Seja bem-vindo(a) ao meu Blog. Sou Mário Jorge Lima, e abaixo estão textos meus, apresentados como sermões, palestras, ou simplesmente frutos de minhas reflexões pessoais.

Sou pai dessas 5 moças ao lado, Mariana, Isabela, Júlia, Laura e Luíza, a quem amo mais que a mim mesmo. Quando escrevo sobre assuntos espirituais, quando apresento palestras ou sermões, é primeiramente para elas e pensando nelas que estou escrevendo e falando.

Esses textos, atualizados sempre que eu os crio, e para isso não tenho uma periodicidade definida, são o legado escrito que deixarei a elas, sem erudição, sem proselitismo, sem "filosofismos". São as coisas em que de fato creio e pelas quais hoje vivo. Se Deus me der o tempo e a chance necessários, ainda pretendo escrever um livro com estas reflexões. Se não conseguir, elas estarão pra sempre aqui nesse Blog.

OBS: As palestras são organizadas com as mais recentes sempre no Topo.

Postado em: sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

9(10) - O Fruto do Espírito: Humildade

O penúltimo gomo do fruto do Espírito de Deus é a mansidão. Em algumas versões ele é traduzido como humildade. Na realidade são dois termos estreitamente interligados, e aqui na nossa conversa vou usar, preferencialmente, a palavra humildade. São duas das inúmeras qualidades do próprio Cristo Jesus. Numa das expressões de chamamento mais doces de todo o Evangelho, o Salvador proclama:

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.” Mat. 11:28-30.

Manso e humilde. Mansidão e humildade. Fruto do Espírito. Ser humilde nesse contexto significa deixar que o Espírito de Deus dirija nossa vida e nossas atitudes, o que nos fará também bondosos, pacientes, benignos. Assim, o mundo verá que quem controla nossa vida não somos nós e sim Cristo Jesus.

A humildade é difícil de ser percebida em alguém. Isso porque quando falamos em humildade logo pensamos em coisas do tipo: rebaixamento, menosprezo, diminuição. Mas, Jesus, o Senhor, era humilde, e como imitadores dEle devemos nos tornar pessoas humildes também, mesmo que isso possa incomodar outras pessoas. O humilde, ao final, receberá a justa consideração. A Bíblia diz: "Quem teme o SENHOR está aprendendo a ser sábio; quem é humilde é respeitado." Prov. 15.33.

As necessidades e os interesses dos outros devem ser tão importantes como os nossos. Em Filipenses 2 está dito que devemos ser humildes, “considerando os outros superiores a nós mesmos”. Nós não somos nada diante de Deus, e se tivermos esta noção, nos tornaremos naturalmente humildes aqui, pois saberemos que é só Deus Quem faz as coisas através de nós e é só dEle todo louvor.

Humildade é, portanto, reconhecer de um lado a grandeza, majestade e soberania de Deus, e de outro a nossa própria pequenez e inteira dependência dEle. Salomão, em toda a sua magnificência, soube perceber isso, e disse:

“Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos… Não sejas sábio aos teus próprios olhos…” Prov. 3:7. Mais adiante, ele acrescentou: “O Senhor… dá graça aos humildes.” Prov. 3:34.

Vejam que texto interessante do apóstolo Paulo:

"... eu digo a todos vocês que não se achem melhores do que realmente são. Pelo contrário, pensem com humildade a respeito de vocês mesmos, e cada um julgue a si mesmo conforme a fé que Deus lhe deu." Romanos 12.3 - BLH

E tem um aspecto sutil em relação à humildade. Corremos às vezes o risco de nos orgulharmos de nossa humildade. Parece um contrassenso, certo? Quem se gaba da sua humildade mostra claramente que não a tem. A bem da verdade, não podemos nos gabar de nada de bom que façamos ou sejamos, e é isso que aprendemos com a humildade.

A humildade é uma virtude inteligente, lúcida, coerente, é a virtude da pessoa que sabe que não é o máximo, mesmo que tenha de fato talentos e aptidões naturais bem desenvolvidas. Assim, a humildade é uma virtude também dos sábios. E como tal é uma virtude que está vinculada ao amor à verdade, ou seja, ser humilde é amar a verdade mais que a nós mesmos. Por isso, Jesus disse que os humildes são pessoas felizes, bem-aventuradas, pois têm plena consciência de quem são e, por isso, receberão as promessas de Deus. Mateus 5.5.

A verdadeira humildade não é fruto de educação ou de condicionamento cultural, não é uma atitude planejada, não pode ter segundas intenções e objetivos. Não pode surgir por conveniência de alguém ou de alguma situação. Ela é o resultado simples, despojado, permanente, da operação maravilhosa do Espírito de Deus no coração humano.

Mas, é preciso compreender, por outro lado, que ser humildes não significa depreciar a nós mesmos de modo servil e sem qualquer autoestima. Não é isso que Deus pede de nós. Ser humildes não é ignorar as coisas boas que Deus nos concede que sejamos e façamos, mas sim considerar aquilo que nós não somos e ter sempre isso em mente. Ser humildes é reconhecer, diante de Deus, que não temos méritos próprios, mas que temos, sim, valor quando nos apropriamos dos méritos de Cristo, os quais Ele coloca à nossa disposição.

