Seja bem-vindo(a) ao meu Blog. Sou Mário Jorge Lima, e abaixo estão textos meus, apresentados como sermões, palestras, ou simplesmente frutos de minhas reflexões pessoais.

Sou pai dessas 5 moças ao lado, Mariana, Isabela, Júlia, Laura e Luíza, a quem amo mais que a mim mesmo. Quando escrevo sobre assuntos espirituais, quando apresento palestras ou sermões, é primeiramente para elas e pensando nelas que estou escrevendo e falando.

Esses textos, atualizados sempre que eu os crio, e para isso não tenho uma periodicidade definida, são o legado escrito que deixarei a elas, sem erudição, sem proselitismo, sem "filosofismos". São as coisas em que de fato creio e pelas quais hoje vivo. Se Deus me der o tempo e a chance necessários, ainda pretendo escrever um livro com estas reflexões. Se não conseguir, elas estarão pra sempre aqui nesse Blog.

OBS: As palestras são organizadas com as mais recentes sempre no Topo.

Postado em: quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Pérolas Esparsas - 05 - MUITO ALÉM DO SOL

MUITO ALÉM DO SOL

16/01/2015

Não sou "profeta do apocalipse", nunca fui. Quem me conhece sabe que, definitivamente, não é esse o meu perfil de crente. Sempre procurei viver minha religião com equilíbrio, buscando usufruir da graça de Deus estendida a todos os homens. Sempre procurei extrair da vida cristã todo o potencial de alegria e bem-viver que ela pode nos dar aqui e agora, embora sem perder de vista nosso destino eterno. Sou uma pessoa do meu tempo. Costumo dizer que nasci em meados do século passado, mas não vivo lá.

Mas, vendo o que está acontecendo atualmente no mundo, a progressão das doenças de todo tipo, físicas e emocionais, o aumento desmesurado da violência, maldade, desamor, criminalidade, desemprego, fome, terrorismo sanguinário, tragédias naturais, destruição do planeta, desabastecimento, escassez de água e de energia, desgoverno e perplexidade na maioria dos países, corrupção arraigada em todos os níveis da sociedade, relacionamentos humanos em crise, inversão total de valores, desconstrução da família, chega-se de modo fácil à constatação de que o problema desse mundo não é apenas econômico, político, social, moral, mas, principalmente, espiritual.

E é difícil não enxergar que desabam as estruturas criadas pela humanidade ao longo dos séculos e aumenta o vazio no coração do homem, provocado pela ausência de esperança e pelo esgotamento das soluções possíveis. Crescem as igrejas, cresce o número de religiões, crenças, filosofias e misticismo, mas, diminui e cada vez mais ficam em frangalhos a espiritualidade e a fé.

Além disso, perdemos pessoas queridas, cada vez com maior frequência, quase todos os dias. Sabemos que a vontade de ficarmos livres desse sofrimento não deve ser a nossa maior motivação para ver a Jesus, mas, não aguentamos mais. É perfeitamente humano e compreensível querer que isso tenha fim.

Profecias? Sim, creio nisso. Há na maioria das religiões escritos proféticos que há milênios vislumbram essa situação de caos. Falando como cristão que sou, a Bíblia encontra-se plena dessas referências, e devemos estudá-las para estar atentos, sem medo, de forma desassombrada, com equilíbrio e a confiança de que, por trás de todas elas há um Deus que controla a história e que a levará a um final ideal e feliz.

Portanto, vivamos nossas vidas com toda a alegria de que formos capazes, seguros na mão do Deus da história. É bom ter religião institucional, adorar em comunidade, crer na doutrina certa, mas isso não é suficiente e nem garante a salvação de ninguém. Há que aceitar na vida a graça multiforme de Deus e desenvolver religião pessoal, comunhão, relacionamento, que se traduz em estudo da Palavra, oração e serviço de amor ao próximo.

Não importa quanto tempo ainda falta, Deus conhece a plenitude do tempo, mas, um dia, assim creio - e respeito quem não crê - olharemos para o céu e veremos lá o sinal do Filho do Homem. Teremos de volta nossos queridos, pois a ressurreição está garantida. Iniciar-se-á um nova era de paz e felicidade.

Enquanto isso não acontece, compete-nos trabalhar, fazer nossos projetos e planos, tocar nossas vidas, vencer nossas lutas, superar ou conviver com nossas mazelas e misérias, amar e ser amados, amadurecer, envelhecer e morrer morte temporal, seguindo a ordem natural das coisas, até que algo de sobrenatural aconteça e esse ciclo se interrompa para um novo começo de todas as coisas. Mas, devemos fazer tudo com a vista firmada muito mais além, muito além do sol, muito além das estrelas e galáxias, de onde esperamos, um dia virá o Senhor.

