Seja bem-vindo(a) ao meu Blog. Sou Mário Jorge Lima, e abaixo estão textos meus, apresentados como sermões, palestras, ou simplesmente frutos de minhas reflexões pessoais.

Sou pai dessas 5 moças ao lado, Mariana, Isabela, Júlia, Laura e Luíza, a quem amo mais que a mim mesmo. Quando escrevo sobre assuntos espirituais, quando apresento palestras ou sermões, é primeiramente para elas e pensando nelas que estou escrevendo e falando.

Esses textos, atualizados sempre que eu os crio, e para isso não tenho uma periodicidade definida, são o legado escrito que deixarei a elas, sem erudição, sem proselitismo, sem "filosofismos". São as coisas em que de fato creio e pelas quais hoje vivo. Se Deus me der o tempo e a chance necessários, ainda pretendo escrever um livro com estas reflexões. Se não conseguir, elas estarão pra sempre aqui nesse Blog.

OBS: As palestras são organizadas com as mais recentes sempre no Topo.

Postado em: sábado, 19 de janeiro de 2013

Jesus Se Importa?

Hoje pela manhã estive com minha família na IASD do Brooklin-SP. Foi uma manhã tranquila, não tive viagens nem pregações do Projeto Maravilhosa Graça, essas recomeçam em duas semanas mais. À tarde, descansei realmente, conforme o mandamento (rsrs), coisa que raramente faço. Agora estou aqui atualizando algumas postagens e tentando escrever alguns textos, entre os quais este que coloco para meus amigos nesse início de semana.

E comecei ouvindo um belo solo de piano de Greg Howlett com orquestra, disponibilizado no Facebook por meu velho amigo Everaldo Moraes, de muitas cantorias nos anos 70, lá no Rio de Janeiro. A música, que acabou dando o assunto para esse texto, chama-se Does Jesus Care? É um velho hino, que já constava do nosso antigo Hymnario Adventista – era assim mesmo que se escrevia em meados do século passado.

Se quiser, clique nesse endereço de Youtube, e alce voo, enquanto lê o restante do meu texto, e no final, conheça a letra desse hino:

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=W1OdupbVas8

Pois bem, essa canção, que naquele hymnario chamava-se simplesmente Importará?, sempre me instigou e tocou profundamente, embora naquela época eu ainda fosse um menino de apenas 8 anos – e lá se vai mais de meio século. A letra era pesada, introspectiva, e para uma criança, dura e assustadora mesmo. Ainda hoje, aqui e agora, ao escrever esse texto tanto tempo depois, ouvindo a gravação citada acima, já parei pelo menos duas vezes para enxugar uma lágrima teimosa e inquieta, que insiste em rolar.

Muitas vezes ao longo da vida tenho refletido sobre essa questão. Tenho visto no mundo muita dor, sofrimento, amargura, tragédia, absolutamente difíceis de compreender e aceitar, alguns até aproximando-se assustadoramente de mim. Na minha vida, eu e minha família temos passado por momentos difíceis, por desencontros e desencantos, por medos e angústias, por dúvidas e frustrações, por dor física e dor da alma. E lá no íntimo ergue-se sempre essa pergunta difícil de calar: O Deus no qual eu creio se importa com isso? Seu tão propalado amor e misericórdia são reais?

As respostas que me vêm nesses momentos normalmente são todas lugares-comuns e não resolvem a perplexidade e o sofrimento. Dizer que isso ou aquilo era vontade de Deus, que é o resultado das nossas escolhas, que tudo que é ruim um dia passa, que vivemos num mundo de pecado e estamos expostos a tudo, pode explicar muito primariamente, e até ajudar e confortar – ou não – mas, com honestidade, não responde e não responderá nunca a este questionamento. E o mais instigante é a questão deísta: Jesus se importa? Deus se importa?

Nessas horas normalmente penso em Jó e seu sofrimento absurdo. Sem mencionar perdas materiais, perder sete filhos e três filhas numa única noite configuram a maior dor que um ser humano pode sofrer. Foi a dor do próprio Deus. Mais tarde, ter o mesmo número de filhos e filhas de volta e ainda viver mais 140 anos para ver até a sua quarta geração, não compensa, não paga por sequer um dos filhos que perdeu no início da história. E Jó morreu sem saber o que aconteceu com ele, sem ter suas inúmeras questões respondidas por Deus. E se você olhar a história pela ótica dos filhos de Jó, compreenderá menos ainda.

Mesmo pessoas que parecem ter, na maior parte do tempo, uma vida tranquila, com as suas necessidades materiais de subsistência, desenvolvimento, carreira, bens e lazer atendidas, um dia enfrentam a amargura, a adversidade, o vazio da alma, a impotência diante de situações que não podem ser mudadas, que não serão mudadas. Li uma vez e passo aqui de graça pra vocês, um pensamento que dizia que “a vida acontece num difícil equilíbrio entre a dor e a alegria, entre momentos de felicidade e de amargura”. E é isso mesmo.

