Seja bem-vindo(a) ao meu Blog. Sou Mário Jorge Lima, e abaixo estão textos meus, apresentados como sermões, palestras, ou simplesmente frutos de minhas reflexões pessoais.

Sou pai dessas 5 moças ao lado, Mariana, Isabela, Júlia, Laura e Luíza, a quem amo mais que a mim mesmo. Quando escrevo sobre assuntos espirituais, quando apresento palestras ou sermões, é primeiramente para elas e pensando nelas que estou escrevendo e falando.

Esses textos, atualizados sempre que eu os crio, e para isso não tenho uma periodicidade definida, são o legado escrito que deixarei a elas, sem erudição, sem proselitismo, sem "filosofismos". São as coisas em que de fato creio e pelas quais hoje vivo. Se Deus me der o tempo e a chance necessários, ainda pretendo escrever um livro com estas reflexões. Se não conseguir, elas estarão pra sempre aqui nesse Blog.

OBS: As palestras são organizadas com as mais recentes sempre no Topo.

Postado em: sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Que Vos Ameis Uns Aos Outros

Tenho cotidianamente pensado nisso, principalmente naqueles momentos em que se torna bem difícil aplicar esse conceito de vida, e que é ao mesmo tempo um mandamento. Seja no trabalho, na rua, na igreja, na escola, ou até mesmo no melhor ambiente da nossa vida, que é o nosso lar, nem sempre estamos abertos e dispostos a manifestar esse belo, perfeito e maior de todos os dons. Digo por experiência própria, isso bate em minha hipocrisia e mordo a própria língua todo dia.

Interessante notar que, em todos os comandos neo testamentários em que isso é dito, se procurarmos no grego transliterado (acha-se na web), veremos que o amor referenciado é sempre o amor ágape, que é o amor mais próximo do amor de Deus, o amor filial, de pai e mãe, o amor incondicional e mais puro, um amor também espiritual, que se preciso dá a vida pelo outro. Não é pouca coisa o que se pede daquele que ousa, que se atreve a amar o semelhante.

Esse sentimento foi a tônica da vida, das palavras, das ações, da guarda da lei e da pregação e ministério de Cristo Jesus. Alguns anos mais tarde, um ex-fariseu, da tribo de Benjamin, captou essa nuance e disse que sem esse dom maior, nada que eu faça, nada que eu seja, nada que eu diga tem qualquer valor ou significado; não passará de ação vazia, fria. No passado, ele praticara uma religião raivosa, disposta a colocar em prisões e a matar quem não “rezasse” pela sua cartilha, mas, depois de passar pelo discipulado do amor, foi capaz de morrer pela mesma cartilha e pelos seus irmãos.

Falamos muito de graça, e isso é bom e necessário, por ser ela a real e única garantia da nossa salvação da condenação, do poder e finalmente da presença do pecado e do mal. Mas, como no dito popular, “falar é fácil”. Realmente é fácil, é bacana, é prazeroso, é inteligente, é até mesmo “cult” cantar, ensinar, pregar sobre a graça. O difícil e necessário, é viver na graça, é viver a graça no dia-a-dia, nos nossos relacionamentos, nas nossas atitudes, nas nossas palavras.

Tenho visto, e me envergonhado, diariamente, como me falta esse dom, como sou deficiente nesse aspecto! Ao corrigir minhas filhas, ao ensiná-las, ao dirigir minha família, ao conduzir meu trabalho e até mesmo ao defender o que me parece certo e justo, em questões seculares ou espirituais, sinto que falta esse tempero, que é a prova de discipulado, que é o que será requerido pelo Rei naquela cena antológica de separação entre bodes e ovelhas.

E não estou falando aqui em salvação por obras próprias, aliás, nem estou falando de salvação. Estou falando de vida cristã, de bem-viver, de fruto do espírito, no qual pelo menos cinco dos nove gomos tem a ver diretamente com esse dom: amor, paciência, benignidade, bondade e mansidão. Muito significativo, não?

A religião verdadeira de Cristo Jesus e o processo de salvação têm vários elementos, tais como a fé, a obediência, o conhecimento, o perdão e diversos outros. Todos são importantes e requeridos, cada um com sua função, cada um no seu momento, não como meio de salvação, mas, como frutos do evangelho. No entanto, nenhum deles é superior ao dom do amor ou prescinde da manifestação e aceitação da graça de Deus na vida.

A própria lei de Deus, na eternidade, que estará escrita nos nossos corações e mentes, terá a forma de um código de amor e será a base e a norma do Reino de Deus, como sempre foi no universo pré-lapsariano.

