Seja bem-vindo(a) ao meu Blog. Sou Mário Jorge Lima, e abaixo estão textos meus, apresentados como sermões, palestras, ou simplesmente frutos de minhas reflexões pessoais.

Sou pai dessas 5 moças ao lado, Mariana, Isabela, Júlia, Laura e Luíza, a quem amo mais que a mim mesmo. Quando escrevo sobre assuntos espirituais, quando apresento palestras ou sermões, é primeiramente para elas e pensando nelas que estou escrevendo e falando.

Esses textos, atualizados sempre que eu os crio, e para isso não tenho uma periodicidade definida, são o legado escrito que deixarei a elas, sem erudição, sem proselitismo, sem "filosofismos". São as coisas em que de fato creio e pelas quais hoje vivo. Se Deus me der o tempo e a chance necessários, ainda pretendo escrever um livro com estas reflexões. Se não conseguir, elas estarão pra sempre aqui nesse Blog.

OBS: As palestras são organizadas com as mais recentes sempre no Topo.

Postado em: quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Pérolas Esparsas - 19 - RÉSISTER...

RÉSISTER...
31/12/2015

Sei que no dia de hoje e nessa virada para o novo ano, dificilmente alguém irá se deter e ler alguma coisa ou fazer qualquer reflexão mais demorada. Mas, arriscando-me a não ser lido, quero deixar um último texto, até porque, em 2016 deverei escrever meu livro (aliás, já estou fazendo isso), e não terei muitas incursões aqui, colocando textos novos.

Ao tentar vislumbrar o cenário à nossa frente, sentimos que vamos precisar de altas doses de algumas coisas, como: vontade (do tipo boa-vontade), tolerância, disposição para trabalhar e produzir, discernimento, inteligência (especialmente a dos tipos emocional e espiritual), esperança (a que vem do verbo esperançar, pois essa é proativa), firmeza, coragem e confiança em Deus (ou, pra quem não acredita nEle, força interior).

Quanto ao oposto, o que precisamos vencer, fica por conta de cada um avaliar e refletir, mas, não deixe de fazê-lo. Tenho certeza de que você tem ideias a respeito daquilo que precisa diminuir, minimizar, deixar, e não sou eu quem vai lhe dizer. Teremos todos que superar ou em muitos casos, conviver com dificuldades variadas, físicas, emocionais, profissionais, espirituais. Precisaremos de ajuda, claro, de todo tipo, desde a profissional e a de amigos, até a maior de todas, ajuda divina. Essa, felizmente, já está garantida.

Os tempos à frente se afiguram muito difíceis, dizem até que sentiremos saudades de 2015. Embora ouçamos isso todo início de ano, sabemos mesmo que não será fácil. A podridão e a corrupção, da pessoal à coletiva, com destaque à política, aumentam a olhos vistos. Sentimos náuseas. E sabemos que corrupção não tem partido. Nossos homens públicos, nossas instituições, tudo está desabando e a amoralidade está dentro das nossas casas, nas ruas, na escola, no trabalho, na igreja.

Além disso há um enorme menu de infelicidades que toma conta do mundo, do desemprego à fome, da violência à guerra, das doenças ao terrorismo, do preconceito às drogas. Se fosse alinhar, não caberia num pequeno texto.

Pensando em tudo isso, veio-me à mente uma história, cujos detalhes não vou lembrar, que ouvi quando menino, sobre um desses episódios da II Guerra Mundial. O nazismo parecia que realmente dominaria a Europa e, em seguida, o mundo. Áreas de extermínio e campos de concentração havia espalhados por diversos países, na Polônia, Alemanha, Itália, Bélgica, Áustria, Croácia, Lituânia, e muitos outros. Prisioneiros de guerra viravam buchas de canhão, combustível de fornos crematórios em toda a Europa e cobaias de experimentos cruéis e desumanos.

Até que veio a vitória aliada e o fim das operações de guerra, e não vou entrar no contexto político e militar, extremamente complexo e até hoje não compreendido. Na França, um dos países em que o povo muito sofreu, começou o desmantelamento das prisões de guerra e campos de concentração. Num deles, pequeno, mas, que gerou morte de mais de 40.000 pessoas, quando os soldados entraram e começaram a abrir e esvaziar as celas, chegaram em uma em que não havia mais sobreviventes, apenas corpos em decomposição, ossos e trapos sujos.

Ao olharem a imundície e terror daquele local, em uma das paredes, puderam identificar, escrita com sangue, em letras irregulares e toscas, várias vezes, a palavra francesa: RÉSISTER. Significa RESISTIR. Era o sentimento que as pessoas que ali viveram seus últimos dias tinham no coração e na mente até o dia em que morreram.

A Bíblia nos aconselha, em Efésios 6:13:

“Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. ”.

Isso vale para qualquer área da nossa vida, não só a espiritual. Portanto, em 2016, não importa o que aconteça, nossa determinação deve ser essa.

RÉSISTER... RÉSISTER... RÉSISTER...

Mário Jorge Lima./ /
São Paulo, 31/Dezembro/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 31/Dezembro/2015.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Reflexões Sobre a Graça - 27 - NATAL, GRAÇA E SALVAÇÃO

NATAL, GRAÇA E SALVAÇÃO

24/12/2015

O episódio da anunciação me toca ainda mais até do que o do próprio nascimento de Jesus. Já falei sobre isso aqui, e vez por outra volto a esse assunto, porque me emociona. Aquele diálogo de Maria com o anjo que lhe anunciou a gestação, em seu corpo, do Filho de Deus encarnado em natureza humana, um processo que não temos a menor condição de compreender, contém toda a doutrina da Graça, toda a ciência da Salvação.

Primeiramente, destaque-se a doçura, o carinho com que o arcanjo Gabriel tratou Maria, uma humilde representante do sexo feminino, naquela sociedade patriarcal e machista. Dá pra sentir isso no curto texto bíblico: "E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, bem aventurada! O Senhor é contigo." Luc. 1:28. E quando ele percebeu a agitação dela e como ficou perturbada, ainda acalmou-a: "... Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas." Luc. 1:30.

Ali também notamos a Graça brotando nas palavras do anjo: “Maria, não temas, porque alcançaste graça diante de Deus.” Luc. 1:30. E podemos entender, não somente Maria, mas, toda a humanidade estava sendo coberta pela Graça abundante e salvadora que emanava daquela cena fantástica e incompreensível para nossas mentes degeneradas por milênios de pecado. (Tito 2:11).

Mas, há mais emoções e ciência salvífica naquela cena:

“Então, disse Maria ao anjo: Como será isto, pois não tenho relação com homem algum? Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; ... Então, disse Maria: Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra.” Luc. 1:34,35,38.

Fórmula divina do processo de Salvação. Evidencia a ação de Deus e a reação do ser humano, não o contrário. Querem ver?

AÇÃO DE DEUS: "Vou cobrir você com a Minha sombra, com o Meu poder, com o Meu Espírito, vou justificar você, em seguida vou transformar e santificar você, e no futuro quero glorificar você, para que possa viver comigo para todo o sempre. E isso é de graça. Totalmente de graça." Ação completa e mérito total da parte de Deus, o grande provedor da Graça e da Salvação.

REAÇÃO DO SER HUMANO: "Aqui está o Teu servo. Que se cumpra em mim conforme a Tua palavra! Eu creio nisso, Senhor! E eu quero isso!" Eia aí, a reação esperada e consequente, totalmente sem mérito, do ser humano, o desfavorecido e indigno usuário da Graça e da Salvação.

Não é preciso nem desenhar, está claríssimo, definitivamente simples. E que ninguém fique preso às alegações sobre datas erradas e símbolos pagãos. Em qualquer data ou época do ano e da vida, os verdadeiros símbolos do Natal são: essa submissão “mariana” ao propósito de Deus e a aceitação de Sua Graça soberana. Maria, provavelmente entendeu muito pouco do que lhe acontecia, mas, guardou aquilo em seu coração e se curvou ao propósito maior, que ela sabia que existia por trás de tudo. Isso chama-se fé, aliás mais do que fé, chama-se confiança plena.

Portanto, comemore o Natal sim, sem constrangimentos. Não quer fazer uso do que considera paganismo? Não faça. Aliás, saiba, então, que você teria que deixar também centenas de outras coisas e atitudes corriqueiras do seu dia-a-dia em função disso. Mas, não vou discutir isso aqui, não use e pronto. Mas, aproveite o clima de bem-querer e tolerância que parece existir em quase todos os lugares e pessoas nessa época, e fale de Cristo Jesus. Tenha a consciência daquilo que o verdadeiro Natal celebra, e eu sei que você cristão salvo pela Graça sabe o real significado. Mesmo em meio a comemorações e presentes, você tem, sim, a exata consciência do que a vida, morte e ressurreição do Filho de Deus representam. E depois, caso prefira, comemore o Natal também em Abril, em Maio, em Outubro, quando você quiser, em todos os dias e até o fim da sua vida. Sinta a alegria e certeza da salvação que vêm única e totalmente pelos méritos de Cristo Jesus que lhe foram transferidos quando você creu, que lhe são comunicados na sua caminhada e relacionamento com Deus e que serão incorporados em você para sempre, quando Ele voltar. FELIZ NATAL!

São Paulo, 24/Dezembro/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 24/Dez/2015.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Pérolas Esparsas - 18 - FALA ALGUMA COISA QUE SE APROVEITE

"FALA ALGUMA COISA QUE SE APROVEITE!"
11/11/2015

Dona Mariazinha Lima era uma mulher sábia. Na sua simplicidade, sempre que via uma discussão se prolongando sem qualquer resultado, ou alguém deitando falação sobre “abobrinhas”, atacando virulentamente algo ou alguém, sacava essa frase pra finalizar a encrenca: “Fala alguma coisa que se aproveite!”.

Gosto muito de escrever na Web, seja no Facebook, única rede social que frequento, seja no meu Blog. E estou sempre me lembrando dessa máxima da minha mãe. Tenho procurado escrever e falar sobre coisas que possam ser de real ajuda pra alguém. É claro, que como todas as pessoas normais, eu também escorrego nessa questão.

Fico pensando que em um grande número de vezes gastamos tanto tempo detratando, criticando, censurando e atacando com um alto grau de agressividade, pessoas e situações, explicitando nossa opinião, a qual aos nossos olhos é sempre definitiva e lúcida, que nos esquecemos de cuidar da nossa vida, de ajustar nosso próprio comportamento, de ajudar e confortar quem precisa, e, em última instância, de “falar alguma coisa que se aproveite”.

Assim, quando sou invadido por aquela vontade irresistível, e às vezes até pernóstica, de “chamar o pecado pelo nome” e “dar à trombeta o sonido certo”, escolho, antes, olhar meus próprios pecados e verificar se de fato estou habilitado a usar a trombeta que pretendo tocar.

Temos todos uma tendência forte de nos auto-proclamarmos arautos de uma verdade definitiva e clara, que às vezes não passa da nossa visão pessoal, particular e tradicionalista sobre determinado assunto ou situação. É preciso ter muito cuidado com isso, pois podemos causar danos irreparáveis sobre as vidas das pessoas, e até mesmo deixar mágoas indeléveis no coração de alguém. Os mesmos lábios que cantam um hino também iniciam uma guerra, estremecem amizades, destroem relacionamentos e distorcem a verdade.

Menciono dois textos, um do livro Evangelismo e outro da Bíblia, para que nos orientemos a respeito dessas querelas, encrencas e polêmicas, principalmente quando elas transcendem a privacidade das nossas casas e se propagam publicamente pelo mundo via Web.

“Sejamos, portanto, cuidadosos com nossas palavras. ... Falai a verdade em tons e palavras de amor. Cristo Jesus seja exaltado. ... Nunca deixeis o caminho reto traçado por Deus, no intuito de fazer um ataque a alguém. Esse ataque poderá causar muito dano mas nenhum bem. Poderá extinguir a convicção em muitos espíritos."” Evangelismo pg. 576.

“Estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor, com boa consciência...” I Ped.3:15-16. A Bíblia na Linguagem de Hoje traduz “mansidão e boa consciência” por “educação e respeito”.

