Seja bem-vindo(a) ao meu Blog. Sou Mário Jorge Lima, e abaixo estão textos meus, apresentados como sermões, palestras, ou simplesmente frutos de minhas reflexões pessoais.

Sou pai dessas 5 moças ao lado, Mariana, Isabela, Júlia, Laura e Luíza, a quem amo mais que a mim mesmo. Quando escrevo sobre assuntos espirituais, quando apresento palestras ou sermões, é primeiramente para elas e pensando nelas que estou escrevendo e falando.

Esses textos, atualizados sempre que eu os crio, e para isso não tenho uma periodicidade definida, são o legado escrito que deixarei a elas, sem erudição, sem proselitismo, sem "filosofismos". São as coisas em que de fato creio e pelas quais hoje vivo. Se Deus me der o tempo e a chance necessários, ainda pretendo escrever um livro com estas reflexões. Se não conseguir, elas estarão pra sempre aqui nesse Blog.

OBS: As palestras são organizadas com as mais recentes sempre no Topo.

Postado em: sexta-feira, 21 de março de 2014

Você tem um Amigo

Costumamos dizer que temos muitos amigos nas Redes Sociais, chamando de amigos pessoas que nem conhecemos. E muitos delas são ou vêm a se tornar, de fato, bons amigos. Ser ou ter amigos é das melhores experiências por que passa um ser humano.

Tenho muitos amigos, alguns deles são como família, do mesmo sangue, tenho por eles, além da consideração especial, também preocupação e mesmo um certo carinho e cuidado. E o mais interessante é que não preciso estar em contato diuturno com eles, nem nos visitarmos ou telefonarmos com frequência para que a amizade permaneça ao longo de anos, décadas. Nós sabemos que o amigo verdadeiro está sempre lá, onde deveria estar, disponível e solícito.

Com esses amigos não preciso escolher palavras, nem ficar preocupado em não melindrá-los, em não decepcioná-los, “pisar em ovos”. Quando me fazem um bem, sei que não esperam qualquer agradecimento especial ou efusivo. Se eventualmente digo ou faço algo que os desagrada – quem não faz? - eles têm certeza de que essa não foi a minha intenção. Quem iria, em sã consciência, querer machucar um amigo? Com esses posso dizer as minhas besteiras, explicitar meus desencantos, dúvidas e questionamentos, sem medo de ser recriminado ou censurado. E, é bom que se diga, essa é uma estrada de mão dupla.

Ser amigo é também uma arte, em que nos equilibramos entre a necessidade de apenas ouvir e ser solidários e a oportunidade de manifestar uma posição ou convicção. E há momentos em que até se faz necessária uma ação efetiva no sentido de prevenir um desatino, uma besteira, uma decisão impensada. Exagerando, quem iria dizer a um amigo que está em vias de se matar, “OK, faça o que você achar melhor, não estou aqui para reprova-lo”? Ao invés disso, chame um médico, os bombeiros, a polícia, agarre-o, faça você mesmo alguma coisa.

Mas, mesmo pra explicitar posições e convicções, ou para exercer ações específicas e firmes, há que o verdadeiro amigo ser doce, terno, respeitoso, solidário e até com algum nível de cumplicidade. Muitas vezes, usando a ideia de que “amigo é quem diz o que o outro precisa e não o que ele quer ouvir”, apenas dissimulamos uma enorme e sempre presente grosseria e disposição para mostrar nosso saber, nossa posição e visão acertadas, que temos a razão ou a verdade sobre aquele assunto ou situação.

Dentre as muitas figuras de relacionamento humano das quase Jesus se serviu, uma das mais doces é exatamente a do amigo:

“Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer.” João 15:15.

Uma coisa peço a Deus: que Ele me dê serenidade, discernimento, tolerância, respeitosa aproximação, inteligência emocional, palavras ternas e de conforto, sem lixa-zero na língua, sem ironias e desfaçatez, para que possa ser um bom amigo de todos que se acercarem de mim, seja na vida real, seja na vida cibernética das redes sociais. Não tenho que ter razão, não tenho que estar certo, não tenho que ser “o cara”, não preciso entender de tudo ou ter resposta para tudo, mas quero ser amigo, compassivo, perdoador, paciente e, principalmente, disponível. Não é coisa simples isso que estou pedindo.

Uma balada americana sempre me emocionou, sua letra é simples e ao mesmo tempo profunda. Composição de James Taylor. Muita gente gravou isso, mas a versão dele mesmo com seu violão é imbatível. É daquelas músicas inesquecíveis e que subsistirão enquanto durar a humanidade e enquanto pessoas buscarem e necessitarem ter amigos. Não tenho a menor dúvida de que isso é inspiração pura.

Coloquei uma gravação que tem a tradução e vou lhe fazer um desafio: coloque um fone de ouvido, ouça essa música e pense nos seus amigos, os que ainda estão por aqui e os que já se foram. Tente visualizar seus rostos e pensar em suas vidas. Duvido que chegue ao final sem derramar uma única lágrima. E ao final, curta, compartilhe entre todos aqueles que você considera amigos.

Com isso, desejo um Feliz Sábado, com bênçãos de todo tipo, físicas, materiais, emocionais, espirituais, e um fim-de-semana de muita paz a todos os meus amigos.

You'Ve Got a Friend:
www.youtube.com/watch?v=qSxK4kGyZIA

Mário Jorge Lima – 21/Mar/2014
“Livre pensar é só pensar” – Millor Fernandes.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 21/Mar/2014.