Deixo com vocês, para esse final de semana, um texto dos mais significativos e profundos:

“A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei.” Romanos 13:8.

É perfeitamente possível, pois, guardar a lei, cumprir reclamos divinos e não possuir amor. Nesse caso, já sabemos que não há qualquer valor ou propósito nisso. Mas, é virtualmente impossível possuir verdadeiro amor e não ter cumprido a lei, a vontade de Deus. Feliz Sábado. Shabat Shalom!

Mário Jorge Lima – 31/Jan/2014
“Livre pensar é só pensar” – Millor Fernandes.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 31/Jan/2014.

Postado em: sábado, 25 de janeiro de 2014

Aniversário de São Paulo

Hoje é o aniversário de uma cidade da qual nunca na vida imaginei gostar. Como bom carioca, eu era naturalmente anti-São Paulo. E nem tinha razoes pra isso. Mas, sempre que vinha aqui, fosse a trabalho, fosse para cursos rápidos, fosse por compromissos musicais, voltava correndo tão logo terminava o que tinha vindo fazer.

"Quis o destino" (rsrs), como diriam alguns, que, por injunções sociais, por escolhas, eu um dia viesse pra cá, não mais para uma estada rápida, mas para morar. E não apenas morar, mas, tentar me acostumar a essas novas circunstâncias da minha vida, e - mal sabia eu - para constituir mais uma família, com sogra, cunhados, sobrinhos emprestados, tudo a que se tem direito, e gerar mais três filhas, desta vez paulistanas - já tenho duas cariocas.

Lembro-me do dia em que, tristonho, pela última vez como morador do Rio de Janeiro, peguei um avião no aeroporto Santos Dumont, na companhia solidária da minha falecida mãe, dona Mariazinha Lima, e desci em Congonhas, não mais sob um sol azul e brilhante, mas cinzento e poluído. Minha mudança viria de caminhão da Granero, e cá estava eu, onde teria que morar, sozinho. Escolhas.

Hoje, transcorridos 22 anos, posso dizer que me afeiçoei, sim, a essa cidade, que me recebeu com muitos novos amigos, tão queridos como os que eu deixei na romântica Rio de Janeiro, que me traz recordações e memórias de todo tipo. Posso também dizer, com segurança, que esse carioca da gema hoje ama São Paulo. Acho que, tanto quanto o Rio. Amo tudo que a Cidade Maravilhosa me deu, mais que a mim mesmo, mas também amo São Paulo e tudo que ela me proporcionou.

Nesse final de 2013, indo ao Rio de Janeiro com a minha família paulistana, para passar o Ano Novo, lembrei-me de uma significativa passagem bíblica. Jacó voltava para sua terra de origem, vindo de Padã-Arã, onde vivera também por cerca de 22 anos. Assim como eu, ele tinha ido para lá, sozinho, fugindo das situações difíceis que criara em sua terra natal. Agora voltava com uma enorme multidão. E então, ao se defrontar com o vau do rio Jaboque, falando com Deus, entre outras coisas disse:

"... sou indigno de todas as misericórdias e de toda a fidelidade que tens usado para com teu servo; pois com apenas o meu cajado atravessei este Jordão; já agora sou dois bandos." Gênesis 32:10.

Assim me sentia eu, tendo vindo pra São Paulo, sozinho, apenas com meu cajado, e agora voltando ao Rio, ainda que a passeio, mas com um bando, uma família. A única grande diferença é que Jacó, no seu retorno, era um homem rico (rsrs).

Sou agradecido a Deus, Ele me permitiu aqui passar por experiências felizes, outras duras, mas todas, sem dúvidas, enriquecedoras. Perdi minha querida mãe, mas ganhei uma família. Mantive, e em alguns casos, restaurei todos os antigos laços familiares e de amizade que eu tinha. Aqui eu conheci melhor a graça redentora e restauradora de Deus, e nela tenho crescido. Sou imensamente grato a Ele por Sua misericórdia por mim, um ser humano imperfeito, cheio de atos falhos, mas, sem dúvida, objeto de Seu amor e Seu perdão, algo que não compreendo, mas, aceito.

Obrigado São Paulo! Viva São Paulo!

Mário Jorge Lima – 25/Jan/2014
“Livre pensar é só pensar” – Millor Fernandes.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 25/Jan/2014.

Postado em: segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

No Espelho

Eu moro em um bairro aqui em São Paulo, chamado Vila Clementino, que já foi, quando vim pra ca há alguns anos, o que o Grajaú e a Tijuca foram no Rio de Janeiro nos anos 60/70, um mar de tranquilidade. Hoje já não é, mas não é dos piores, ainda tem muitas casas e até ruas de paralepípedos, com árvores que recebem revoadas de pássaros de todo tipo, e eu gosto muito das calopsitas, pelo barulho que fazem.

