Seja bem-vindo(a) ao meu Blog. Sou Mário Jorge Lima, e abaixo estão textos meus, apresentados como sermões, palestras, ou simplesmente frutos de minhas reflexões pessoais.

Sou pai dessas 5 moças ao lado, Mariana, Isabela, Júlia, Laura e Luíza, a quem amo mais que a mim mesmo. Quando escrevo sobre assuntos espirituais, quando apresento palestras ou sermões, é primeiramente para elas e pensando nelas que estou escrevendo e falando.

Esses textos, atualizados sempre que eu os crio, e para isso não tenho uma periodicidade definida, são o legado escrito que deixarei a elas, sem erudição, sem proselitismo, sem "filosofismos". São as coisas em que de fato creio e pelas quais hoje vivo. Se Deus me der o tempo e a chance necessários, ainda pretendo escrever um livro com estas reflexões. Se não conseguir, elas estarão pra sempre aqui nesse Blog.

OBS: As palestras são organizadas com as mais recentes sempre no Topo.

Postado em: domingo, 30 de dezembro de 2012

JESUS ou BARRABÁS: a Salvação é de graça?

Pilatos, o medíocre, limitado e pusilânime Pilatos, juntamente com o povo enlouquecido, jamais poderiam imaginar que na opção de escolha entre soltar Jesus ou Barrabás, estivessem dando ao mundo o maior exemplo, oferecendo a exame a melhor e mais perfeita ilustração do que significa ser perdoado, aceito e salvo pela maravilhosa, plena, soberana e justa graça de Deus.

Fala-se muito hoje em dia em “graça barata”, um termo que eu de fato não gosto e não uso porque não acredito em graça sem preço, isso não existe. Pode-se chamar isso de qualquer outra coisa, menos graça. Além disso, quem fala em “graça barata” normalmente está se referindo à experiência alheia com a graça, à experiência do outro, não à sua própria, pois esta é sempre plena, perfeita.

Citei isso porque queria efetiva e explicitamente dizer que não existe graça sem preço. Não existe liberdade sem preço. Não existe perdão sem preço. Não estou discutindo aqui quem paga esse preço, estou apenas dizendo que não existe perdão sem pagamento, aliás, não existe nada na vida sem preço ou pagamento.

Em maio deste ano de 2012 estava eu no aeroporto americano de Chicago aguardando um voo para Richmond, quando vi faixas que davam boas vindas a algumas tropas americanas que voltavam do Iraque. E em uma dessas faixas havia uma frase perfeita, um trocadilho na língua inglesa: “Freedom is not Free!”, que numa boa tradução significa “Liberdade não é de graça!”. Com efeito, nada é de graça. Você pode não pagar por uma festa, um jantar, uma viagem, um bem que agora é seu, um serviço prestado, mas tenha a mais absoluta certeza de que alguém pagou por você.

Assim é com a salvação. Se alguém disse a você algum dia que ela é de graça, e parou nessa assertiva, certamente não lhe contou a história toda. A salvação não é de graça. Ela sai de graça pra você porque Alguém pagou. De fato, você nada pode, deve ou tem que fazer a não ser aceita-la, até porque, seja você um Bill Gates ou um Ike Batista, seja você uma Madre Tereza ou um Martinho Lutero, jamais teria como pagar pela ínfima parte que fosse desse dom do céu.

Já disse um poeta e compositor que “pecado não se explica, pecado se paga”, e isso está correto. Mas indo mais além, podemos dizer também, sem medo de errar, que “pecado não se perdoa, pecado se paga”. Dívida não se perdoa, dívida se paga. Para que um devedor seja de fato perdoado, a dívida tem que ser paga. Perdoar uma dívida sem pagamento significa ir contra o que foi estabelecido e aceito pelas partes, e é dizer que a dívida não existia. No plano espiritual, perdoar um pecado sem pagar por ele, significa que o erro não era erro, que a transgressão não era transgressão, que o pecado não era pecado. Enfim, uma perfeita perfídia, como gosto de dizer, um sofisma.

E onde entram aqui Jesus versus Barrabás como exemplo da graça correta, plena e justa? Eu explico de forma bem simples: a graça é Jesus, a desgraça é Barrabás. Simplesmente soltar Barrabás, de modo inconsequente, evidenciou o entendimento muito comum hoje em dia entre os cristãos de que ele poderia ser solto sem pagar a pena que muito justamente merecia. Isso é o que todo preso condenado pela justiça gostaria de conseguir: livrar-se da prisão ou da pena sem ter que pagar pelo que fez de errado e criminoso.

No entanto, por um propósito divino, por uma clarividência celestial, o pragmático Pilatos, sem saber o que estava fazendo, soltou Barrabás, mas – posso dizer com segurança – felizmente reteve Cristo e o levou finalmente a morrer na cruz. Houvesse ele soltado os dois e não se evidenciaria nem teríamos a compreensão correta de toda essa questão salvífica. Barrabás teria saído incólume, livre, leve e solto, e a sociedade a quem ele ferira e cujas leis afrontara, ficaria no prejuízo.

Quando, porém, Pilatos conservou Jesus para morrer a pedido da plebe rude – que, aliás, também não sabia o que fazia, por isso mesmo Jesus perdoou a todos – estava confirmando diante de todo o universo criado, que pecado se paga, perdão se oferece e é aceito e então se vive a salvação, agora sim, gratuita e plena. Essa é a mecânica celeste.

Deus, o inefável criador e mantenedor do universo, Pai das luzes e da graça, só pode nos perdoar porque Ele pagou, adquiriu esse direito na cruz. Como Ele pagou, a salvação sai de graça pra você, mas, na verdade, o preço dela foi alto, muito alto. Considere isso com seriedade, porque a graça que recebemos, que foi cara, absurdamente cara, não pode ser um manto para acobertar uma vida acomodada que não quer mudar.

Vou deixar pra você refletir – discorde, se quiser - um pensamento que tem feito parte dos sermões que apresento dentro da série Maravilhosa Graça (de onde extraí as reflexões acima):

“Salvação é mais do que perdão, é mais do que justificação; salvação é também transformação e mudança de vida”.

Que nesse ano novo de 2013 deixemos todos essa metanoia, essa mudança de mente, acontecer em nossa vida. Sabendo que isso de modo algum nos compra ou garante a salvação – essa nós já recebemos – e de modo algum nos faz melhores do que aqueles que não pensam ou creem como nós.

A salvação saiu de graça pra você porque Alguém pagou caro por ela. E a consequente mudança de vida, transformação, obediência aos reclamos de Deus que acontecem naturalmente ao longo de sua vida, não são o centro do evangelho, mas apenas seus frutos.
Autor: Mário Jorge Lima