O mundo já tem agressividade demais, intolerância demais, preconceito demais, violência demais, em suma, estupidez em excesso. Um pouco de tempero nas nossas palavras e atitudes, carinho e compreensão com as pessoas das quais eventualmente discordamos, ajudará a tornar tudo à nossa volta mais respirável. Com isso, não estaremos sendo condescendentes com nada, permissivos em relação a nada, estaremos tão somente espalhando o perfume agradável do amor de Deus.

E agora quero falar alguma coisa que se aproveite, primeiramente pra mim e minha família, e só depois, pra quem me lê ou me ouve: se o amor a Deus e ao próximo não for a coisa determinante de tudo que eu faço, posso jogar fora minha religião pessoal, meus arrazoados perfeitos, minhas sábias argumentações, mesmo a doutrina e princípios que penso observar. Até porque, a essa altura, minha religião institucional de nada me serviu, e o amor para com os outros, que é a maneira que o mundo tem de saber que se sou ou não discípulo de Jesus, não faz parte do meu cardápio relacional e espiritual. E, sem amor...

Mário Jorge Lima./ /
São Paulo, 04/Dezembro/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 04/Dezembro/2015.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Pérolas Esparsas - 17 - DIFERENTES MÉTODOS E FORMAS

DIFERENTES MÉTODOS E FORMAS

11/11/2015

Frequentemente nos debatemos contra inovações, formas distintas de atuação e ação, idéias e métodos atualizados, e chegamos mesmo a sentir desconforto quando percebemos que até nossa maneira de pensar e enxergar a vida destoa do que vemos outras pessoas empreendendo, mesmo que nossos objetivos finais possam ser os mesmos.

Essa é uma dificuldade natural que todos temos, seja na vida doméstica, profissional ou até mesmo no campo espiritual. Não é fácil sair da segurança e do conforto, não é fácil dar oportunidade a quem consegue vislumbrar coisas que nós não conseguimos. A reação normal, e que funciona como defesa, até inconscientemente, é associar o novo à coisa ruim, à derrubada de estruturas sólidas do passado, à subversão da chamada verdade.

Digo sempre que nasci em meados do século passado, mas não vivo no século passado. Quero sempre estar antenado com o desenvolvimento e a criatividade, mesmo que eventualmente não goste do que vejo.

O próprio Deus em Quem eu creio, ao dar a homens, animais e ao reino vegetal, a capacidade de procriarem e se reproduzirem, mostra essa capacidade imensa de ser criador, recriador, criativo, inventivo e com incomparável dom de variedades e diversificação.

Hoje cedo dei de cara com dois textos inspiradores e que são um sopro de ar puro sobre nossas mentes cristalizadas e estratificadas, infensas a inovações e experimentos.

"Deus não escolhe para Sua obra pessoas dentro de um único modelo e de um só temperamento, mas, indivíduos com diferentes formas de pensar e agir." EGW - Signs of the Times, 19 de fevereiro de 1880.

"Das infinitas variedades de plantas e flores, podemos aprender uma importante lição. Nem todas as flores têm a mesma forma, nem a mesma cor. Algumas delas são medicinais. Outras são sempre fragrantes. Há cristãos professos que julgam ser seu dever fazer com que os outros sejam semelhantes a eles. Este plano é humano; não é plano de Deus. Na igreja de Deus há lugar para características tão variadas como as flores do jardim. Em seu jardim espiritual há muitas variedades de flores." EGW MCP - I página 54.

Mário Jorge Lima./ /
São Paulo, 11/Novembro/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 11/Novembro/2015.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Reflexões Sobre a Graça - 26 - GRAÇA E PROFECIA

GRAÇA E PROFECIA

05/11/2015

Se a pregação profética e escatológica não for amparada fortemente na mensagem salvadora da Graça incondicional de Deus, estendida a todos os homens, ela se torna assustadora, ameaçadora, alarmista e exclusivista.

As Profecias um dia cessarão e serão apenas passado, história, referência e uma bela demonstração do cuidado de Deus por Seu povo.

Por outro lado, se a mensagem da Justificação pela Fé e Salvação unicamente pela Graça de Deus e os méritos de Cristo Jesus, não tiver como foco a transformação do indivíduo, a vida de Santificação e o preparo para ver Jesus voltar, ela se torna eufórica, porém, insípida, anestesiante e sem objetivo.

A Graça de Deus sempre existiu e sempre existirá. É ela que vai fazer novas todas as coisas e garantir que o mal não se levantará pela segunda vez.

Hoje, juntas, Graça e Profecia, sempre nessa ordem, são o combustível que temos para manter o foco no grande encontro e a esperança de que poderemos, sim, viver pra sempre.

São Paulo, 05/Novembro/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 05/nov/2015.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Reflexões Sobre a Graça - 25 - NÃO IMPORTAM OS MOTIVOS, VEEENHA!

NÃO IMPORTAM OS MOTIVOS, VEEENHA!

30/10/2015

No tempo de Jesus Ele era procurado por todo tipo de gente: fariseus, saduceus, zelotes, essênios, helenistas, samaritanos, gente do alto clero, gente da plebe rude, pecadores, endemoniados, miseráveis, a escória da terra, gente sincera e insincera. Afinal, ele era a fonte da água da vida, para onde migravam todos os sedentos, cansados e oprimidos. Ele recebeu a todos.

Uns iam pela palavra da verdade, pois nunca antes tinham ouvido quem falasse como Ele. Outros iam pelo pão e pelo peixe, afinal, necessidades básicas Cristo também sempre atendeu. Tinha vindo para salva-los, não para condená-los. E, sem dúvida, muitos dos que foram pelo pão que perece, lá encontraram o Pão da Vida, ao passo que possivelmente muitos que foram inicialmente em busca deste Pão que salva, deixaram que essa semente caísse entre as pedras, à beira do caminho ou entre espinhos e o fruto não vingou. Mat. 13:3-9.

Hoje existe uma falácia no meio cristão de que temos que procurar a Cristo sempre pelos melhores motivos. Como se fôssemos capazes de apresentar motivações nobres e boas para ir ao Salvador. Via de regra o ser humano, cujo coração é continuamente mau, nunca tem os melhores motivos, nunca apresenta uma razão digna para ir ao Salvador. Perdemos a capacidade de querer o bem quando Adão pecou. Como o filho pródigo da parábola, o que nos move a ir ao Pai não é o sentimento de haver ferido Seu coração, mas, sim, a carência de coisas básicas do viver, falta de boa comida, boa roupa, cama confortável e aconchego.

Na maioria das vezes o que nos leva ao Salvador é o frio e a fome da alma, o medo, a culpa, a dor, as perdas, a solidão, o vazio, a desesperança, a frustração. Até mesmo a curiosidade ou a falta do que fazer. O homem em estado natural não tem a menor condição de apresentar a Deus a motivação correta. É o Pai que pega os motivos inadequados dos Seus filhos e os santifica, para poder em Seu amor aceita-los.

Nem mesmo a pregação do Evangelho e das coisas do Reino de Deus, têm sempre, da parte de quem prega e anuncia, a motivação melhor. Paulo dizia que não importava o motivo de quem pregava, mas sim que a pregação fosse feita todo o tempo, com a motivação correta ou não. Fil. 1:15-18.

Assim, se você veio ou pensa em ir a Deus apenas pelo pão ou qualquer outro motivo menos nobre (Joao 6:26), não deixe de ir, venha, vá. Se você vier, haverá boas chances. Se você não vier, não haverá chance nenhuma. Se o filho pródigo tivesse ficado apenas a meditar e a lamentar seu passado, em meio à pocilga, mas, não tivesse tomado a atitude de levantar-se e ir ter com o Pai, não teríamos essa bela história pra ler e contar.

Saiba que o Pai, em Sua infinita e incondicional graça, não está interessado nos seus motivos, está interessado em você. Com você ali Ele poderá transformá-lo e fazê-lo mudar de vida. Com você longe, não há como envolve-lo. E antes que você termine o seu preparado discurso “pequei contra o céu e contra ti”, Ele já terá mandado preparar a grande festa para recebe-lo e lhe terá trazido Suas vestes de justiça.

São Paulo, 30/Outubro/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 30/Out/2015.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Pérolas Esparsas - 16 - PERFEIÇÃO

PERFEIÇÃO

21/08/2015

"Portanto, sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está no céu." Mateus 5:48.

"Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai que está nos céus." Lucas 6:36.

Às vezes acompanho discussões via web a respeito desse assunto. Tenho observado curiosamente algumas características nas argumentações e posturas entre os que são tidos como "perfeccionistas" e os "não-perfeccionistas", aliás, como se esses fossem rótulos relevantes na vida cristã. E me refiro aqui a cristãos de diversos matizes. Assim, tenho notado o seguinte:

1) Nos tidos como "perfeccionistas":

a) Nunca, em momento algum, estes admitem que são adeptos do perfeccionismo, embora seus argumentos deixem isso bem claro.

b) Se se perguntar a eles se, como crêem com convicção que é possível viver nessa vida sem absolutamente pecado algum, já se consideram perfeitos, todos, sem exceção dirão que não, que eles "ainda" não são perfeitos, e que "ainda" pecam. E se perguntarmos se pelo menos conhecem alguém que já viva sem pecar, nunca conhecem.

c) Com alguns minutos de conversa, argumentações e contra-argumentações, eles perdem a paciência, mostram intolerância, usam palavras um pouco mais duras e irônicas contra os opositores, e assim, demonstram cabalmente que estão longe da perfeição.

2) Nos tidos como "não-perfeccionistas":

Basicamente, nesses nota-se uma aversão sistemática, inflexível e inexplicável contra a busca da perfeição, contra o desejo de que – como o apóstolo João pontuava - se possa viver sem pecar e alcançar vitória sobre o pecado.

3) Em ambos, "perfeccionistas" e "não-perfeccionistas":

a) Pode-se verificar uma certa confusão, ou pelo menos, mal-entendimento, entre perfeição e santificação, entre perfeição e vitória em Cristo Jesus.

b) Buscam textos, muitas vezes fora de contexto, tanto da Bíblia quanto de outros escritos de literatura denominacional, às vezes sempre os mesmos textos, para justificar suas posições conflitantes.

c) Fatalmente resvalam para outros temas, como natureza de Cristo Jesus, pré ou pós lapsarianismo, carne santa, e coisas correlatas. Como se estes fossem assuntos sobre os quais temos condição plena de discutir, ou deles dependa a nossa salvação.

d) Compreendem de forma distinta vários textos sobre pecado, perfeição e vida sem pecado, principalmente Romanos 6, bem como o que significa ser perfeito para Deus.

e) Acusações fluem e fruem de lado a lado.

Para o crente em Cristo Jesus, salvo pela graça, a perfeição deve ser um anseio. Na realidade, não há nada de errado em querermos ser perfeitos, não há nenhum absurdo em querermos afastar o pecado de nossas vidas, em desejarmos obter vitória em Cristo Jesus e crescimento na graça. A Bíblia nos estimula a isso.

Por outro lado, nenhum crente em Cristo Jesus, salvo pela graça, consciente de sua justificação já recebida, da sua santificação em processo e de sua futura glorificação, usará o fato de ter natureza pecaminosa, caída, como alforria para viver da maneira que quiser. Muitos são acusados disso, mas essa acusação acaba sendo mais um indício de que ninguém é perfeito. O cristão, muito pelo contrário, usa o fato de ser imperfeito – e vai ser até Jesus voltar – como estímulo para correr resolutamente “para o alvo, para o prêmio da soberana vocação em Cristo Jesus”, que é adquirir perfeição completa na Sua volta.

O que não devemos - se é que um dia queremos ser perfeitos - é, a pretexto de chamar o pecado pelo nome e viver vida santificada, usar a busca da perfeição como sistema de salvação e como postura de patrulhamento da vida dos nossos irmãos, como moeda de troca com Deus na questão da salvação, para nos sentirmos melhor que nossos semelhantes que fazem o que não fazemos ou não fazem o que fazemos, ou para acalmarmos nossa consciência de crentes. Nesse processo, muitas vezes damos nosso estilo de vida, nosso regime alimentar, nossa concepção de moda, de música, de culto, de lazer, e tantas outras coisas, como modelos de verdade completa e absoluta. E isso pode ser consciente ou até mesmo inconsciente.