Uma das minhas tarefas em casa, cedinho, antes até de levar minhas filhas ao colégio, é sair pra comprar pão fresquinho. E gosto quando estou com tempo e posso ir a pé. É um dos raros momentos do dia em que caminho, deveria fazer muito mais, até pelos meus problemas coronarianos.

Por estranho que possa parecer, esse é um dos momentos em que eu falo e gosto de falar com Deus. Olhando as pessoas nas ruas, cumprimentando idosos como eu, vendo os que correm para o trabalho, os que saem com seus cachorros, o trânsito começando a enlouquecer, sinto claramente a influência de Seu Espírito nessas horas, atuando sobre o meu lobo frontal, que alguns cientistas chamam ponto-Deus. Não poucas vezes, como hoje, voltei dessas caminhadas com idéias novas para textos, poemas, letras e projetos espirituais. Não poucas vezes reconsiderei atitudes minhas e coisas que fiz e falei. Não poucas vezes sentei-me na mureta de alguma casa ainda fechada, numa rua tranquila, pra orar. Algumas vezes pra chorar. Se alguém já prestou atenção em mim nesses momentos deve ter pensado: esse aí tem Alzheimer (rsrs).

Hoje cedo estava pensando na capacidade que Jesus tinha de ler corações (mentes). Não que Ele vivesse como um fiscal severo e atento a cada erro dos Seus discípulos e do povo em volta, mas sempre que o Mestre identificava uma oportunidade de intervir numa situação qualquer, com Seus conselhos amoráveis ou Sua ação corretiva, Ele o fazia, e essa característica de saber o que pensavam ou falavam às escondidas Lhe dava possibilidade de ir direto ao ponto, com sabedoria e sem margem a erros de interpretação. Capacidade essa - é bom anotar - que nós não temos.

Lendo os Evangelhos também podemos perceber que Ele era especialmente duro com aqueles que, a serviço do reino das trevas, executavam ações mesquinhas, diretamente sob as ordens e os planos de satanás, para O apanharem em armadilhas ou atrapalhar Seu projeto de tirar o pecado do mundo. Com esses não havia negociação, provavelmente já eram casos perdidos. Mas, com os miseráveis, os doentes, com a escória da terra, com as prostitutas e pecadores de todo tipo, com aqueles que tinham sinceras dúvidas e questionamentos, sendo assim todos vítimas dessa guerra cósmica entre Ele e satanás, Jesus era suave, doce, restaurador, não condenava, apenas estendia Seus braços de amor e olhava-os com misericórdia. Podia julgá-los, mas não julgava. Seu coração se compadecia, pois sabia que eram como ovelhas que não tinham pastor. Não raro, chorava.

E nas Suas avaliações, como já disse, não havia qualquer possibilidade de erro. Jesus nunca usou seus poderes divinos em benefício próprio, mas certamente os usava em benefício da humanidade que viera salvar. E como era o Filho de Deus e lia as intenções e motivações mais escondidas dos corações, era o único que podia fazer as abordagens necessárias e condizentes com cada caso. Jesus era o único que podia tirar o cisco do olho alheio sem se preocupar primeiro em tirar a trave do próprio olho. Jesus era o único que podia fazer o bem com a mão direita sem se preocupar com esquerda. Jesus era o único que não precisava pedir perdão.

Fiquei emocionado enquanto caminhava e pensava nisso e confesso que meus olhos ficaram turvos com algumas lágrimas teimosas. Até agora mesmo, ao escrever esse texto, elas insistem em aparecer. Não tenho essa capacidade de Cristo e nem de longe possuo o Seu amor imenso. Puxa, como eu falho nas minhas avaliações! Faço isso com as criaturas que mais amo, minhas próprias filhas e minha família! Faço também com meus amigos, com meus vizinhos, com os não-crentes, com os que não vivem, pensam ou creem como eu, com os irmãos da minha própria fé! Quantas vezes esqueci que "chamar o pecado pelo nome" significa necessariamente começar chamando assim os meus próprios erros! Até Deus mesmo fez isso quando numa profecia profilática e radical a Ezequiel, mandou começar pelo Seu santuário. Minha vida e meu corpo são um santuário para Deus, portanto, qualquer ação corretiva ou admoestadora da minha parte, deve necessariamente começar por mim mesmo.