Há diversos exemplos de humildade na Bíblia, e alguns dos mais notáveis são Moisés, João Batista, e os pais de Jesus, José e Maria. Mas, vamos falar do maior exemplo de humildade que o mundo já teve e que jamais terá outro igual. O Rei de todo o universo deixando no Céu a Sua glória e majestade inefáveis, indescritíveis, vindo aqui pra servir e pra dar a Sua vida em resgate de muitos. Jesus, pois, é o nosso grande exemplo na questão da humildade.

Vocês lembram aquela cena da última ceia dEle com Seus discípulos, tão pintada e cantada em prosa e verso? Há um quadro famoso que todos conhecem, reproduzido no mundo inteiro, de Leonardo da Vinci que retrata essa cena. Essa obra de arte se encontra hoje num Convento em Milão na Itália.

Essa cena originou liturgias, eucaristias e sacramentos em todas as igrejas cristãs do mundo, e foi a última refeição que o Mestre tomou com os discípulos, na véspera de Sua prisão e morte. Na seqüência veio o lava-pés, que costumamos chamar de cerimônia da humildade. E lembrem-se de que ali se incluía Judas Iscariotes, o traidor, já pago por sua traição e com a sacolinha das 30 moedas pesando no bolso de sua túnica. Jesus sabia disso, mas não lhe negou a comunhão da ceia, não lhe negou o privilégio do lava-pés, e isso deveria nos levar a profundas reflexões.

Após a ceia eles se prepararam então para esse momento do lava-pés, ocasião muito comum e de grande cortesia oferecida pelas pessoas que recebiam alguém em suas casas. Normalmente quem lavava os pés dos viajantes e hóspedes era um serviçal da residência, um empregado doméstico. Mas, naquele dia não havia nenhum, o local e tudo que estavam usando tinha sido cedido por empréstimo. Imagino o constrangimento, ninguém sabia quem faria esse papel. Deve ter havido alguns momentos de hesitação e silêncio, olhando uns para os outros, quando então aconteceu isso:

“... levantou-se [Jesus] da ceia, tirou as vestes e, tomando uma toalha, cingiu-se. Depois, pôs água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido.” João 13:4-5.

Houve aquele incidente com Pedro, que inicialmente não quis que Jesus lhe lavasse os pés, mas depois acabou por consentir que o Mestre assim o fizesse. E, então, prossegue o texto bíblico:
“Depois que lhes lavou os pés, e tomou as suas vestes, e se assentou outra vez à mesa, disse-lhes: Compreendeis o que eu vos fiz? Vós me chamais Mestre e Senhor e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Se sabeis essas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes.” João 13:12-15,17.

Eu quero enfatizar hoje, especificamente, a pergunta feita por Jesus: “Compreendeis o que eu vos fiz?” Em outras palavras, “Vocês entenderam o que aconteceu aqui hoje?”, ou “Vocês tem alguma idéia do significado disso que eu fiz a vocês aqui nessa sala?”

Quem dera jamais tirássemos de nossas mentes essa cena inspiradora, solene e profundamente significativa. Se eu tivesse que resumir aquela cena numa única palavra, essa palavra seria: GRAÇA! Uma cena transbordando da mais plena e salvadora Graça de Cristo Jesus.

Vamos terminar essa conversa de hoje com uma profecia messiânica de Isaías, que já dizia algo lindo a respeito de Jesus, e do qual vamos ler aqui uma parte, pois além de profunda e tocante, é uma dos mais belos e poéticos textos das Escrituras. Concentre-se agora, pois você vai ler uma das mais belas profecias a respeito de Cristo Jesus. Está em Isaías 53, do qual extrai estas porções:

“Porque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca; não tinha parecer nem formosura; e, olhando nós para ele, nenhuma beleza víamos, para que o desejássemos. Era desprezado e o mais indigno entre os homens, homem de dores, experimentado nos trabalhos e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.

Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados.

Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. Ele foi oprimido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro, foi levado ao matadouro e, como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a sua boca.

... Porquanto foi cortado da terra dos viventes e pela transgressão do meu povo foi ele atingido. E puseram a sua sepultura com os ímpios e com o rico, na sua morte; porquanto nunca fez injustiça, nem houve engano na sua boca. Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; ... o justo, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si. ... porquanto derramou a sua alma na morte e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu.”

Que bela, incrível e exata predição! Deus nos abençoe a todos e nos faça humildes, não como jogo de cena, não como atitude premeditada e estudada, mas como fruto real do Espírito de Deus agindo em nós, fazendo crescer mais e mais esse gomo maravilhoso que, embora não nos faça melhores que nossos semelhantes e nem tenha papel e poder de salvação, com certeza nos tornará mais semelhantes a Jesus.
Autor: Mário Jorge Lima