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 28/Janeiro/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 28/Jan/2015.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Reflexões Sobre a Graça - 16 - PENA DE MORTE: A BÍBLIA É CON

PENA DE MORTE: A BÍBLIA É CONTRA?

22/01/2015

Esse já está se tornando um assunto requentado, e eu havia escrito isso na semana passada, então, resolvi publicá-lo essa semana, na sequência das minhas Reflexões Sobre a Graça.

As execuções na Indonésia excitaram esse assunto nas Redes Sociais ao extremo. Pessoalmente, sou contra a pena de morte. Sempre fui, e acho que sempre vou ser, não faz parte da minha índole. Não critico quem seja favorável, as pessoas são livres pra se posicionar da forma que quiserem, mas não atingi patamares emocionais a partir dos quais eu possa ver essa questão com a simplicidade com que muitos cristãos, incluindo pastores e líderes religiosos, vêem e aceitam.

A questao posta acima é objetiva, dura, e exige uma resposta objetiva e que pode também ser dura, à qual não vou me furtar. A Bíblia não apoia que um indivíduo mate o seu semelhante, e contra isso a Lei de Deus é bem clara e taxativa: Não matarás! Mas ela, de certa forma, dá suporte, sim, a políticas de Estado que imponham a pena de morte, principalmente contra crimes que atentem contra a vida humana, um dom divino. Em Deuteronômio 7, em I Samuel 15 e em várias outras ocasiões na história do povo de Israel, assim como em episódios protagonizados por figuras como Davi e o profeta Samuel, encontramos essas situações absolutamente estranhas para nós. A própria ocorrência do Dilúvio, da matança dos primogênitos no Egito e o vindouro juízo final (contra a opinião dos universalistas), mostram que esses momentos absurdamente dramáticos ocorreram e ocorrerão.

Muitos cristãos que são favoráveis à pena de morte, para fundamentar a sua forma de pensar, usam aqueles exemplos bíblicos do passado, em que havia ordens divinas claras para exterminar povos inteiros que, no critério de Deus, já haviam excedido a medida da sua malignidade. Mas, costumam ignorar que entre essas ordens duras havia também uma clara e explícita, e que não fazia parte de nenhuma lei cerimonial, para eliminar aqueles que transgredissem o Sábado (Ex. 31:13-14), ordem essa que pelo menos em um incidente conhecido foi cumprida (Num. 15:32-36). E hoje ninguém, nem mesmo o judeu mais ortodoxo e radical, consideraria sequer a idéia de que isso seja válido. Certamente, devemos entender que havia circunstâncias que eram temporárias e não deveriam se perpetuar.

A pena de morte, pois, é uma questão de Estado. A igreja, como instituição religiosa, não tem que se meter em definir essa posição, e penso que o melhor mesmo é fazer como muitas, incluindo a minha, fazem: não têm posição oficial sobre esse assunto. Até porque as opiniões são muito divididas e somos livres para assumir qualquer posição. Isso pode ser tomado como ficar "em cima do muro". Pode ser, mas, a igreja não tem que legislar sobre assuntos dessa natureza, assim como também não deve condenar ou censurar quem pense de uma forma ou de outra.

Pessoalmente - e esta é a opinião apenas minha, que não tem muito valor para outrém a não ser para minha própria família (assim espero - rsrsrs) - prefiro ver essa questão sob a ótica de tempos mais graciosos e plenos de misericórdia. Assim como a graça me permite auferir benefícios aos quais não tenho o menor direito e não mereço, a misericórdia me livra de ser tratado na medida exata dos meus erros e de receber o castigo que mereço.

Davi, um dos maiores beneficiários da graça de Deus de que se tem notícia, já cantara no seu Salmo 103:

"[Deus] Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniqüidades. Pois quanto o céu se alteia acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem. ... Como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece dos que o temem. Pois ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó."

Isso é graça. E agora, parodiando a frase do momento, digo aqui sem constrangimentos: JE SUIS DAVI. Se Deus nos tratasse na razão direta dos nossos erros não subsistiríamos, viraríamos poeira cósmica.

Penso aqui naquele episódio de Deus anunciando a Abraão a pena de morte para Sodoma e Gomorra. Mesmo em meio àquele anúncio, negociando com Seu amigo, Ele estava disposto a aceitar o arrependimento e conceder o perdão a quantos, não importava a quantidade, genuinamente se voltassem dos seus maus caminhos. Isso era graça, se manifestando mesmo em tempos tão pecaminosos, sanguinários e cruéis.