“Quando vier o que é perfeito, tudo aquilo que é imperfeito desaparecerá”, já nos ensinava Paulo, o grande Herói da Fé, em I Cor. 13:10. Aliás, na versão Almeida Revista e Corrigida, está de uma forma que nos ajuda a compreender algo muito peculiar. Lá diz assim: “Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado.”

Isso nos leva a compreender que até pode haver um nível de perfeição, muito pequeno, diga-se de passagem, parcial, que podemos e devemos atingir na vida cristã. Mas, até isso, que não representa nada, será aniquilado, quando recebermos a perfeição completa em Cristo Jesus.

Nunca é demais lembrar que a vida eterna, a corrida da fé, não pode ser tida como uma questão de posicionamento, de chegada, de em que lugar nos encontramos, mas de direção, de alvo, já que sabemos em Quem temos crido.

Mário Jorge Lima./ /
São Paulo, 21/Agosto/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 21/Agosto/2015.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Pérolas Esparsas - 15 - LEI E GRAÇA

LEI E GRAÇA

07/08/2015

Há na mente do crente, de modo geral, um pensamento distorcido a respeito de Lei e Graça, que considera essas duas coisas como sendo absolutamente antagônicas e incompatíveis entre si. A Lei, assim, é considerada como algo que me impede de fazer as coisas que eu gosto de fazer, enquanto a Graça é aquela bênção que me torna livre pra fazer tudo que eu quero fazer.

Dessa forma, a Lei é considerada como algo que me reprime e me deprime, e isso é viver debaixo da Lei. Já a Graça me liberta desse jugo ingrato e me faz feliz, e isso é viver debaixo da Graça. Nada mais longe da verdade. Começa que ambas as coisas foram dadas pelo mesmo Deus, ambas foram originadas por um Pai de amor sem limites, que tem uma vontade estabelecida desde tempos imemoriais, a Lei do Amor, na qual anjos e habitantes de mundo sem pecado vivem, e que é a norma do Seu Reino.

A Lei de Deus, na forma como a conhecemos, foi-nos dada como resultado das nossas transgressões, e tem o papel precípuo de identificar essas transgressões, mas, não de corrigi-las, não é meio de salvação, não muda nossa conduta, nos mostra Cristo Jesus, conduzindo-nos a Ele. A Graça, tem o papel de resolver essa pendência moral, e tem um papel não apenas justificador, mas, necessariamente, transformador. Ela sim, gera a fé que nos justifica e sustenta-nos no processo de santificação, sem a qual ninguém verá a Deus. Ambas, a Lei e a Graça, se encontram na cruz do Calvário.

O Evangelho jamais liberou o crente da necessidade de obedecer à Leis de Deus como estilo de vida, como ato de ética cristã. Mas, com certeza ele ensina que o crente está livre do peso da Lei como sistema de salvação. O Filho nos libertou não para fazermos nossa própria vontade, porque livres para isso nós sempre fomos, mas, para fazermos a vontade de Deus, para nos submetermos a ela voluntariamente e com alegria. Essa nossa obediência não tem nenhum papel salvífico, até porque a obediência só acontece depois que o homem foi justificado e salvo da condenação do pecado.

Mário Jorge Lima./ /
São Paulo, 07/Agosto/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 07/Agosto/2015.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: sexta-feira, 31 de julho de 2015

Pérolas Esparsas - 14 - PAULO x TIAGO

PAULO x TIAGO

31/07/2015

Essa é uma questão frequentemente posta, principalmente entre os cristãos do advento, que creem na manutenção da Lei de Deus, como vigente em nossos dias, mas, não entendem a teologia desses dois apóstolos. E o que parece, de fato é que, em alguns momentos, Paulo e Tiago falam linguagens diferentes, propõem entendimentos opostos, como se as epístolas de Romanos, Efésios e Gálatas fossem contrárias à epístola de Tiago.

Em tempo: este Tiago não é o discípulo de Jesus, mas, sim, Seu meio-irmão (Gal.1:19). Ele não teve grande intimidade com o Salvador ao longo da vida e ministério de Jesus, e há apenas indícios (I Cor. 15:3-8) de que após a ressurreição, teve um encontro particular com seu Mestre e irmão, e ali Lhe teria entregue o coração, tornando-se desde então um dos esteios da igreja nascente.

Primeiramente, Tiago não coloca em sua epístola Fé versus Obras, mas, sim, Fé Viva versus Fé Morta. Além do que, as coisas de Deus não se chocam, elas se ajustam e se explicam. Vejamos dois dos principais textos em que estes apóstolos expõem seu pensamento inspirado:

PAULO: "Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado." Gal. 2:16.

TIAGO: "Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta? ... pelas obras, a fé foi aperfeiçoada," Tiago 2:20 e 22.

Se prestarmos atenção, veremos que Tiago e Paulo falam de coisas distintas, dois tipos diferentes de boas obras. Paulo fala de Obras da Lei, enquanto Tiago fala de Obras da Fé.

Assim, pois, Obras da Lei são o tipo de boas obras que Paulo condena, enquanto Obras da Fé são o tipo de boas obras que Tiago enfatiza. Pode-se praticar exatamente a mesma boa obra (fazer o bem ou guardar qualquer preceito da Lei de Deus) como Obra da Lei ou como Obra da Fé. Uma não representa nada para Deus, e não O agrada, enquanto a outra é algo que Ele espera de quem já passou pela Justificação e vive a Santificação.

Resumindo:

OBRAS DA LEI: Obediência aos reclamos divinos, prática de boas ações com o objetivo de ser salvo, de acumular méritos, de ser bem visto e bem considerado pelos outros, de agradar a Deus para melhorar sua posição diante dEle, de cumprir friamente um princípio da Lei de Deus.

Seria, então, um esforço, consciente ou não, de realizar coisas boas, mas com o objetivo de conquistar a Deus, de pagar pelo dom da salvação. É a lei usada de forma não legítima (I Tim. 1:8). É a obediência usada como moeda de troca na questão da Salvação. Isso tem tudo a ver com paganismo, legalismo puro. E para Deus é maldição.

Gál. 3:10: “Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição...”.

OBRAS DA FÉ: Obediência aos reclamos divinos, prática das mesmas boas ações, mas, como resultado do novo nascimento, do crescimento na graça e do fortalecimento da fé. É o fruto do Espírito, fruto do Evangelho, crescendo e se reproduzindo. É a maneira como o ser humano responde à ação de Deus em seu favor. É a consequência da Salvação. É a obediência por fé.

Fil. 3:9: “... Para ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, mas a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé;”.

Rom. 1:5: “...por intermédio de quem viemos a receber graça e apostolado por amor do seu nome, para a obediência por fé, entre todos os gentios.”.

Gál. 3:10: “... para que o nosso Deus vos torne dignos da sua vocação e cumpra com poder todo propósito de bondade e obra de fé...”.

Assim, podemos dizer sem medo de errar, a Justificação não é por Obras da Lei, mas com certeza, com a Justificação começam a existir, a acontecer, de forma natural e plena, as Obras da Fé. Nossas boas obras não têm absolutamente nenhum papel salvífico. Todos conhecem certos comprovantes de transações comerciais que vêm com uma frase: "Não vale como recibo." Assim são as nossas obras, não valem como recibo da nossa Salvação. O recibo, que garante que essa transação foi efetuada pelos céus, é o sangue de Cristo Jesus.

Portanto, nossas boas ações são tão somente uma comprovação do poder da Graça de Deus em nós, ela sim, a única garantia que temos, pois é transformadora, não nos deixa como nos encontrou.

Mário Jorge Lima./ /
São Paulo, 31/Julho/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 31/Julho/2015.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: sexta-feira, 24 de julho de 2015

Reflexões Sobre a Graça - 24 - AÇÃO E REAÇÃO

AÇÃO E REAÇÃO

27/06/2015

No processo dinâmico que é a Salvação:

1) A ação de Deus é necessária, indispensável, incondicional, transformadora, santificadora, meritória e plena de atributos de Salvação e de Graça redentora.

2) A reação do homem deve ser consequente, natural, voluntária, é importante, esperada, responsiva e totalmente sem méritos próprios ou função salvífica.

Quem entende isso desfruta de alegria e de certeza da Salvação.

São Paulo, 24/Julho/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 24/Jul/2015.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: sábado, 27 de junho de 2015

Reflexões Sobre a Graça - 23 - UNIÕES HOMOAFETIVAS

UNIÔES HOMOAFETIVAS

27/06/2015

Abro meu Facebook hoje à tarde e vejo uma verdadeira inundação de ícones coloridos, em sua maioria saudando a resolução americana de liberar por lei o casamento civil para uniões entre pessoas do mesmo sexo. E consequentemente vejo opiniões, comentários, postagens belicosas, defendendo e condenando não só esse fato mas, também, as manifestações, e isso de lado a lado.

Como ser humano, como cidadão, como pai, como cristão, tenho responsabilidades com minha família, e acabo tendo também com as pessoas que me cercam e com aquelas que, por alguma razão, me dirigem seus questionamentos e dúvidas sobre assuntos como esse. É assunto complexo, delicadíssimo, pois envolve seres humanos, criaturas de Deus por quem Ele deu Sua própria vida, dotadas de emoções, sentimentos e circunstâncias de nascimento, crescimento, criação e vida das quais nada sabemos.

Vou à minha Bíblia e vejo que as principais situações relacionadas com a sexualidade que constam dos diversos episódios e histórias ali relatados, são, basicamente, de cinco naturezas: adultério, prostituição, incesto, poligamia e homossexualismo. Percebo que nenhum deles foi considerado como sendo algo natural, mas, todos eles foram tidos como sendo situações que fugiam ao plano original e Edênico de Deus para as Suas criaturas. Um deles, o adultério, constitui um dos itens condenados explicitamente por Sua Lei. Todos tiveram consequências desagradáveis e, alguns, até trágicas.

Jesus, em Sua passagem pela terra, defrontou-se especificamente com duas dessas situações: a prostituição (Maria Madalena) e o adultério (a mulher levada para ser apedrejada). Em tempo: não são a mesma pessoa, a mulher adúltera não tem o nome especificado na Bíblia.

Da atitude de Jesus com essas duas mulheres icônicas e emblemáticas, podemos inferir qual deveria ser nossa atitude humana e cristã para com essa situação dos nossos dias, que permaneceu muito tempo velada (ou "dentro do armário", como dizem), mas, que hoje, por força da pós-modernidade e da evolução dos costumes, está aí às claras, cada vez mais presente diante dos nossos olhos, na vizinhança, no trabalho, na escola, nas ruas, e até na igreja e na nossa família, tendo agora leis específicas a protege-la e a dar-lhe contornos sociais e antropológicos definidos.

A mulher pecadora, apanhada em adultério, foi levada por seus algozes a Jesus, com o duplo objetivo de justiça-la e também de enredar a Cristo numa séria e constrangedora situação. Sociedade patriarcal e machista, “esqueceram” de levar também o homem. Ninguém adultera sozinho, e, assim, distorceram a lei civil então vigente, a qual mandava apedrejar os dois, não somente a mulher.

Cristo foi perfeito, dando ali não somente uma lição de moral e golpeando duramente a hipocrisia e crueldade daqueles corações, mas, também uma demonstração do que vem a ser o processo de Justificação e Santificação pelo qual todo ser humano salvo por Ele, necessariamente, deve passar. Não compactuou com a situação que fugia ao padrão de Deus, mas, demonstrou amor, graça, inclusão, aceitação.

“Mulher, eu sou o teu Salvador, não vim para te julgar, Eu também não te condeno.” Isso é Justificação. Isso é perdão. “Agora, muda de vida, aceita a transformação que Minha graça te proporciona, segue teu caminho, não peques mais.” Isso é Santificação, sem a qual ninguém verá a Deus.

Desse episódio podemos compreender que, mesmo não aprovando o procedimento daquela mulher, Jesus foi absolutamente misericordioso, inclusivo, nem mesmo a repreendeu, respeitou seus sentimentos, entendeu sua natureza caída, não fez troças, não foi irônico, mordaz, contundente, como costumava ser com escribas, fariseus e doutores da lei.

