante: e Cristo Jesus? Será que Ele era uma pessoa alegre, risonha? Ou era sisudo, semblante sempre triste e fechado? A rigor, não temos quase nenhuma informação bíblica sobre isso e muito já se especulou a respeito.

Por um lado a Bíblia pinta a respeito dEle um quadro terrível, e O apresenta como sendo o Servo sofredor de Isaias 53. Nesse e em outros textos encontramos um Cristo tido como raiz de uma terra seca, sem qualquer beleza ou atrativos, desprezado, rejeitado, homem de dores, traspassado pelas nossas transgressões, moído pelas nossas iniquidades, enfermo, aflito, ferido de Deus e oprimido. Foi levado ao matadouro como uma ovelha muda, e foi feito pecado em nosso lugar, foi ferido e cortado da terra dos viventes, suou sangue e morreu morte de cruz.
Ufa! Não há descrições mais arrasadoras e devastadoras do que essas. Por tudo isso, quem, em sã consciência, poderia viver sorrindo, com tal carga de sofrimento sobre Si? Por tudo isso, muitos o viram chorar algumas vezes.

Mas, por outro lado, sabemos que Jesus frequentava festas, almoçava nas casas de Seus amigos, comia e bebia com os que vinham a Ele, não se furtava a ter uma vida social, e vivia cercado de crianças e sendo assediado e tietado por elas. As mães dessas crianças também as traziam para serem abençoadas por Ele, exatamente porque deviam sentir nEle um espírito excelente. Chamava a Si os cansados e oprimidos, prometendo-lhes alivio por ser manso e humilde de coração. Passava assim a ideia de uma religião alegre, comunicativa, inclusiva, amorosa e feliz.

Um dos textos mais tocantes e belos da Bíblia é o que dá início à epístola de Hebreus. O autor dessa epístola, no capítulo 1, falando a respeito de Cristo Jesus, no verso 9 que destacamos, nos dá uma boa pista sobre como era o Salvador no dia a dia:

“Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; por isso, Deus, o teu Deus, te ungiu com o óleo de alegria como a nenhum dos teus companheiros.”.

Pronto, aqui está uma prova inspirada de que Cristo Jesus tinha, sim, uma grande alegria a envolver as Suas ações e inerente ao Seu ser. Por esse texto já podemos crer, sem nenhuma dúvida que Cristo era uma pessoa alegre e jovial, aliás, de acordo com o texto, como nenhum outro dos que O cercavam.

De toda forma, mesmo fazendo essas inferências acima, parece não haver uma indicação clara na Bíblia, de momentos de alegria explícita de Cristo Jesus ou de que Ele estivesse sorrindo ou deliciando-se com alguma situação vivida com Seus discípulos. Mesmo se considerarmos que em algumas parábolas - como a do filho pródigo ou a da ovelha perdida - há uma alegria implícita no Pai que reencontra o Seu filho que estava perdido e foi achado e comanda uma festa em comemoração, ou do Bom Pastor que recupera e restaura a Sua ovelha machucada e aflita, ainda assim falta um episódio explícito de alegria de Cristo Jesus.

Mas, quero dizer a vocês, para nossa alegria pessoal, que depois de muito procurar eu encontrei. Um único e precioso momento de alegria clara e límpida do Salvador, descrito nos Evangelhos. O que mostra que Jesus tinha, sim, esse gomo do fruto do Espírito em Sua vida.

Ele tinha enviado os 70 naquela missão primeira de anunciar o Evangelho do Reino. O trabalho deles era preparatório, iriam às cidades que Cristo em seguida haveria de visitar. Foi uma dura missão. Foram enviados como ovelhas para o meio de lobos, sem levar nenhuma provisão, com tempo apertado. Levariam apenas a Palavra da Verdade, deveriam curar enfermos, expulsar demônios, receberam poder para pisar serpentes, escorpiões, vencer toda a força do diabo.

Agora eles estavam voltando, exultantes, explodindo de santo contentamento, pois viveram na prática o poder de Deus vencendo as hostes de Satanás através do serviço que prestaram. Vou ler apenas os textos que relatam a reação de Cristo quando eles retornaram contando todas as maravilhas que vivenciaram e como cumpriram a missão que Jesus lhes dera. Está em Lucas 10:17-21:

“Voltaram depois os setenta com alegria, dizendo: Senhor, em teu nome, até os demônios se nos submetem. Respondeu-lhes ele: Eu via Satanás, como raio, cair do céu. Eis que vos dei autoridade para pisar serpentes e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo; e nada vos fará dano algum. ... Naquela mesma hora alegrou-se Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra...”

Vejam que maravilha esse relato. A ação dos discípulos pregando o Evangelho do Reino da Graça foi tão poderosa que Jesus viu, como resultado disso, Satanás como que caindo dos lugares celestiais. Muitos pensam que isso tem a ver com a guerra que houve no céu em tempos imemoriais, quando Lúcifer foi expulso, mas não tem nada a ver com aquilo. Essa visão que Cristo teve foi tão somente resultado da expansão do seu Reino pelo trabalho missionário dos 70 discípulos.

E em seguida, Ele exultou, e diz a Bíblia, “alegrou-se no Espirito Santo” e rendeu muitas graças a Deus o Pai pelo resultado daquele trabalho.

Minha mensagem final: o único relato bíblico que existe a respeito de uma ocasião em que Jesus efetiva e explicitamente se alegrou muito, tem a ver com a pregação do Evangelho, tem a ver com a instalação de Seu Reino.

Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria... Que Deus faça com que, apesar do estranho e degenerado mundo em que vivemos, e circundados pelo mal em todas as suas formas, possamos desenvolver esse gomo tão desejado do fruto do Espírito, a alegria, pura, santa, focada na pregação do Evangelho e na expansão do Reino de Deus.

Autor: Mário Jorge Lima