Embora Deus não mude Seus propósitos, Seu caráter, Suas Leis, eu creio que os métodos e estratégias de Deus para alcançar o homem claramente se modificaram ao longo do tempo. Basta ver, por exemplo, que, no Velho Testamento, se alguém encostasse a mão na arca, morria. Se tocasse a montanha quando Deus estava lá, morria. Se o sacerdote não se paramentasse devidamente ao penetrar no lugar santíssimo, morria. Se alguém transgredisse o Sábado, morria. O judeu sequer pronunciava o nome inefável de Deus, substituindo o tetragrama sagrado YHWH por Adonai. Mas, nos tempos do Novo Testamento, se alguém tocasse o Salvador, era curado. Se tocasse Suas vestes, era curado. Podia deitar a cabeça no seu colo e ouvir o tum-tum-tum do coração do criador do universo. Podia até mesmo bater e cuspir em Seu rosto e furar o Seu lado com uma lança sem cair fulminado. E hoje somos estimulados a chamá-lo, coloquial e carinhosamente, Abba, Paizinho.

Finalizando, como cristão, e apenas como cristão (já que quem não é, não crê em Deus), não tenho que discutir os atos de Deus e nem que aprovar ou desaprovar Seus atos e ordens, mas sim, me submeter a Ele, já que não posso compreendê-Lo. Sua mente é espiritual e eu sou carnal.

Digo e repito, sou contra a pena de morte, mas entendo que não é correto dizer que a Bíblia seja incondicionalmente contra essa prática, que não é uma prerrogativa do indivíduo, mas, do Estado, ao qual devo me submeter, também pelo que diz a própria Bíblia, desde que não atente contra a vontade de Deus. E nós em breve teremos como vivenciar o que isso significa, ninguém perde por esperar.

Há na web vários textos e videos sobre esse assunto, inclusive na Novo Tempo. Pesquisem, consultem e firmem suas conviccões. Às vezes o texto bíblico contraria aquilo que nós apreciaríamos que fosse de uma forma, mas ele mostra que pode ser de outra.

Sem tentar fazer qualquer exercício de interpretação, pois nesses casos acho desnecessário, deixo com vocês os textos abaixo, cheios de graça salvadora, que são um bálsamo e falam muito forte ao meu coração sedento e carente de aceitação e misericórdia, e que espero que confortem também a você, principalmente nesses tempos de cólera e selvageria.

"... A misericórdia triunfa sobre o juízo.". Tiago 2:13.

"Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniqüidade e te esqueces da transgressão do restante da tua herança? O SENHOR não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia." Miq. 7.18

"Acaso, tenho eu prazer na morte do perverso? — diz o SENHOR Deus; não desejo eu, antes, que ele se converta dos seus caminhos e viva?" Eze. 18:23

"Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o SENHOR Deus. Portanto, convertei-vos e vivei." Eze. 18:32

"Dize-lhes: Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que haveis de morrer, ó casa de Israel?" Eze. 33:11.

"O qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade." I Tim. 2:4.

"Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum homem pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento." II Ped. 3:9.

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 22/Janeiro/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 22/Jan/2015.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: sábado, 17 de janeiro de 2015

Reflexões sobre a Graça - 15 - PENA DE MORTE NA INDONÉSIA

PENA DE MORTE NA INDONÉSIA

17/01/2015

“Isto se escreverá para a geração futura; e o povo que se criar louvará ao SENHOR, porquanto olhará desde o alto do seu santuário; desde os céus, o SENHOR observou a terra, para ouvir o gemido dos presos, para soltar os sentenciados à morte” Sal. 102:18-20.

Cheguei da igreja, onde participei de uma boa lição da ES na minha pequena classe, estive no culto em seus momentos de louvor e oração intercessora. Esse foi um privilégio que não mereço, de poder ainda adorar a Deus na hora e da forma que quero.

Engoli o almoço às pressas e logo precisei sair para um exame médico. Agora estou de volta e começo a escrever no momento em que vejo com tristeza a notícia confirmada da execução já consumada, por fuzilamento, na Indonésia, do brasileiro Marco Archer, condenado à morte por tráfico internacional de drogas.

Não se cumpriu ou não se aplicou em sua vida o Salmo de Davi mencionado acima. Ao contrário, aconteceu-lhe o que é dito por outros textos bíblicos que falam de vingança, justiça e condenação.

Com diversos níveis de veemência, já li vários comentários na Internet, uns contra, outros a favor desse ato de justiça humana. Já vi choro e já vi piadas e escárnio. Politicamente correto ou não, tudo dentro do esperado, tudo muito ambíguo. Uns dizem: “não sou favorável à pena de morte, mas...”, enquanto outros emendam: “sou a favor da pena de morte, mas...”.