Maria Madalena, a outra personagem, era irmã de Lázaro e Marta. Segundo estudiosos foi primeiramente seduzida pelo próprio tio, Simão, e por ele levada a prostituir-se em Magdala, pequena aldeia de pescadores da Galiléia. Jesus não apenas a perdoou e restaurou, mas, dela expulsou sete demônios. Com sua irmã e irmão, ela veio a fazer parte de um círculo particular de amigos de Jesus, com quem Ele se sentia muito bem, muito à vontade, em cuja casa provavelmente sempre pousava, e ela talvez tenha sido a pessoa que melhor entendeu o ministério salvador e redentor do Filho de Deus. Jesus, seguramente, muito a amou, pois que de muitos erros a perdoou.

Nessa história também, vemos a conduta carinhosa, absurdamente amorosa e perdoadora de Cristo Jesus, levando aquela mulher a um processo de transformação tal, que deu a ela a oportunidade de conviver de maneira muito próxima com Ele, cujo ministério ajudava com seus recursos, quem sabe, obtidos nos seus anos de prostituição.

E, agora, fico pensando em qual teria sido a atitude de Jesus se tivessem se aproximado dEle pessoas com relacionamento homoafetivo. Será que agiria de forma diferente da que agiu em relação ao adultério e à prostituição? Será que os escorraçaria, os submeteria a constrangimento público, se referiria a eles de forma pejorativa e despreziva? Será que essa situação foge mais ao ideal de Deus do que as demais?

Tenho certeza de que o meu Salvador iria enternecer-Se da mesma forma, e iria manifestar a mesma atitude de inclusão e compreensão que demonstrou nas outras ocasiões. Isso não significa que iria concordar com aquele modo de vida, que por todos os aspectos espirituais é contrário ao que se encontra na Palavra de Deus. Mas, como Criador, entenderia Suas criaturas, e iria amá-las da mesma forma que ama a todos, e saberia inclui-las entre Seus seguidores, e por amor, somente por amor, transforma-las-ia para que se tornassem semelhantes a Ele. Porque esse é o papel da graça, salvar para transformar.

Não somos como Jesus, claro, por isso erramos tremendamente a dosagem nas nossas atitudes e comportamentos, seja através de um simples comentário, de um olhar, de um meneio de cabeça, de uma ação agressiva ou zombeteira, de um ato de desamor, desconsideração, desrespeito. E temos que nos conscientizar de que somos assim, temos que nos apossar da graça de Deus e de Seu poder para nos transformar e fazer de nós cristãos maduros. De outra forma estaremos reproduzindo a atitude e postura do fariseu da parábola com o publicano.

É um sinal dos tempos tudo o que está acontecendo no mundo, não somente nesses aspectos comportamentais, mas em todas as áreas da vida e atuação humanas? Sim, sem a menor sombra de dúvida. Mas, é também um sinal dos tempos que pessoas salvas por um fluxo vertical de amor e graça vindo lá dos céus, não consigam demonstrar o mesmo fluxo de amor e graça na horizontal, nos seus relacionamentos.

Citando o que li algures, “Cada pessoa que você encontra, seguramente está enfrentando uma batalha da qual você nada sabe. Portanto, seja amorável.” E deixo com vocês o texto basilar de Paulo em I Corintios 4:5:

“Portanto, a ninguém julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não somente trará à plena luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e, então, cada um receberá o seu louvor da parte de Deus.”.

PS: Jesus também Se defrontou com a poligamia, na vida da mulher samaritana junto ao poço. E da mesma forma, Sua atitude foi inclusiva, salvadora, e fez dela um arauto da Sua graça redentora.

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 27/Junho/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 27/Jun/2015.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: quinta-feira, 28 de maio de 2015

Reflexões Sobre a Graça - 22 - PERDÃO

PERDÃO

28/05/2015

Essa é uma reflexão espiritual, portanto, não quero aqui fazer qualquer alusão às circunstâncias políticas da época mencionada, mas, sim, ao dom maravilhoso que o evangelho proporciona, de alguém pagar o ônus de um ato ou injúria que sofreu, mas, perdoar a quem o feriu e prejudicou. O perdão é a própria essência da graça, é a própria justificação, é a libertação das próprias misérias.

Míriam Leitão, jornalista brasileira, tem uma dramática história no seu passado de luta contra a ditadura militar, quando foi torturada cruelmente, aos 19 anos, juntamente com seu marido Marcelo Netto, 23 anos, no 38o. Batalhão de Infantaria em Vila Velha-ES, entre dezembro de 1972 e fevereiro de 1973. Grávida, teve a barriga chutada, foi seviciada, e, entre outras coisas, torturada nua, com uma cobra, num quarto escuro.

No ano passado, mais de 40 anos depois, seu filho, o jovem jornalista Matheus Leitão, conseguiu, após muita busca e pesquisa por conta própria nos arquivos do STM em Brasília, localizar o homem que denunciou seus pais, chamado Nelson Foedes, e os entregou, junto com outros, às forças militares. Muitos foram simplesmente executados.

Depois de diversos contatos, combinou com o filho desse homem, e os três se encontraram num emocionado e apreensivo encontro. Achou-o arredio, isolado, assustado e agressivo.

Agora vem onde quero chegar. O jornalista Matheus Leitão, ainda não nascido na época em que Miriam Leitão foi torturada, hoje é um homem cristão, e foi com esse sentimento que ele reencontrou-se com o passado de seus pais. E aqui se fez presente a graça, disposição de perdoar, de esquecer, de livrar-se de ressentimentos e deixar alguém livre de culpa. Vejam as palavras do jornalista Matheus Leitão, filho de Miriam e Marcelo, e também o relato de Nelson, o homem que os entregou à ditadura que os torturou e quase matou.

“Eu estava muito emocionado. Ele chegou apreensivo, até pelo tardar da hora em que chegamos lá, mas eu não aguentava mais a espera desse encontro. Foi um sentimento misto de emoção e apreensão”, disse Matheus.

“Eu queria ouvi-lo. Foi muito importante a coragem dele de admitir o que aconteceu, de dizer que não teve estrutura para aguentar a tortura. É um personagem carregado de dor muito grande, um peso. Foi importante ele me revelar o que sente, que sofre muito por ter entregado os companheiros”, contou Matheus no relato.

Mesmo Nelson, o delator, sendo ateu, se juntou a Matheus e ao seu próprio filho, numa oração, e o delator pediu perdão a ele e aos companheiros mortos.

“Saí com a cabeça a mil. Eu dirigia o carro e só pensava na palavra 'alívio'. Como cristão, o perdão me trouxe esse alívio e me fez muito bem. Saí tranquilo, tirando das costas o peso desses questionamentos”, falou Matheus.

O ex-comunista também afirmou ter se alegrado após o encontro com Matheus. "Eu recebi um telefonema do meu filho, dizendo que o Matheus telefonou para ele e falou que entendeu muito bem o meu lado. Quando ele saiu lá do sítio, também falou que entendeu meu lado, que me perdoava", disse.

"Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós." Mat. 6:14.

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 28/Maio/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 28/Mai/2015.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: quarta-feira, 29 de abril de 2015

Reflexões Sobre a Graça - 21 - AMAZING GRACE

AMAZING GRACE

29/04/2015

"Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a TODOS os homens." Tito 2:11.

Graça é graça. Ainda que as consequências acompanhem as escolhas feitas por cada um, a graça de Deus é soberana e define o destino eterno de cada um que dela se apodera.

Independente do que se possa achar sobre pena de morte e crimes hediondos, achei muito tocante a reportagem abaixo sobre a execução dos 8 condenados à morte, ontem, na Indonésia, não deixem de ler.

Não foi por outra razão que John Newton, o compositor do mais conhecido e cantado hino do cristianismo, Amazing Grace, um homem terrivelmente mau, escravagista, torturador, ao se converter usou em sua composição esse termo de difícil tradução. Amazing não significa excelsa, preciosa, sublime como consta na maioria dos hinários cristãos, e sim, estranha, incrível.

E é isso que a graça é, muito estranha e difícil de compreender e aceitar. Somente na eternidade, com mentes transformadas e corpos glorificados, começaremos a arranhar a superfície do entendimento de tão grande salvação.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/04/executados-na-indonesia-entoaram-cancoes-religiosas-antes-de-morte.html

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 29/Abril/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 29/Abr/2015.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: quinta-feira, 23 de abril de 2015

Reflexões Sobre a Graça - 20 - NOTA DESAFINADA

NOTA DESAFINADA

23/04/2015

Isso tem 40 anos. E era minha primeira experiência dentro de um estúdio de gravação, lá no Rio de Janeiro, com dois grupos que marcaram época, o Perspectiva e o Afirmação, este feminino. Era um tempo em que gravávamos as músicas do princípio ao fim, sem interrupções e já com acompanhamento. Normalmente eram as vozes e o piano, pois orquestrações nas produções evangélicas ainda eram raras.

Quando acontecia de alguém errar, se o erro não fosse grosseiro, continuávamos, para depois avaliar se aproveitaríamos ou não. Ainda não havia computadores e softwares poderosos administrando todo o processo e corrigindo diversos tipos de problemas, como por exemplo desafinações e notas erradas e fazendo emendas. E muitas vezes a música saia boa, totalmente aproveitável, mas lá no finzinho alguém errava uma notinha, uma pronúncia, era uma desafinação ou um pequeno pigarro, coisas que forçavam uma nova gravação desde o início, até ficar tudo perfeito. Imaginem as horas perdidas nesse processo.

Uma das músicas que gravamos naquela ocasião chamava-se Um Mundo Sem Amor (A World Without Love). Tínhamos tentado várias vezes, a turma já cansada, de madrugada, e na vez em que a parte vocal saiu boa eu errei uma notinha em um pequeno interlúdio de piano, que vocês notarão nesse trechinho abaixo, em 00:06s. Pelo chiado vocês vão sentir que isso veio de um vinil de 40 anos atrás (rsrs):

http://www.adveniat.com.br/audio/viversemamor1.mp3

Era um Fá sustenido que eu toquei como Fá natural. E pra minha tristeza, devido ao cansaço de todos, resolvemos ficar com aquele erro de piano, já que as vozes ficaram boas. Ao longo dos anos nunca me perdoei por isso e nunca deixava que perto de mim tocassem aquela faixa. E o que mais me incomodava é que não tinha mais jeito, estava gravado e assim distribuído.

Até que um dia, depois de 40 anos, ouvindo essa trilha com o maestro Flávio Santos em seu estúdio, em menos de um minuto, com um programa de computador, ele corrigiu aquela notinha, aquele erro que me incomodou por tantas décadas. Ouçam o interlúdio, corrigido e perfeito aqui:

http://www.adveniat.com.br/audio/viversemamor2.mp3

Assim se dá conosco. Carregamos, por vezes, ao longo de toda a vida, vergonha, opróbrio, culpas, incômodo, o peso de um erro do passado. Não nos permitimos jamais rever e nem mesmo pensar em certas situações que vivenciamos e pelas quais passamos, muitas vezes com dor, sim, com vergonha e grande desconforto. E achamos que aquilo não tem mais jeito. E passam-se décadas, muito tempo desperdiçado e mal vivido.

Até que um dia, pela graça, deixamos que um grande maestro, Cristo Jesus, utilizando programas maravilhosos, Sua graça, Seu perdão, Sua Justificação, leve embora a vergonha, a culpa, o medo e a dor, e assim nos tornamos livres, novas criaturas, nossa vida se torna uma nova melodia nas mãos dEle, nos revestimos de Sua justiça e nos submetemos à Sua vontade.

Nossa vida está cercada de coisas do passado que nos envergonham, sim, e pior, somos acusados por gente que só vê e escuta em nós as notas erradas, mas que nunca nos procura para nos ajudar a corrigir aquelas notas tortas com amor e com a eficácia espiritual que apenas o Evangelho puro de Cristo Jesus possibilita. Nós também agimos assim com os outros e conosco mesmos.

Perdoe. Perdoe-se. Aceite o perdão da cruz, que já está dado desde antes da fundação do mundo, e que cobre todos os seus pecados, sejam eles passados, presentes e até mesmo os futuros. Basta apenas que você creia nisso, arrependa-se, confesse e deixe que o software divino corrija as suas notas, suas desafinações, seus vacilos. Amém!