Postado em: domingo, 16 de março de 2014

65 Anos

Viver é um pouco morrer. A cada dia. Jamais me imaginei com essa idade. Quando menino esses números não me assustavam. Agora, vejo-me a apenas 5 anos da marca inicial estabelecida por Moisés no seu Salmo para delimitar os anos da canseira e do enfado.

Minha infância foi feliz e absolutamente normal. Joguei bola, soltei pipa, rodei pião, li muito gibi, subi em árvores e no telhado de casa - de onde caí duas vezes e quebrei os dois braços - roubei manga e jaca no quintal do vizinho, briguei na rua - e apanhei, era pequeno e franzino - quebrei vidraças, fui mordido por cachorro por faze-lo de cavalo, impliquei muito com minha irmã, apanhei de cinto e chinelo inúmeras vezes.

Tive pai e mãe abençoados. Perdi meu pai aos 9 anos, mas foi o suficiente para guardar dele a melhor imagem e ter tido experiências espirituais e culturais marcantes. Dele herdei algum refinamento e o prazer pela leitura, prosa e poesia. Li coisas ótimas e coisas que não prestavam. Mas, meu pai me dava dicionários para ler, e foi daí que me ficou uma certa habilidade com as palavras e o prazer por descobrir o significado das mesmas.

Na vida e morte do meu pai eu comecei, em tenra idade, a perceber o que era sofrer uma religião que não manifestava graça. Deus tinha que ser mais que justiça. Acabei descobrindo que Ele é. Um dia eu conto aqui. Nunca o esquecerei, Raymundo de Souza Lima, falecido aos 34 anos. Vai ser insólito reencontrá-lo, paizinho, tendo talvez mais que o dobro da sua idade.

Minha mãe foi mãe e pai, e consolidou em mim o amor pelas coisas de Deus, a fé e a dependência dEle. Vivenciei sua luta para criar-me e à minha irmã querida, Rubenita, com seu trabalho de costureira e depois de obreira bíblica. Quero revê-la em breve, D. Mariazinha Lima, cristã da melhor qualidade, salva pela graça, falecida aos 76 anos.

Apaixonei-me pela primeira vez aos 7 anos. Cedo? Que nada! Heloísa, era o nome dela, a menininha mais linda da segunda série do antigo Primário. Diga-se de passagem, paixão correspondida por bilhetinhos pueris, inocentes. Em seguida veio a paixão pela professora, claro, D. Consuelo.

Trabalhei cedo, empregado em banco aos 14 anos. Considero ter sido adolescente e jovem feliz. Ouvi Beatles, Birds e Rolling Stones, curti muito toda a música romântica italiana, francesa e americana dos anos 60/70, e amei a bossa nova e parte da jovem guarda. No início do tropicalismo desinteressei-me pela MPB, nem sei se ela ainda existe.

Vi jogar Pelé, Garrincha e Reinaldo, talvez por isso até hoje minha simpatia e torcida por Santos-SP, Botafogo-RJ e Atlético-MG. E no mesmo Maracanã assisti os inesquecíveis shows de Francis Albert Sinatra e Sir James Paul McCartney.

Cedo abri o coração para a fé, e aprendi desde então sobre a graça salvadora. Sei que não fosse por ela, eu já seria poeira cósmica. Conheço o Deus da segunda chance, justificador, restaurador, santificador. Só me falta a nuance do Deus glorificador, a Quem quero contemplar face-a-face.

Deus me deu muitas e boas oportunidades, não tendo eu aproveitado tudo que podia e devia. Fiz boas e más escolhas. Como todo ser humano. Arquei com consequências, claro, embora tenha consciência de que Deus nunca me tratou "segundo as minhas iniquidades, pois Ele sabe que sou pó". Ao contrário, livrou-me da morte várias vezes e deu-me sobrevida sem preço.

Ele me proporcionou a maior de todas as bênçãos: ter gerado 5 filhas. Mariana, Isabela, Júlia, Laura e Luiza, amo vocês, mais do que a mim mesmo. Obrigado Arminda, obrigado Helena. Vocês todas são as mulheres da minha vida. Daria essa vida por qualquer uma de vocês sem pestanejar.

Tenho uma grande e preciosa família, tios, primos e afins. Tenho também "um milhão de amigos", muitos deles são como irmãos de sangue, na eternidade quero te-los sempre por perto, vamos "aprontar" muito por esse mundão de Deus, e dessa vez com mentes transformadas e corpos glorificados.

Obrigado Pai Eterno, obrigado por Teu perdão e por teres pago minha dívida impagável. Obrigado por acalmares o meu interior em relação às minhas dúvidas e questionamentos, dando-me confiança de que um dia terei todas as respostas. Obrigado pela experiência enriquecedora que foi viver esses 65 anos. A senda estreita se afunila, eu sei, mas, não tenho medo. Descobri na semana passada esse texto significativo:

"Por isso, o Senhor Deus diz: Estou colocando em Sião uma pedra, uma pedra preciosa que eu escolhi, para ser a pedra principal do alicerce. Nela está escrito isto: Quem tem fé não tem medo." Isaías 28:16 (BLH). Essa última frase, em outras duas traduções diz: "Aquele que crer não foge." (ARA) ou "Aquele que crer não se apresse." (ARC).

Não tenho medo, não há razão pra fugir, e não estou com a menor pressa. Pra que? Apenas aguardo.

Mário Jorge Lima – 17/Mar/2014
“Livre pensar é só pensar” – Millor Fernandes.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 17/Mar/2014.