Quero dizer a você que me lê que cheguei à convicção de que não há explicações completas e nem respostas satisfatórias para essas questões do sofrimento humano. Portanto, não as busque como indispensáveis, para sua sanidade mental, intelectual, espiritual. E não digo isso como alguém desesperado que perdeu o rumo e o sentido de viver. Ao contrário, falo como cristão, como alguém que acredita que há um Deus que Se importa, sim, com tudo que acontece comigo, com minha família e amigos, com o mundo. Mas, eu sei que não terei nessa vida todas as respostas que busco. Até porque, com a mente que tenho, degenerescida por milênios de imperfeição, não entenderia mesmo. Será que não foi por isso que Deus não respondeu às “trocentas” perguntas de Jó?

Interessante que quando nos perguntamos se Deus se importa, ainda que tacitamente, estamos admitindo que Ele existe. Portanto, a resposta a esses questionamentos, e eu diria melhor, a conformação por não obter respostas satisfatórias hoje, passa necessariamente pelo terreno da fé. Sempre digo que tenho a nítida impressão de que Maria, mãe do Salvador, jamais entendeu em toda a profundidade, em toda a grandeza e alcance, o papel, a real missão de seu Filho. E sempre que ficava perplexa, sem respostas para suas indagações mais íntimas, diz a Bíblia que ela “guardava aquelas coisas em seu coração”. Ou seja, sua escolha era confiar, acreditar que havia um propósito por trás de tudo aquilo, e que um dia ela compreenderia.

E ao falar nisso, toco em coisas complicadas como: conformação e propósito. Ao mesmo tempo entramos por outras considerações como a questão dos milagres, das bênçãos alcançadas da forma como pedimos, das curas, do sucesso que buscamos, coisas pelas quais, sempre que ocorrem, nos alegramos e agradecemos efusiva e publicamente ao Deus em Quem cremos. Mas há também a negação de tudo que buscamos, há o fracasso, a frustração, a morte, a falta de respostas ou de atendimento claro às nossas orações.

Nesse início de semana, estou escrevendo a pessoas que possuem fé, que creem no mundo espiritual. Infelizmente, ou felizmente, é preciso fé, ainda que menor que um grão de mostarda, pra lidar com essas situações. Não quero acinzentar o seu horizonte, muito pelo contrário, estou procurando aliviar a mim e a você dessa busca sem fim. Ao admitir que não há respostas satisfatórias nessa vida para a maioria das nossas questões nessa e em outras áreas importante do viver, quero tirar esse peso da minha e da sua alma. Então, não busquemos os “por quê?”, busquemos no máximo os “para que?”. E aí há uma diferença sutil. Deve haver, tem que haver um propósito para isso que estamos passando ou para as coisas hediondas que estamos sabendo e presenciando.

Quero então dizer-lhe enfaticamente: Sim, Ele Se importa, Jesus Se importa! Creio nisso! O Deus, que segundo a Bíblia, sabe da morte de um pardal ou da queda de um dos nossos fios de cabelo, haverá de ter um propósito, que hoje, não consigo entender. Tudo é como um bordado, que olhado por baixo é um grande emaranhado de fios e nós cegos, mas olhado de cima é uma bonita e perfeita figura.

Um dia, com corpos glorificados e mente transformada, ai sim, teremos condição de entender todas as respostas que obteremos às nossas milhares de indagações. É essa certeza, essa esperança que não me deixa enlouquecer ou perder a fé. Em Romanos 8:18 e 19 encontramos o seguinte texto do apóstolo Paulo:

"Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós. A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus".

Como diria Renato Aragão na pele do nosso amado palhaço Didi Mocó, “aguarde e confie”. É preciso ter fé.

IMPORTARÁ?
(HA n. 264)

Frank Graeff / Joseph Hall

Importará ao Senhor Jesus, que eu viva sempre a sofrer,
Tendo o coração cheio de aflição, sentirá meu triste viver?

CORO:

Oh! sim, eu sei, Jesus bem vê o que eu estou a sofrer!
Em cruel peleja, pavor, inveja, Jesus me quer valer.

Importará ao Senhor Jesus que eu viva com dissabor?
Que me falte a luz, a que vem da cruz, sentirá o meu Salvador?

Importará ao Senhor Jesus que eu caia na tentação?
E se o mal puder minha fé vencer, dar-me-á de novo o perdão?

Importará ao Senhor Jesus se a morte ferir meu lar?
Se eu disser adeus aos queridos meus, sentirá, Jesus, meu pesar?

E como Bônus, vejam uma comovente apresentação ao vivo e a capella deste hino, cliquem:

https://www.youtube.com/watch?v=6r-CR-rdB28

Autor: Mário Jorge Lima