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 23/Abril/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 23/Abr/2015.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: quarta-feira, 15 de abril de 2015

Pérolas Esparsas - 13 - ESSENCIAL

ESSENCIAL

15/04/2015

Às vezes, para não dizer sempre, corro o risco de me perder em considerações institucionais, esquecendo-me da religião pessoal. Isso equivale a se ter lei sem graça, obediência sem relacionamento, justiça sem misericórdia, retidão sem amor, obras sem fé, busca da excelência sem perdão, conhecimento sem fruto do espírito, doutrina sem religião, teologia e hermenêutica sem Cristo Jesus.

Em diversas ocasiões, principalmente quando escrevo meus textos ou preparo meus sermões, me descubro examinando detalhes e procurando mil referências em relação a uma passagem das Escrituras, tentando dar um novo enfoque ou interpretação a um velho e “desbotado” versículo bíblico, e esqueço-me que nele mesmo ou ali, bem ao lado, está claro como um dia, pra ser entendido por uma criança, algo muito mais essencial pra minha vida espiritual.

Isso não significa que devemos ignorar coisas como lei, obediência, justiça, retidão, obras, busca da excelência, conhecimento, doutrina, teologia e hermenêutica. Mas, se ignorarmos ou dermos menor atenção a elementos como graça, relacionamento, misericórdia, amor, fé, perdão, fruto do espírito, religião e Cristo Jesus estaremos jogando fora o essencial da vida cristã e correndo sérios riscos de nos perdermos em nossa busca por salvação.

Acredito, sinceramente, que na eternidade teremos pessoas que, nessa vida, nunca souberam o que vinham a ser as leis de Deus ou nunca chegaram a compreensões doutrinárias corretas, mas, será impossível encontrar quem não tenha aceitado a graça de Deus ou manifestado amor genuíno ao seu semelhante.

Tenho pedido ultimamente a Deus pra que eu não viva duas, três, quatro diferentes vidas, mas apenas uma, e que essa seja antenada, plugada, conectada na Videira verdadeira. De modo que ao discutir uma questão teológica qualquer ou praticar uma obra de retidão, eu possa ser identificado claramente, por minhas palavras e posturas, com a mesma pessoa que lá adiante demonstra fé, bondade e amor no trato com o meu próximo.

Como bem disse o Salvador, devemos buscar certas coisas que são essenciais sem omitir outras tantas que também são importantes. E, lembrando sempre, como disse o apóstolo Tiago, que “... a misericórdia triunfa sobre o juízo.” Tiago 2:13 up.

Mário Jorge Lima./ /
São Paulo, 15/Abril/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 15/Abril/2015.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: quinta-feira, 2 de abril de 2015

Pérolas Esparsas - 12 - É PÁSCOA!

É PÁSCOA!

02/04/2015

Sempre gostei dessa data. Eu a acho até mais tocante e significativa que o Natal. Ela, no seu formato judaico, nos lembra a libertação da servidão e da opressão. No seu formato cristão nos lembra o fato principal que sustenta toda a nossa fé: a ressurreição de Cristo Jesus. A ressurreição dos justos, que está no nosso futuro, nos é garantida em função dessa ressurreição de Cristo, e significa a restauração de tudo que perdemos com o pecado, desde o Éden e desde que o mundo é mundo.

Mas eu também sempre fiz uma reflexão paralela sobre esses dias de Páscoa, que já constou de antigos textos meus e que eu repito aqui parcialmente, a respeito dos três dias da, assim chamada, Semana Santa.

SEXTA-FEIRA, chamada de Sexta-feira da Paixão ou Sexta-feira Santa. Foi um dia de trevas, dia de horror, dia de confusão, dia de abandono, dia de angústia e muita tristeza, dia de frustração, de planos não realizados, sonhos acabados. Ali a maldade, a intolerância, a ingratidão e a estupidez humana tiveram o seu ápice, tiveram o seu ponto máximo. Ao vivo e a cores, para todo o universo criado, a violência do ser humano e sua rebelião contra Deus se mostrava de forma chocante e cruel.

Não é assim na nossa vida? Não há momentos em que parece que todas as forças negativas do universo contribuem para o nosso desconforto, a nossa infelicidade? Não vemos saída, não vemos uma porta aberta sequer. São problemas de relacionamentos desfeitos, sonhos abandonados, injúrias sofridas. São dificuldades financeiras, problemas profissionais, desemprego, grandes prejuízos, derrotas pessoais. É a saúde abalada por doenças sérias ou até mesmo terminais, morte na família ou de amigos muito queridos. A lista é muito grande. Há quem já tenha sofrido de tudo um pouco. É a nossa Sexta-Feira da Paixão pessoal.

SÁBADO, chamado de Sábado de Aleluia. Mas, eu o chamaria de Sábado do abandono, da perplexidade. Após toda a angústia e crise da Sexta-feira, agora temos ali um Sábado de terrível silêncio, de medo para os discípulos e amigos de Jesus, de aparente derrota, de desesperança, e pior que tudo, do mais absoluto silêncio de Deus. Parecia que todas as promessas e profecias bíblicas de livramento e triunfo sobre a tirania e opressão tinham falhado. E Deus não disse nada, não fez nada, ficou calado, não interferiu, não evitou aquela tragédia, não salvou Seu próprio Filho do sofrimento e da morte.

Quantas vezes em nossa vida, em meio a nossos problemas e aflições, nossa angústia e nossas necessidades de todo tipo, nos sentimos desamparados, esquecidos, e sem nenhum retorno da parte do Deus em Quem acreditamos. Nossa fé - quando possuímos alguma fé - vacila, nossa esperança acaba, não vemos nenhuma luz, nenhuma saída. E o pior: silêncio total de Deus. Ele parece não ouvir e não responder as nossas orações. Não evita e não nos livra dos males que buscávamos não ter que sofrer ou passar. Duvidamos da Sua existência, ou pelo menos do Seu interesse por nós. Sábado do silêncio, da sepultura, da espera.

DOMINGO, chamado de Domingo da Ressurreição. E foi de fato um dia maravilhoso. A Bíblia chega a dizer que, sem a ocorrência da Ressurreição, seria vã a nossa fé, ou seja, não teria nenhum significado, nenhum valor, nenhuma razão de ser. Jesus, apesar de ter vida em Si mesmo, outorgada pelo Pai, como diz o texto de João 5:26, atendeu a voz do magnífico anjo que, por ordem de Deus veio chamá-Lo da escuridão do inferno para a luz da vida. Essa Ressurreição, na sequência daquele tempo de espera ao longo do Sábado, garante também a nossa futura ressurreição, daqueles que estarão dormindo o sono da morte por ocasião da volta de Jesus.

No paralelo que estamos fazendo com a nossa vida, também temos o nosso Domingo da Ressurreição. É quando, após terrível sofrimento, angústia, medo e desesperança, e sem ouvir ou sentir qualquer retorno da parte de Deus aos nossos pedidos e orações, de repente, a luz surge, a oportunidade aparece, a situação muda, o ânimo reacende, a esperança cresce, as mudanças começam a acontecer, a fé é fortalecida, as coisas começam novamente a fazer sentido.

Então, nascemos de novo! Ressurgimos! Pode ser um renascimento espiritual. Pode ser um renascimento emocional. Pode ser um recomeço profissional. É sempre uma mudança de vida, novos propósitos, novos planos, vontade de viver. De viver pra sempre. FELIZ PÄSCOA! Mário Jorge Lima./ /
São Paulo, 02/Abril/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 02/Abril/2015.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: terça-feira, 24 de março de 2015

Reflexões Sobre a Graça - 19 - DEUS AMOU O MUNDO DE TAL MANEIRA (2)

DEUS AMOU O MUNDO DE TAL MANEIRA (2)

24/03/2015

Esse texto bíblico de João 3:16, amado por toda a cristandade, é um dos pilares da Doutrina da Salvação. Surgiu no decorrer de uma conversa particular entre um Mestre da Lei, Nicodemos, e o Mestre da Graça, Jesus Cristo.

Mas, uma das coisas que mais me fascina nesse episódio é que no momento seguinte, versículo 17, Jesus afirma enfaticamente que Sua missão tinha a ver eminentemente com salvação, não com condenação. Ou seja, a ênfase do Seu ministério era o ato de prover vida eterna e não morte eterna. A condenação à morte eterna seria simplesmente uma decorrência natural e lógica da não aceitação da salvação, da recusa do livramento desta mesma condenação.

Jesus já havia pontuado isso anteriormente a uma multidão de pessoas, entre elas gregos gentios que o haviam procurado, e dito que Sua missão, de fato, era salvar, ainda que as pessoas não cressem nEle:

“Se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgo; porque eu não vim para julgar o mundo, e sim para salvá-lo.” João 12:47.

Se você lê, de igual maneira, também o versículo seguinte, entenderá que o julgamento com condenação é consequência natural da recusa dessa salvação graciosamente oferecida, e não um propósito de Deus. Ou seja, a Divindade está totalmente comprometida com o propósito de salvar e não de condenar e destruir o ser humano.

Querem mais uma prova disso? Há muitas. Jesus afirmaria mais tarde que o fogo eterno foi feito não para o ser humano, mas “para o diabo e seus anjos” (Mat. 25:41). Olha que pavor e medo você tira da sua cabeça ao ler isso! Agora, é com você, com a atitude que você tomará diante da transgressão e do erro.

Para finalizar, veja esse conhecido incidente do ministério de Cristo Jesus. Ele havia saído da tentação no deserto e voltava para Nazaré, onde tinha sido criado. Era um Sábado, Ele entrou na sinagoga e lhe deram o livro do profeta Isaías, onde achou uma profecia messiânica que dizia exatamente o que Ele viera fazer no mundo. Ali Ele declarou ao mundo qual era a natureza de Sua missão, e instalou o Reino da Graça. Está em Lucas 4:18-19.

Se você comparar esse texto com a profecia dada muitos séculos antes (Isaias 61:1-2), verá que lá em Isaías há uma frase que Jesus não citou quando leu o rolo do livro, e que dizia que Ele também apregoaria “o dia da vingança do nosso Deus”. Ele parou na frase “o ano aceitável do Senhor”. Por que seria?

Jesus não veio enfatizar o dia do juízo, da vingança, da destruição. É certo que esse dia também chegará, a critério e propósito exclusivamente de Deus. Mas, a missão de Jesus era, e a nossa também é, destacar na pregação ao mundo, não que a porta da graça está a se fechar, mas, dizer que a “graça se manifestou salvadora a todos os homens” (Tito 2:11), e está aí, plena, abundante, para quem quiser aceita-la.

Até mesmo uma criança, a quem o Reino de Deus é dedicado, entende isso com facilidade. Aprecie esse pequeno vídeo e fique na paz que excede todo o entendimento.

www.youtube.com/watch?v=5beoRa_HR8o

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 24/Março/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 24/Mar/2015.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: quinta-feira, 5 de março de 2015

Pérolas Esparsas - 11 - FANTÁSTICO!

FANTÁSTICO!

05/03/2015

Meia-noite. Descendo da edícula nos fundos da minha casa, onde trabalho, olho pra cima e vejo um céu lindo com uma lua esplendorosa. Há um outro pontinho bem brilhante, que eu soube ser o planeta Júpiter em grande aproximacão por esses dias. E pensar que nossa galáxia, que é formada de bilhões e bilhões desses astros luminosos, é apenas uma entre bilhões e bilhões de outras galáxias! E mais ainda, que o universo está em expansão! Não poderia ser de outra forma, uma vez que a principal atividade de seu arquiteto é criar. Temos um Deus Criador!

Fotografei com o Ipad que tinha em mãos, e não tive como não sentar na escada e ficar alguns minutos solene e silentemente olhando para essa cena fantástica, sobressaindo por entre os prédios dessa São Paulo quase sempre poluída e acinzentada.

O sentimento que tenho agora é de indescritível pequenêz. Mas, sinto também um misto de muitos outros, e entre eles gratidão e reverência plena, por um Deus que É. Só me faltou ouvir como fundo dessa cena o amigo Mauro Lobo tocando ao órgão a Tocata e Fuga em Ré, de Bach.