Pedi e peço a Deus então, que nesse dia, e em todos os outros daqui pra frente, eu faça assim. Como que olhando num espelho (não é sem razão que Sua lei é comparada a um) eu fale pra mim, tente apreender em meu próprio olhar se ele é sincero e amoroso, cheio de misericórdia e graça com deveria ser. Que eu dê o "sonido certo à trombeta", mas com a abertura dessa trombeta voltada inicialmente e sempre para minha própria vida. E então saberei que, se chegar a admoestar alguém, seja uma filha minha, seja um amigo, seja um irmão de fé, eu já estou em paz interior com meu Deus, já tirei os empecilhos todos que poderiam atrapalhar a ação de Seu Espírito através de mim. E o amor, verdadeira prova de discipulado, e que apaga uma multidão de pecados, será a única coisa determinante das minhas palavras e das minhas atitudes. Amém!

Mário Jorge Lima – 13/Jan/2014
“Livre pensar é só pensar” – Millor Fernandes.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 13/Jan/2014.

Postado em: domingo, 5 de janeiro de 2014

Ano Novo. Vida Nova?

Estava aqui, hoje, domingo 05/01/2014, cedo, tomando tempo para a que está sendo, de fato, minha primeira reflexão matinal nesse novo ano. E pensei que todos temos o conhecidíssimo costume de em algumas ocasiões especiais tomar novos propósitos, nos enchermos de brios e de disposição para desempoeirar resoluções passadas, ativar procedimentos e comportamentos que há tempos temos olvidado, e de fato mudar de vida em diversos aspectos que consideramos importantes e necessários. Ainda que não verbalizemos – não queremos nos comprometer – costumamos pensar nessas coisas.

E, infelizmente, todos temos também o costume de esquecer em pouquíssimo tempo aquilo que tínhamos decidido mudar. Percebi que alguns posicionamentos que eu tinha mentalizado e decidido interiormente, há poucos dias, já não os estava cumprindo ou executando. E isso deve ser realidade com cada um que me lê.

Na verdade, qualquer resolução que se tome, qualquer mudança de comportamento ou atitude, só tem alguma chance de se tornar efetiva se feita numa base diária. Somos por demais pusilânimes para levar a cabo essas mudanças e nossa memória é muito curta e falha para que sequer nos lembremos que decidimos mudar, quando o prazo dentro do qual aferimos essas mudanças é superior a 24 horas. Portanto, temos que reduzir drasticamente o período de tempo em que queremos empreender essas melhorias no nosso viver, de maneira que consigamos executar as ações e fazer as checagens e verificações necessárias. Se não fizermos isso, como diz a gente jovem, "não vai rolar".

O Evangelho é sábio quando nos aconselha a não levarmos nossas preocupações e não mentalizarmos nossas dificuldades em período superior a um dia. Não temos acuidade mental e nem visão e determinação suficientes para muito mais que isso. Nossa natureza caída perdeu essa capacidade, e temos que nos ater a essa dimensão de tempo. E já será muito bom e extremamente eficiente se conseguirmos bem administrar nossas vidas por 24 horas. Na verdade é até menos que isso, porque uma boa parte dessas horas passamos dormindo. E sabemos que dormindo não empreendemos, não realizamos, não aprendemos nada, não acontecemos, nada produzimos e nem crescemos na graça. Felizmente, também não erramos, nada ocorre de bom ou ruim, por isso a morte é comparada a um sono.

Mas, não há razão para desânimo. Para empreender mudanças no viver, não preciso de uma virada de ano, de uma data de aniversário, e, sendo cristão, nem mesmo esperar pelos resultados de um evento espiritual festivo, semana de oração ou mês de reavivamento. Só preciso manter relacionamento real com Deus e, é claro, ter atitude, no dia-a-dia. Não consegui? Ainda não foi desta vez? Não tem problema, tento novamente. Sempre numa base diária.

Poderia me estender por linhas e mais linhas falando e sendo redundante sobre esse tema, mas, uma das coisas em que resolvi mudar (risos) foi falar menos e ouvir mais, ser mais conciso e objetivo. Quero pensar no que falei acima, não mentalizar o ano, o mês, a semana, mas, sim, o dia. E eu diria que em muitos casos podemos reduzir ainda mais e pensar em termos de hora, de minuto, até de segundo.

Deixo pra quem me lê um texto bíblico bem sugestivo, pinçado de um Salmo de Moisés, alguém que teve muitos dias para refletir sobre a brevidade dos mesmos:

“Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos coração sábio.” Salmos 90:12.

Mário Jorge Lima – 05/Jan/2014
“Livre pensar é só pensar” – Millor Fernandes.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 05/Jan/2014.