Seja bem-vindo(a) ao meu Blog. Sou Mário Jorge Lima, e abaixo estão textos meus, apresentados como sermões, palestras, ou simplesmente frutos de minhas reflexões pessoais.

Sou pai dessas 5 moças ao lado, Mariana, Isabela, Júlia, Laura e Luíza, a quem amo mais que a mim mesmo. Quando escrevo sobre assuntos espirituais, quando apresento palestras ou sermões, é primeiramente para elas e pensando nelas que estou escrevendo e falando.

Esses textos, atualizados sempre que eu os crio, e para isso não tenho uma periodicidade definida, são o legado escrito que deixarei a elas, sem erudição, sem proselitismo, sem "filosofismos". São as coisas em que de fato creio e pelas quais hoje vivo. Se Deus me der o tempo e a chance necessários, ainda pretendo escrever um livro com estas reflexões. Se não conseguir, elas estarão pra sempre aqui nesse Blog.

OBS: As palestras são organizadas com as mais recentes sempre no Topo.

Postado em: sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Dia das Crianças

Esse mês, passamos pela Semana da Criança, como é conhecida a semana em que, no dia 12 de Outubro, comemora-se o Dia das Crianças. Como se elas, a rigor, precisassem de um dia. Das crianças são todos os dias, pois ninguém, melhor que elas, sabe viver o presente de forma tão intensa, simples, plena e feliz. Elas preenchem, se apossam, dominam todos os dias, todas as horas, minutos e segundos que têm no viver.

E nesse dia, ou melhor dizendo, nessa semana, ocorre um fenômeno interessante e significativo. Nós adultos, que há muito deixamos a idade da inocência passando à idade da razão, nos pilhamos procurando nostálgica e avidamente em nossos baús, álbuns, gavetas e armários, aquelas fotos, vídeos, recortes, ou seja, as provas documentais de uma época em que achamos que também fomos felizes, leves e soltos. Como as crianças.

Naquela época, segundo sentimos hoje, éramos despreocupados e absolutamente normais. Mas depois, fomos crescendo, e a vida estendeu sobre nós camadas espessas de dissimulação, vaidades, frustrações e arrogância, e em muitos casos até de coisas boas como realizações pessoais, cultura, saber e recursos que não tínhamos então. Mas, tristemente isso encobriu, enterrou - em muitos casos sem chance de redescoberta - a criança simples e de coração aberto que nascemos para ser.

Criança, ao contrário de nós adultos pretensiosos e tristes, via de regra, não carrega culpa. Se isso ocorre, ou ela está adoecida emocionalmente ou alguém está lhe fazendo muito mal. E porque, em condições normais não carrega culpa, ela é livre. E porque é livre, é feliz. E eis aí talvez uma receita simples para a felicidade e o bem-estar.

Tenho visto crianças portadoras de doenças terminais, crianças sem lar, sem escola, crianças sem nada pela frente que se pareça com um horizonte ou futuro decente e feliz, e em nenhuma delas jamais percebi falta de vontade de viver, falta de sonhos ou de esperança. Se perguntadas, todas dizem: “quando eu crescer...” mesmo sem ter a menor noção do que isso signifique ou possa implicar. Elas não vivem um dia de cada vez, elas vivem todas as horas, minutos e segundos, um de cada vez, intensamente, extraindo de todos eles a beleza do momento único.

Para aqueles que consideram as coisas espirituais, são referências as diversas citações no Evangelho, das palavras ditas por Jesus Cristo a respeito das crianças, a ponto de dá-las como modelo para quem almeja um dia estar da eternidade do Reino de Deus, seja o que for que isso signifique para a fé ou a forma de ver a vida de cada um que me lê. Nunca deu como exemplo qualquer dos figurões bíblicos, qualquer dos grandes personagens com estofo moral e virtuoso, mas uma criança. E isso numa época em que era mínima a consideração que se tinha por crianças.

Infelizmente, ainda e mesmo no mundo contemporâneo em que vivemos, da pós-modernidade e da ciência, temos um cenário hediondo, de um mundo que mata suas crianças. Não há uma semana sequer em que não vejamos na mídia, notícias de crianças - de bebês a adolescentes - sendo torturadas, violentadas, agredidas e mortas, e em grande parte das vezes, por aqueles que deveriam ser seus protetores e deveriam ama-las mais que tudo: seus pais e responsáveis. Isso sem falar nas condições de vida sem alimentação, sem escola, sem teto, sem aconchego, jogadas ao encontro das drogas, criminalidade e prostituição.

Uma antiga campanha publicitária, nos anos 70, dizia “Uma criança salvou o mundo, você pode salvar uma criança”. O que desejo, a mim, adulto idoso, já trilhando o caminho de volta pra casa, já voltando a ser criança, e a todos vocês, é que efetivamente façamos algo pela infância desamparada e excluída dos nossos dias. Que se, por qualquer razão que não cabe discutir aqui, não fizermos pelos de fora, que façamos pelo menos por nossas próprias crianças, nossos filhos e netos, e por aquelas que estão dentro do nosso raio de ação.

E o melhor que podemos fazer por elas, tão importante quanto prover-lhes o sustento, educação e lazer, é um tripé de ações muito lógicas, e que ainda dignificam a raça humana: dar-lhes amor incondicional, respeitá-las em seus direitos, e ser coerentes em nosso exemplo, em nossas palavras e atitudes.

E também, quem sabe, experimentar voltar a ser como elas. De que forma? Vencendo as nossas culpas pelo poder do perdão, aceitando as pessoas como elas são, acreditando nelas, não guardando ressentimentos, vivendo um dia de cada vez, sempre de coração aberto, sempre pronto a aprender. Quem sabe, sem mérito próprio nenhum, ainda assim, aumentaremos as nossas chances de um dia estar no Reino dos Céus - repito aqui - seja o que for que isso represente pra você. No mínimo, viveremos melhor.

Autor: Mário Jorge Lima