Quando olho para o céu e reflito sobre o Grande Eu Sou, vejo como são acanhadas e ridículas nossas picuinhas pessoais, nossas briguinhas, vaidades, arrogância, intransigências, em casa, no trabalho, na igreja, na vida.

Mesmo com problemas a resolver e dificuldades a vencer, estou indo dormir em paz. Espero dentro de algumas horas acordar mais uma vez e continuar ainda no palco desse show que é a nossa vidinha, que se não é fantástica é pelo menos instigante e esperançosa. E durmo com o pensamento no poético Salmo de Davi, 8:3-4:

"Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste, que é o homem mortal para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites?"

Mário Jorge Lima./

Postado em: sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Pérolas Esparsas - 10 - ORAI UNS PELOS OUTROS

ORAI UNS PELOS OUTROS

27/02/2015

Essa semana um querido tio meu foi internado às pressas no Rio de Janeiro. Soube hoje também, aqui no bairro onde moro, de um senhor que me prestou bons serviços há algum tempo, e faleceu depois de muito sofrimento. Sei de muitos casos, de pessoas conhecidas e do meu relacionamento, que estão com problemas de saúde, uns passando por cirurgias delicadas, alguns até desenganados. Não sei se minha percepção está correta, mas acho que nunca tive tantas pessoas à minha volta com tantos problemas sérios de saude, nunca tantas pessoas à minha volta sofreram tantas perdas como nesses últimos tempos.

Na realidade, este é o tempo para orar, e orar muito. Se há um tempo em que a prece deve ser ferramenta de utilização constante e intensa na vida do cristão, esse tempo é agora. A oração tem, entre muitos outros, também o papel de nos colocar em sintonia com a vontade de Deus e nos acalmar. Ela traz conforto e paz interior, coloca-nos na solitude do contato íntimo com o Criador.

E a oração intercessória é outro instrumento para demonstrarmos, em meio aos nossos próprios problemas, um pouco de desprendimento, bondade, amor cristão e interesse pessoal, uma vez que deixamos de olhar para o nosso próprio mundinho e passamos a enxergar que à nossa volta há um mundo bem maior de pessoas carentes, assim como nós, precisando de ajuda de todo tipo, principalmente espiritual.

Nunca fui de pedir a alguém que orasse por mim por achar que a oração daquela pessoa é mais preciosa e aceita por Deus do que a minha. Deus ouve igualmente as orações de todos os que O buscam. Mas, é muito prazeroso saber que somos motivo das preocupações espirituais de alguém. A oração intercessória, com certeza, cumpre esse papel de comunidade, de igreja, e segue a recomendação de Tiago 5:16. Foi quando orava pelos seus amigos que Jó obteve de Deus a resposta para os seus proprios problemas (Jó 42:10). Quando destruiu Sodoma e Gomorra, foi da súplica de Abraão acerca de Ló que Deus lembrou, e, assim, livrou Ló da ruína (Gen. 19:29).

Dois fatos me emocionaram ontem. Pela manhã, um amigo de Rio das Ostras-RJ, Wanderson Figueiredo, me escreveu dizendo que está orando por mim e por minha família. Interessante que, embora as famílias de nossos pais e avós se conheçam e sejam amigas há mais de meio século, não tenho tido com o Wanderson um contato pessoal próximo. Saber que ele ora espontaneamente por mim fez o meu dia melhor. Obrigado, meu irmão, passei a orar por você e sua querida família também.

E o outro fato foi esse video, cujo link está no final dessa postagem. Nas ruas de New York um menino morador de rua ficou duas longas horas, com temperatura abaixo de zero, se contorcendo no frio. Ninguém parou para ajudá-lo. Alguns até diminuiram o passo para olhar para ele, mas ninguém fez efetivamente nada. A única pessoa que se aproximou dele, depois desse tempo todo, tirou o próprio casaco e vestiu nele, abraçou-o, conversou com ele e até lhe deu algum dinheiro, foi exatamente um outro morador de rua. E mais significativo ainda, por estar na terra de Tio Sam, este era um homem negro ajudando aquela criança branca. Um moderno e pobre samaritano.

O interesse pelo próximo, seja para orar por ele, seja para atendê-lo em suas necessidades básicas, faz parte do que chamamos Ministério da Bondade. Há pessoas que jamais se interessarão por um contato evangelístico ou doutrinário, mas, se enternecerão até a última célula, por um ato desinteressado e espontâneo feito em seu favor. Essas ações farão mais pelo Evangelho do que dezenas de sermões.

Peçamos a Deus fartas doses desse desprendimento, que nos faça acordar nas madrugadas para orar por nossos amigos e até mesmo inimigos, se os tivermos. Que nos faça dar daquilo que não temos. Que nos faça gastar tempo numa visita, num telefonema, enviando um torpedo ou email de interesse real. Até porque, naquela cena simbólica narrada por Jesus, de separação dos bodes e ovelhas, Jesus não nos perguntará sobre nossas crenças e comportamento, mas, sim, o que fizemos em prol do seus pequeninos.

E antes que alguém pense que estou ensinando justiça própria ou salvação por obras, não é disso que estou falando, mas sim, do fruto do Espírito, entre cujos gomos encontramos coisas do tipo: amor, benignidade e bondade.

Mário Jorge Lima./

www.olhaquevideo.com.br/video/3599/um-cara-passa-frio-por-duas-horas-ate-que-acontece-algo-magico

Postado em: domingo, 22 de fevereiro de 2015

Reflexões Sobre a Graça - 18 - DEUS AMOU O MUNDO DE TAL MANEIRA (1)

DEUS AMOU O MUNDO DE TAL MANEIRA (1)

22/02/2015

Nunca entendi o amor de Deus. Aceito-o e me fortaleço nele, mas sem compreendê-lo. Com minha mente degenerescida por seis milênios de pecado seria de fato uma grande petulância querer perceber as minúcias do sentimento que moveu o Criador na direção da criatura.

O que leva um Deus perfeito, santo e infalível a declarar justos seres humanos absurdamente pecadores?

O que leva um Deus perfeito, santo e infalível a considerar limpos, como se nunca houvessem pecado, pessoas que na realidade estão carregadas de culpas e erros?

O que leva um Deus perfeito, santo e infalível a justificar um pecador, baseado apenas num ato de fé, independente de qualquer boa obra que ele tenha praticado?

O que leva um Deus perfeito, santo e infalível a atribuir a um homem pecador todos os méritos, justiça e obediência de um Santo, Seu único Filho?

Graça! Graça plena, maravilhosa, abundante e, sob todos os aspectos, incompreensível!

Se reuníssemos todo o conhecimento teológico do mundo a respeito desse assunto, ainda assim, estaríamos apenas arranhando a superfície do que ele vem a ser. Será nosso tema de estudo e de júbilo por toda a eternidade.

Revigore-se com essa certeza para enfrentar - talvez já esteja enfrentando - uma semana dura, com todos os seus riscos e mazelas, mas também com alegrias e vitórias em Cristo Jesus.

E agora, coloque seu fone de ouvido, ajuste o som, feche os olhos, e mentalize esse amor infinito ouvindo "God So Loved the World" da Cantata "A Crucifixão", de Sir John Stainer, com o Mormon Tabernacle Choir, uma das peças mais lindas que já ouvi na música sacra.

https://www.youtube.com/watch?v=ihx_5aFK0cY

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 22/Fevereiro/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 22/Fev/2015.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Pérolas Esparsas - 09 - A NAÇÃO DA CRUZ

A NAÇÃO DA CRUZ

19/02/2015

Todos que estão atualizados com o noticiário em qualquer tipo de mídia acompanharam o drama terrível daqueles 21 cristãos coptas egípcios que foram mortos por decapitação bárbara e chocante pelos guerrilheiros do chamado Estado Islâmico. Algo que trouxe repulsa ao mundo todo, e tenho certeza de que nossos irmãos islâmicos verdadeiros devem sentir doer em suas próprias almas aquela carnificina, entristecidos e envergonhados que estão por ver sua crença confundida com aqueles assassinos.

Os coptas são descendentes dos antigos egípcios, que se converteram ao cristianismo no I século, formam atualmente 10% da população egípcia e são tratados como cidadãos de segunda classe. 90% dos cristãos coptas pertencem à Igreja Ortodoxa Copta. Os 10% restantes se dividem entre a Igreja Católica Copta e a Igreja Protestante Copta.

Longe está desse texto qualquer intenção de ideologizar ou politizar aquele fato de terror, penso que não temos o direito de teorizar friamente em cima de um crime tão hediondo que marcou para sempre diretamente as vidas de vinte e uma famílias como a minha e a sua, bem como todo um país.

Eu cheguei a ver o vídeo preparado pelo EI, com requintes de produção e vinhetas, e que retratou toda a caminhada que os algozes fizeram com suas vítimas até chegarem a uma praia tranquila do Mar Mediterrâneo, onde a execução se deu, após a leitura de textos, ameaças, cânticos e palavras de ordem. Vídeo estarrecedor, cujo título era "Uma mensagem assinada com sangue para a nação da cruz". Confesso que na hora "H" fechei os olhos, tão estupefato fiquei com tudo aquilo, vendo depois apenas a finalização do vídeo, com as suaves marolas na praia tingidas pelo sangue daqueles mártires. Mas duas coisas me chamaram a atenção e me levaram a esta reflexão.

Uma delas, e foi a que mais me impressionou, foi a firmeza e aparente tranquilidade e ausência de medo com que caminharam para a morte, lado a lado com seus carrascos, sem tropeçar, sem tentar atrasar a marcha, sem chorar ou demonstrar desespero.

Eram todos homens relativamente novos, fortes, e independente do que seguramente lhes ia na alma naquele instante, cumpriram um bonito papel que confirmava sua propalada fé. Nem mesmo quando lhes foi ordenado que se ajoelhassem para o ato final houve algum que hesitasse.

Soube depois que ali só havia vinte, não sei se um deles renunciou, se foi poupado ou se já havia sido morto antes. Também não cheguei à mórbida atitude de contá-los. Foi divulgado depois que um deles, focado em close, disse como sua última palavra pronunciada o nome de Jesus, enquanto outros recitavam orações.

E o outro detalhe que me tocou muito foi que os carrascos denominaram aqueles mártires bem como os fiéis de sua crença como a Nação da Cruz. Penso que não poderiam ter escolhido melhor qualificativo para quem conscientemente abraça o evangelho puro de Cristo Jesus. Imediatamente veio-me à mente o texto de Marcos 8:34:

"Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.". E Lucas 9:23 diz assim: "... tome dia a dia a sua cruz e siga-me."

É isso mesmo que somos, ou pelo menos deveríamos ser, todos nós cristãos, independente das diversas denominações em que tristemente nos fraccionamos: a Nação da Cruz, com nossa carga diária de responsabilidades com essa designação.

Fico pensando que muitas vezes vivemos nossa opção religiosa numa espécie de euforia sem fim, embalados por momentos de exaltação ruidosa, sem reflexão maior em relação ao mundo e à hora que vivemos, e nessas ocasiões nos parecemos muito pouco com a Nação da Cruz.

Antes que alguém diga que o cristão deve ser alegre, feliz, radiante, não precisa viver fechado, deprimido e sorumbático, eu quero dizer que concordo, claro, e não é disso que estou falando. O que quero trazer à reflexão - e ninguém precisa concordar comigo - é que nosso chamado para viver uma vida abundante, plena de antegozo pela glória que um dia teremos, é também, e talvez até antes de tudo o mais, um chamado para carregar uma cruz.

Além disso, Jesus não nos pediu que carregássemos a Sua cruz, como erradamente às vezes pensamos, Ele pediu que cada um carregasse a sua própria cruz, as suas próprias mazelas, fizesse as suas próprias renúncias e escolhas. E é claro que Ele não nos deixará fazer isso sozinhos, entregues à nossa própria sorte. Como Pai amoroso, caminhará conosco todas as milhas necessárias, e também nos concederá alegrias e momentos de puro júbilo ao longo do caminho.

Não acho que Jesus tenha levado aqui uma vida entristecida e infeliz, imaginem se essa seria a Sua postura, por exemplo numa festa de casamento. Mas, a importância e seriedade de Sua missão de tirar o pecado do mundo, certamente O conduziu muitas vezes a momentos de angústia e lágrimas.

