Postado em: sexta-feira, 18 de novembro de 2011

6(10) - O Fruto do Espírito: Benignidade

Temos agora um gomo do fruto do Espírito, o de número 5, que chama-se benignidade. Esse gomo às vezes pode ser confundido com o próximo gomo, que é a bondade, e de fato é muito parecido com ele. Mas, para melhor compreensão, podemos chamar esse gomo também de gentileza, delicadeza, cortesia.

Esses sinônimos já devem nos dar um entendimento melhor da benignidade. Eu diria que, em termos bem genéricos, seria a capacidade que algumas pessoas têm de fazer com que nos sintamos bem em sua companhia. As pessoas benignas são agradáveis, de extrema simpatia, educadas, que nos deixam bem à vontade quando estamos com elas.

A benignidade poderia também ser entendida como uma qualidade interior, uma emoção que a pessoa desenvolve e que a leva a ter atitudes amistosas e a ter real interesse pelos problemas alheios. A pessoa que possui benignidade, possui empatia, normalmente se entristece pelos problemas que as outras pessoas têm, bem como se alegra quando o outro está feliz ou realizado. Ou seja, ele se interessa pelos sentimentos das outras pessoas.

Assim, a pessoa benigna é também educada, polida, tem maneiras agradáveis, não é grosseira, tem um sorriso cativante, é ajudadora. Não machuca, não provoca, não faz críticas ácidas ou destrutivas. É alguém de quem nós costumamos dizer: “fulano é do bem”. É exatamente isso: “fulano é benigno”. Tenho certeza de que todos nós conhecemos alguém assim.

Um dos provérbios de Salomão diz assim: “Não se afastem de ti a benignidade e a fidelidade; ata-as ao teu pescoço, escreve-as na tábua do teu coração; assim acharás favor e bom entendimento à vista de Deus e dos homens.” Provérbios 3: 3-4.

A pessoa benigna é, acima de tudo, uma pessoa agradecida, generosa. Reconhece o que os outros têm de bom, destaca suas boas qualidades, e não os seus defeitos. Ela é sorridente, bem-humorada. E mesmo quando tem que ser firme, ela sabe ser terna. Coloca ternura nas ações mais espinhosas e desconfortáveis.

Posso afirmar, sem medo de errar, que ser benigno é tratar os outros como Deus os trataria. É olhar para os outros como Deus os olharia. Portanto, não é algo simples de apresentar. Precisamos da ajuda do Espírito Santo para isso.

Essa é uma qualidade do próprio Deus. Deus é benigno, devemos nós ser imitadores dEle. Segundo a Bíblia, Ele é benigno porque Sua misericórdia para conosco não depende de nossa fidelidade ou de nossa gratidão. Davi canta a benignidade de Deus em um dos seus mais belos Salmos, assim:

“O SENHOR é misericordioso e compassivo; longânimo e muito benigno. Não repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a sua ira. Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniqüidades. Pois quanto o céu se alteia acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem. Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões. Como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece dos que o temem. Pois ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó.” Salmos 103:8-14.

Ser benigno é ser perdoador. É saber perdoar aos outros, a quem lhe feriu ou causou qualquer tipo de sofrimento. É também perdoar-se a si mesmo.

Agora fica aqui uma questão interessante. Eu acabei de dar uma série de características de quem possui benignidade, como fruto do Espírito. Mas nós sabemos que uma pessoa que não conhece a Deus também pode manifestar posturas e atitudes semelhantes. Onde, então, está a diferença entre a benignidade como fruto do Espírito e a benignidade geral deste mundo?

Essa diferença, nas outras pessoas, só interessa a Deus verificar e julgar, portanto, não deve ser preocupação nossa. Mas, em nós mesmos, penso que deva ser objeto de profunda análise e exame pessoal sincero. Ela tem a ver com a motivação. O que nos leva a ter essas atitudes amáveis, corteses e tão desejáveis?

Na benignidade segundo o mundo – vamos dizer assim – nós somos benignos com aqueles que também são benignos conosco. Se não são, pagamos na mesma moeda. Somos benignos de acordo com os nossos interesses e conveniências. Procuramos ser politicamente corretos – termo muito usado hoje em dia – agimos civilizadamente, praticamos a chamada cidadania, fazemos a nossa parte, o que nos compete.

Sendo assim, somos benignos por que isso nos é favorável, muitas vezes acalma nossa consciência e agimos assim para nos sentirmos melhores pessoas. Portanto a base dessa benignidade podemos dizer que é um certo tipo de egoísmo.

Já a benignidade segundo Deus, ou seja, como fruto do Espírito Santo agindo em nós, tem como foco o outro, a pessoa a quem dirigimos nossa ação, e somos movidos por um desejo real de manifestar essa amabilidade ao nosso próximo e também porque sabemos que Deus espera isso de nós. E tem mais, procuramos ser assim não apenas com nossos parentes e amigos, mas também com aqueles que não gostam de nós e até procuram o nosso mal, ou seja: nossos inimigos, se acaso os tivermos.

Vejam, não é fácil, mas para isso temos o Espírito Santo a nos ajudar. Qualquer um pode ser benigno com um amigo. Mas, somente uma pessoa cheia e controlada pelo Espírito pode ser benigna com um inimigo, em situações adversas e desagradáveis.

Pra quem recebe a nossa ação de benignidade, talvez até nem faça tanta diferença se somos movidos por Deus ou não. Mas, para nós, isso faz toda a diferença. Quando você praticar qualquer ato de benignidade, analise seus motivos, e peça a Deus que os santifique. A Bíblia mesmo ensina que se fizermos algo certo, mas, pelo motivo errado, não há recompensa – Mateus 6:16,18. Mas se fizermos o bem sem procurar reconhecimento público, Deus nos dará a recompensa no dia certo – Lucas 6:35. Portanto, devemos ser benignos para a glória de Deus, não para nossa própria glória – I Coríntios 10:31.

Fechando essa nossa reflexão de hoje eu queria lembrar que na lista de gomos do fruto do Espírito a benignidade vem imediatamente antes da bondade. Isso talvez signifique que para que você seja bondoso, antes tem que ser benigno. Sendo assim, a bondade expressaria em atos específicos o que um caráter benigno, anteriormente desenvolvido, comanda. Ser benigno leva você a agir a favor de outro, independente de quem ele seja ou do que ele lhe faça. Alguém pode ser bom até que o magoem, o benigno mesmo sendo magoado continua fazendo o bem.

Expandindo um pensamento que li essa semana, de um autor desconhecido acerca da bondade e da benignidade, quem sabem poderíamos exemplificar assim:

“Se eu tiver fome e você me der pão para comer isto é bondade. Mas, se você passar geléia nele, sorrir para mim, me der algum tempo de atenção, acariciar o meu rosto e orar comigo, isto é benignidade em sua mais pura manifestação, vinda do próprio Deus.”.

Achei isso muito lindo. A bondade faz o que é certo muitas vezes, mas a benignidade transforma coisas simples em coisas especiais. Assim, ela vai além de interesses próprios, ou daquilo que é certo, pois enxerga com os olhos do coração.
Autor: Mário Jorge Lima

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