E embora não haja na Bíblia relatos em que tenha sido visto sorrindo, há pelo menos um momento em que Ele manifestou alegria no Espírito Santo. Está mencionado em Lucas 10:21, e a razão daquela alegria tinha tudo a ver com Sua missão: foi por ver o fruto do trabalho de evangelização feito pelos 70 que havia enviado, após haverem afrontado o reino das trevas, e por saber que aquilo significava a vitória do reino de Deus:

"Naquela mesma hora, se alegrou Jesus no Espírito Santo e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos.".

Chego a imaginar Jesus com o rosto radiante, vislumbrando "Satanás caindo do céu como um raio", como narra o texto bíblico, saltando e socando o ar naquele gesto conhecido pelos jovens e dizendo, alto e bom som: "YES. Era isso que eu esperava desses discípulos que Me deste, Pai. Muito obrigado!"

Espiritualmente somos "... a raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz." I Pedro 2:9.

Que privilégio e responsabilidade! Vamos, pois, viver nossa vida temporal, apreciando e desfrutando as bênçãos que Deus em Seu propósito nos der, mas sabendo e nunca perdendo de vista, que somos, acima de tudo, a Nação da Cruz!

"Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo.". Gal. 6:14.

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 19/Fevereiro/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 19/Fev/2015.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Pérolas Esparsas - 08 - ALEGRIA E LIBERDADE!

ALEGRIA E LIBERDADE

13/02/2015

Hoje, já sexagenário, como cristão que aguarda o advento de Cristo Jesus, tenho uma visão sobre a Lei de Deus absolutamente mais graciosa e feliz do que até poucos anos atrás. Cresci num ambiente espiritual edificante, meus pais eram egressos de um movimento adventista que primava por uma pregação severa da observância às Dez Palavras, ou Decálogo, como gosto de chamar a Lei de Deus. Amava e amo a vontade expressa de Deus, mas, confesso que sempre senti uma pressão muito grande em buscar guarda-la com uma perfeição jamais atingida por mim nem por ninguém, o que sempre me incomodou e privou da alegria de me sentir salvo em Cristo Jesus.

Após um período de desencontros eu descobri os meandros da Graça de Deus, a qual confere à Lei o seu lugar de proeminência na vida cristã, mas, tira dela qualquer papel salvífico, ou seja, de meio de salvação ao qual deva me agarrar de forma sofrida e desesperada. Como Paulo diz em I Tim. 1:8: “Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela se utiliza de modo legítimo”.

E a maneira legítima de nos utilizarmos da Lei de Deus é enxerga-la como um código de amor, como comandos relacionais, muito mais do que comportamentais. Sem relacionamento com o Legislador não haverá a paz e a alegria na observância da Lei, que o salmista Davi tanto cantava. Ou temos o espírito dos seus mandamentos impressionando o nosso coração ou ela não nos servirá de muita coisa. Assim acabaremos como exegetas raivosos, policiando a nós e aos nossos irmãos, ao invés de cristãos agradecidos e submissos à vontade de Deus de forma voluntária e feliz.

Se você observar, verá que a Lei de Deus não começa com o primeiro mandamento, como erradamente tem sido grafada e desenhada ao longo dos séculos. A Lei tem um belo preâmbulo, um prefácio, que nos lembra o que Deus primeiro fez, tirando-nos de uma condição de servidão, de escravidão, para só então aguardar a nossa resposta ao seu ato de libertação.

E esse prólogo é a prova maior de que a Lei de Deus é uma peça de liberdade e não de opressão e peso. Ele não iria, em Sua provisão amorosa, nos libertar, para em seguida nos escravizar novamente. Não iria tirar você de uma escravidão no Egito da vida para em seguida escraviza-lo a mandamentos pesados e sufocantes. Isso seria ver na Lei um Deus libertador, que escreveu aquele prólogo, e um Deus escravizador, que escreveu em uma série de “Nãos” opressores e restritivos.

Quando descobre e aceita o evangelho de Cristo Jesus você se torna livre. Livre para fazer agora também a vontade de Deus, porque livre pra fazer a sua própria vontade você sempre foi, desde o Éden. Esse é o verdadeiro sentido da liberdade e da alegria que o evangelho traz.

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 13/Fevereiro/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 13/Fev/2015.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: domingo, 8 de fevereiro de 2015

Reflexões Sobre a Graça - 17 - SINCERIDADE E VERDADE

SINCERIDADE E VERDADE

08/02/2015

Se eu, sendo cristão, estudar a minha Bíblia com oração e com sinceridade, e descobrir algo que de modo consciente venho a compreender e aceitar como verdade, só me resta uma única alternativa: passar a viver em função daquela verdade e com aquele entendimento na minha mente e no meu coração.

Se não o fizer, ou deixo de ser sincero ou, de fato, não creio naquilo que descobri. Não há uma outra hipótese. Essa é uma escolha pessoal, ou seja, decidir se daí pra frente viverei um cristianismo coerente, ou se conviverei com uma condição de falta de sinceridade ou ausência de fé.

A boa nova é que ainda assim a graça me cobre de modo incondicional. A oferta da graça não cessa, estará sempre, dadivosa e disponível à espera da minha atitude e da minha resposta.

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 08/Fevereiro/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 08/Fev/2015.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Pérolas Esparsas - 07 - HONRA TEU PAI E TUA MÃE

HONRA TEU PAI E TUA MÃE

06/02/2015

Enterneço-me sempre que penso nos meus pais. Perdi meu pai quando eu tinha apenas dez e ele trinta e cinco anos de idade. Tirando os anos da minha mais tenra infância, foi muito pouco o tempo que tivemos juntos. Mas, foi suficiente para que eu o ame até hoje como se sempre tivesse estado ao meu lado. Legou-me coisas lindas como a religiosidade e espiritualidade que hoje tenho, seu amor pela arte e uma certa habilidade com as palavras, tanto poesia como prosa. Minha mãe morreu já bem mais tarde, viveu até os setenta e seis anos de idade, e foi mãe e pai para mim e minha irmã, consolidando em nós aquilo que hoje possuímos de amor às coisas de Deus.

Quantas vezes, ao longo da minha já sexagenária vida, precisei e quis ter um abraço e beijos paternos, alguém humano a quem pudesse chamar de pai, com quem pudesse chorar minhas mazelas, aconselhar-me e aprender a viver. Quantas vezes desejei ouvir meus dois velhinhos orando por mim, ou esperando-me chegar com a família, num domingo, para almoçar, ou ainda comemorando aniversários, brincando e mimando suas netinhas. São coisas sem preço que não vivi e não viverei.

O mandamento divino que nos ordena honrar pai e mãe é o primeiro do grupo que foca nosso relacionamento com nossos semelhantes. Isso já coloca nossos pais numa posição de proeminência sobre todas as demais pessoas que nos cercam. Honrar tem diversos significados, mas, um deles, certamente, há de ser colocá-los no lugar que merecem, à nossa mesa, na nossa casa e na nossa vida.

Além disso é um mandamento diferente de todos os demais. Leis são conjuntos de regras, além de penas e condenações associadas ao não cumprimento dessas regras. Mas, na Lei de Deus, o quinto mandamento foge a isso ao conter nada mais nada menos que uma promessa de vida, e vida abundante.

Outro dia vi o vídeo de uma entrevista do maestro e pastor Williams Costa Jr., meu amigo de muitos anos, em que uma de suas filhas lhe disse o que, pra mim, representou a maior homenagem que um filho cristão poderia prestar a um pai também cristão. Carolina Costa falou assim ao pai: "Eu adquiri o costume de consulta-lo antes de tomar uma decisão. Muitas vezes eu oro e vou pedir o seu conselho, sabendo que você é um homem de Deus e o que você falar provavelmente é a vontade dEle pra mim."

Carol foi na direção do cerne do quinto mandamento. Não há maior honra para um pai ou uma mãe tementes a Deus do que ter os seus conselhos e orientações aos filhos considerados como sendo a indicação da vontade de Deus para eles. De certa forma, os pais responsáveis e conscientes, estão sim, como representantes de Deus para seus filhos. Efe. 6:1.

É bem verdade que, assim como há filhos desobedientes, rebeldes, ingratos, há também pais que fugiram completamente ao seu dever e às suas responsabilidades diante dos filhos e da família. Esses filhos e pais se desviaram do plano de Deus, mas essa é uma outra história.

Apresentar um dia a Deus os nossos filhos, dizendo a Ele as palavras bíblicas de Is. 8:18, "Eis-me aqui, com os filhos que me deu o Senhor", deve ser o sonho e objetivo de cada pai e mãe cristãos. Pela graça de Deus, somente pela graça de Deus, meus pais poderão dizer isso, e eu também espero e creio que o farei. Sem essa perspectiva linda e abençoada, confesso, o céu perde muito do brilho pra mim.

Cristo deu-nos o exemplo, honrando e submetendo-Se a Seus pais terrenos, assim como honrou e submeteu-Se aos propósitos de Seu Pai celestial. Em um mundo hediondo, onde pais e filhos se tornaram elementos de um conflito cruel, minha oração diária é que nossos filhos e filhas, assim como nós pais, adquiramos a noção exata do quanto Deus nos ama e do quanto espera que honremos essa relação pais-e-filhos, indissolúvel, e que será também eterna

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 06/Fevereiro/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 06/Fev/2015.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Pérolas Esparsas - 06 - SÃO PAULO FORA D'ÁGUA

SÃO PAULO FORA D'ÁGUA

02/02/2015

Maior cidade da América do Sul, sétima maior do mundo, mais de 11 milhões de habitantes, 450 anos de existência, motor comercial e industrial do país. Carioca que sou, posso dizer, após 22 anos morando aqui, que amo São Paulo, que me propiciou três das cinco filhas que tenho, da mesma forma que amo o Rio de Janeiro, minha cidade natal.

Hoje li uma reportagem chocante em que um diretor da SABESP, com carreira desenvolvida dentro dessa companhia estadual, empenhou sua idoneidade e respeitabilidade pessoal e profissional, talvez até a própria carreira, ao dizer: "Saiam de São Paulo porque aqui não vai ter água." Vejam a matéria lá embaixo

Até gostaria de acreditar que possa haver algum exagero nessa corajosa afirmação, mas, quem vem acompanhando há alguns meses as idas-e-vindas desse seríssimo problema, saber ser essa uma realidade cada vez mais presente. Temos visto também a dissimulação e posturas escorregadias e irresponsáveis dos líderes políticos desse Estado. E sabemos que isso é realidade também em outros lugares, como Rio de Janeiro, Minas, até Manaus. E é uma pena que, algo que já acontece no Nordeste há décadas (que nos diga o Velho Chico), só tenha alarmado a nação quando atingiu o Sudeste maravilha.

E não é nem caso de procurar responsáveis, tipo "caça às bruxas", pois as bruxas e bruxos, além de muitos, se espalharam por pelo menos quatro das últimas administrações estaduais e federais. É caso, sim, de reunir as melhores cabeças pensantes e técnicas desse País, e procurar soluções. Soluções essas que vão cortar na nossa carne, mas que, se não forem clara e destemidamente expostas à população, não contarão com o apoio e participação da mesma, o que acelerará ainda mais o processo de ruína.

Permitam-me aqueles que não são religiosos, abrir parênteses para 4 textos bíblicos proféticos, escritos há milênios, que já previam situações caóticas assim. E vejam a clarividência do texto bíblico:

"Como geme o gado! As manadas de bois estão sobremodo inquietas,porque não têm pasto; também os rebanhos de ovelhas estão perecendo." Joel 1:18.

"A terra geme e desfalece; o Líbano se envergonha e se murcha; Sarom se torna como um deserto, Basã e Carmelo são despidos de suas folhas." Isaias 33:9.

"Geme, ó cipreste, porque os cedros caíram, porque as mais excelentes árvores são destruídas; gemei, ó carvalhos de Basã,porque o denso bosque foi derribado." Zacarias 11:2.

"Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora." Romanos 8:22.

Fiquemos atentos, mas também esperançosos. Temos Alguém controlando essa história, e que agirá segundo os Seus propósitos. Essa é apenas uma parte das mazelas desse planeta.

Aproveito para pedir orações por Patrícia Iglecias, irmã e amiga querida de nossa IASD em Moema-SP, recém eleita secretária Estadual de Meio Ambiente aqui no Estado de São Paulo. Patrícia, assim como José no Egito, tem a tarefa quase impossível de administrar a escassez. Que Deus lhe dê discernimento, competência, espiritualidade e comunhão com Ele, para que, infensa à corrupção que assola todos os níveis administrativos dessa nação, possa ser um exemplo e ser usada em benefício do povo, não apenas paulista, mas de todo o país.

Com confiança, com alegria e certeza da salvação pela graça de Cristo Jesus, aguardemos o desenrolar dos acontecimentos, mas de forma ativa, colaborando de todas as maneiras possíveis, dentro das nossas esferas de atuação, o que, sem dúvida, começa nas nossas casas.

Feliz Semana!

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/saiam-de-sao-paulo-porque-aqui-nao-vai-ter-agua-a-espantosa-sinceridade-de-um-diretor-da-sabesp/

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 02/Fevereiro/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 02/Fev/2015.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Pérolas Esparsas - 05 - MUITO ALÉM DO SOL

MUITO ALÉM DO SOL

16/01/2015

Não sou "profeta do apocalipse", nunca fui. Quem me conhece sabe que, definitivamente, não é esse o meu perfil de crente. Sempre procurei viver minha religião com equilíbrio, buscando usufruir da graça de Deus estendida a todos os homens. Sempre procurei extrair da vida cristã todo o potencial de alegria e bem-viver que ela pode nos dar aqui e agora, embora sem perder de vista nosso destino eterno. Sou uma pessoa do meu tempo. Costumo dizer que nasci em meados do século passado, mas não vivo lá.

Mas, vendo o que está acontecendo atualmente no mundo, a progressão das doenças de todo tipo, físicas e emocionais, o aumento desmesurado da violência, maldade, desamor, criminalidade, desemprego, fome, terrorismo sanguinário, tragédias naturais, destruição do planeta, desabastecimento, escassez de água e de energia, desgoverno e perplexidade na maioria dos países, corrupção arraigada em todos os níveis da sociedade, relacionamentos humanos em crise, inversão total de valores, desconstrução da família, chega-se de modo fácil à constatação de que o problema desse mundo não é apenas econômico, político, social, moral, mas, principalmente, espiritual.

E é difícil não enxergar que desabam as estruturas criadas pela humanidade ao longo dos séculos e aumenta o vazio no coração do homem, provocado pela ausência de esperança e pelo esgotamento das soluções possíveis. Crescem as igrejas, cresce o número de religiões, crenças, filosofias e misticismo, mas, diminui e cada vez mais ficam em frangalhos a espiritualidade e a fé.

Além disso, perdemos pessoas queridas, cada vez com maior frequência, quase todos os dias. Sabemos que a vontade de ficarmos livres desse sofrimento não deve ser a nossa maior motivação para ver a Jesus, mas, não aguentamos mais. É perfeitamente humano e compreensível querer que isso tenha fim.

Profecias? Sim, creio nisso. Há na maioria das religiões escritos proféticos que há milênios vislumbram essa situação de caos. Falando como cristão que sou, a Bíblia encontra-se plena dessas referências, e devemos estudá-las para estar atentos, sem medo, de forma desassombrada, com equilíbrio e a confiança de que, por trás de todas elas há um Deus que controla a história e que a levará a um final ideal e feliz.

Portanto, vivamos nossas vidas com toda a alegria de que formos capazes, seguros na mão do Deus da história. É bom ter religião institucional, adorar em comunidade, crer na doutrina certa, mas isso não é suficiente e nem garante a salvação de ninguém. Há que aceitar na vida a graça multiforme de Deus e desenvolver religião pessoal, comunhão, relacionamento, que se traduz em estudo da Palavra, oração e serviço de amor ao próximo.

Não importa quanto tempo ainda falta, Deus conhece a plenitude do tempo, mas, um dia, assim creio - e respeito quem não crê - olharemos para o céu e veremos lá o sinal do Filho do Homem. Teremos de volta nossos queridos, pois a ressurreição está garantida. Iniciar-se-á um nova era de paz e felicidade.

Enquanto isso não acontece, compete-nos trabalhar, fazer nossos projetos e planos, tocar nossas vidas, vencer nossas lutas, superar ou conviver com nossas mazelas e misérias, amar e ser amados, amadurecer, envelhecer e morrer morte temporal, seguindo a ordem natural das coisas, até que algo de sobrenatural aconteça e esse ciclo se interrompa para um novo começo de todas as coisas. Mas, devemos fazer tudo com a vista firmada muito mais além, muito além do sol, muito além das estrelas e galáxias, de onde esperamos, um dia virá o Senhor.

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 28/Janeiro/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 28/Jan/2015.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Reflexões Sobre a Graça - 16 - PENA DE MORTE: A BÍBLIA É CON

PENA DE MORTE: A BÍBLIA É CONTRA?

22/01/2015

Esse já está se tornando um assunto requentado, e eu havia escrito isso na semana passada, então, resolvi publicá-lo essa semana, na sequência das minhas Reflexões Sobre a Graça.

As execuções na Indonésia excitaram esse assunto nas Redes Sociais ao extremo. Pessoalmente, sou contra a pena de morte. Sempre fui, e acho que sempre vou ser, não faz parte da minha índole. Não critico quem seja favorável, as pessoas são livres pra se posicionar da forma que quiserem, mas não atingi patamares emocionais a partir dos quais eu possa ver essa questão com a simplicidade com que muitos cristãos, incluindo pastores e líderes religiosos, vêem e aceitam.

A questao posta acima é objetiva, dura, e exige uma resposta objetiva e que pode também ser dura, à qual não vou me furtar. A Bíblia não apoia que um indivíduo mate o seu semelhante, e contra isso a Lei de Deus é bem clara e taxativa: Não matarás! Mas ela, de certa forma, dá suporte, sim, a políticas de Estado que imponham a pena de morte, principalmente contra crimes que atentem contra a vida humana, um dom divino. Em Deuteronômio 7, em I Samuel 15 e em várias outras ocasiões na história do povo de Israel, assim como em episódios protagonizados por figuras como Davi e o profeta Samuel, encontramos essas situações absolutamente estranhas para nós. A própria ocorrência do Dilúvio, da matança dos primogênitos no Egito e o vindouro juízo final (contra a opinião dos universalistas), mostram que esses momentos absurdamente dramáticos ocorreram e ocorrerão.

Muitos cristãos que são favoráveis à pena de morte, para fundamentar a sua forma de pensar, usam aqueles exemplos bíblicos do passado, em que havia ordens divinas claras para exterminar povos inteiros que, no critério de Deus, já haviam excedido a medida da sua malignidade. Mas, costumam ignorar que entre essas ordens duras havia também uma clara e explícita, e que não fazia parte de nenhuma lei cerimonial, para eliminar aqueles que transgredissem o Sábado (Ex. 31:13-14), ordem essa que pelo menos em um incidente conhecido foi cumprida (Num. 15:32-36). E hoje ninguém, nem mesmo o judeu mais ortodoxo e radical, consideraria sequer a idéia de que isso seja válido. Certamente, devemos entender que havia circunstâncias que eram temporárias e não deveriam se perpetuar.

A pena de morte, pois, é uma questão de Estado. A igreja, como instituição religiosa, não tem que se meter em definir essa posição, e penso que o melhor mesmo é fazer como muitas, incluindo a minha, fazem: não têm posição oficial sobre esse assunto. Até porque as opiniões são muito divididas e somos livres para assumir qualquer posição. Isso pode ser tomado como ficar "em cima do muro". Pode ser, mas, a igreja não tem que legislar sobre assuntos dessa natureza, assim como também não deve condenar ou censurar quem pense de uma forma ou de outra.

Pessoalmente - e esta é a opinião apenas minha, que não tem muito valor para outrém a não ser para minha própria família (assim espero - rsrsrs) - prefiro ver essa questão sob a ótica de tempos mais graciosos e plenos de misericórdia. Assim como a graça me permite auferir benefícios aos quais não tenho o menor direito e não mereço, a misericórdia me livra de ser tratado na medida exata dos meus erros e de receber o castigo que mereço.

Davi, um dos maiores beneficiários da graça de Deus de que se tem notícia, já cantara no seu Salmo 103:

"[Deus] Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniqüidades. Pois quanto o céu se alteia acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem. ... Como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece dos que o temem. Pois ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó."

Isso é graça. E agora, parodiando a frase do momento, digo aqui sem constrangimentos: JE SUIS DAVI. Se Deus nos tratasse na razão direta dos nossos erros não subsistiríamos, viraríamos poeira cósmica.

Penso aqui naquele episódio de Deus anunciando a Abraão a pena de morte para Sodoma e Gomorra. Mesmo em meio àquele anúncio, negociando com Seu amigo, Ele estava disposto a aceitar o arrependimento e conceder o perdão a quantos, não importava a quantidade, genuinamente se voltassem dos seus maus caminhos. Isso era graça, se manifestando mesmo em tempos tão pecaminosos, sanguinários e cruéis.

Embora Deus não mude Seus propósitos, Seu caráter, Suas Leis, eu creio que os métodos e estratégias de Deus para alcançar o homem claramente se modificaram ao longo do tempo. Basta ver, por exemplo, que, no Velho Testamento, se alguém encostasse a mão na arca, morria. Se tocasse a montanha quando Deus estava lá, morria. Se o sacerdote não se paramentasse devidamente ao penetrar no lugar santíssimo, morria. Se alguém transgredisse o Sábado, morria. O judeu sequer pronunciava o nome inefável de Deus, substituindo o tetragrama sagrado YHWH por Adonai. Mas, nos tempos do Novo Testamento, se alguém tocasse o Salvador, era curado. Se tocasse Suas vestes, era curado. Podia deitar a cabeça no seu colo e ouvir o tum-tum-tum do coração do criador do universo. Podia até mesmo bater e cuspir em Seu rosto e furar o Seu lado com uma lança sem cair fulminado. E hoje somos estimulados a chamá-lo, coloquial e carinhosamente, Abba, Paizinho.

Finalizando, como cristão, e apenas como cristão (já que quem não é, não crê em Deus), não tenho que discutir os atos de Deus e nem que aprovar ou desaprovar Seus atos e ordens, mas sim, me submeter a Ele, já que não posso compreendê-Lo. Sua mente é espiritual e eu sou carnal.

Digo e repito, sou contra a pena de morte, mas entendo que não é correto dizer que a Bíblia seja incondicionalmente contra essa prática, que não é uma prerrogativa do indivíduo, mas, do Estado, ao qual devo me submeter, também pelo que diz a própria Bíblia, desde que não atente contra a vontade de Deus. E nós em breve teremos como vivenciar o que isso significa, ninguém perde por esperar.

Há na web vários textos e videos sobre esse assunto, inclusive na Novo Tempo. Pesquisem, consultem e firmem suas conviccões. Às vezes o texto bíblico contraria aquilo que nós apreciaríamos que fosse de uma forma, mas ele mostra que pode ser de outra.

Sem tentar fazer qualquer exercício de interpretação, pois nesses casos acho desnecessário, deixo com vocês os textos abaixo, cheios de graça salvadora, que são um bálsamo e falam muito forte ao meu coração sedento e carente de aceitação e misericórdia, e que espero que confortem também a você, principalmente nesses tempos de cólera e selvageria.

"... A misericórdia triunfa sobre o juízo.". Tiago 2:13.

"Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniqüidade e te esqueces da transgressão do restante da tua herança? O SENHOR não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia." Miq. 7.18

"Acaso, tenho eu prazer na morte do perverso? — diz o SENHOR Deus; não desejo eu, antes, que ele se converta dos seus caminhos e viva?" Eze. 18:23

"Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o SENHOR Deus. Portanto, convertei-vos e vivei." Eze. 18:32

"Dize-lhes: Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que haveis de morrer, ó casa de Israel?" Eze. 33:11.

"O qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade." I Tim. 2:4.

"Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum homem pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento." II Ped. 3:9.

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 22/Janeiro/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 22/Jan/2015.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.