Sim, essa história, como todas, tem dois lados. Imagino a angústia dos familiares de Marco, assim como penso também na dor imensa das famílias daqueles a quem as drogas distribuídas por ele e tantos outros têm matado.

E fico pensando na pena de morte, morte eterna, a que todos estávamos sujeitos. O sacrifício voluntário do Cordeiro lá na cruz deu a todos nós a possibilidade real de sair do corredor da morte. Louvado seja Deus por isso! Apenas uma graça sem limites tornou isso possível.

Mas, voltando a Marcos Archer, li que ele, ao longo desses 11 anos de espera, se disse arrependido em diversas ocasiões. Quem sou eu para julgá-lo? Gosto de pensar que isso é verdadeiro, pois me apraz acreditar que ele teve todas as chances espirituais de que precisou, e as aproveitou, morrendo em paz.

Sou contrário à pena de morte temporal, e trabalho de forma militante, como cristão, contra a pena de morte eterna. Considero que somos todos vítimas – já disse isso aqui – de uma guerra cósmica que não é nossa, é entre duas potestades, uma do bem e outra do mal, o grande conflito dos séculos eternos. Deus sabe disso, e é por isso, entre outras coisas, que Ele nos oferece, de forma incondicional, a dádiva de Sua graça.

A nação indonésia cumpriu sua lei e manteve a sua soberania, não podemos condená-la ou odiá-la por isso. Que Deus conforte e abrace a família do brasileiro Marcos Archer. Que o que lhe aconteceu possa levar crianças, jovens e adultos, envolvidos com toda forma de drogas, tanto as chamadas lícitas como as ilícitas, a repensar suas vidas. E, da mesma forma, que Deus conforte as famílias desses infelicitados pelos vícios de uma sociedade que está implodindo, econômica, social, política, moral, mas, acima de tudo, espiritualmente.

Que Jesus volte logo e tenhamos um mundo onde tudo se fará novo, com a garantia bíblica de que o mal não se levantará outra vez. Que possamos ter uma feliz semana.

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 17/Janeiro/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 17/Jan/2015.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Pérolas Esparsas - 04 - LEI PERFEITA DA LIBERDADE?

LEI PERFEITA DA LIBERDADE?

16/01/2015

"Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito." Tiago. 1:25.

Ao invés de decidir se eu sou Charlie ou não, escolhi, em meio ao enorme choque causado pelos acontecimentos brutais em Paris e à estranhamente pouca repulsa quanto à chacina na Nigéria, meditar sobre as questões abaixo, principalmente no campo espiritual, já que os campos político e social estão minados.

Toda lei é restritiva. Toda lei poda, limita a liberdade pessoal. Toda lei coloca obstáculos às ações e iniciativas humanas. Isso é verdadeiro até mesmo com a Lei de Deus. Há um tensão permanente entre lei e liberdade, entre submissão e autonomia, entre sujeição e independência, entre obediência e livre arbítrio. E no campo eclesiástico, entre legalismo e liberalismo.

Não poder andar sem roupas pelas ruas de uma cidade qualquer, atende aos requisitos coletivos de civilidade e convivência urbana, mas, na verdade, limita o meu direito de ir-e-vir e de viver do jeito que eu quiser. Não poder apropriar-me de uma casa que pertence a outro, obedece e respeita a conquista da propriedade mas, na realidade, restringe meu direito à terra, já que ela é um bem de todos.

Por isso posso afirmar sem medo de errar: ninguém é plenamente livre. Ninguém pode fazer tudo aquilo que quer ou que lhe dê na cabeça. Ninguém pode fazer total abstração de regras, normas e leis. Sem regras não há jogo possível. No mais sanguinário dos esportes, a luta livre, há regras. Além disso, o direito e a liberdade de um cessa ou se ajusta ao direito e à liberdade do outro. Liberdade completa, tal como utopicamente idealizamos, só é praticável e possível na selva ou na criminalidade, onde não há constrangimento de qualquer tipo, onde não há lei, apenas o medo e a luta pela sobrevivência do mais forte.

Mas, será que toda restrição é, de fato, negativa? Será que toda limitação de nossas ações é realmente ruim? Por outro lado, será que liberdade de ação total, geral e irrestrita é benéfica? Será que o pensamento completamente livre vai sempre me levar a praticar aquilo que é bom? É de fato proibido proibir, como dizia o, então jovem, Caetano Veloso? Como premissa básica, é preciso admitir que liberdade, responsabilidade e risco constituem um tripé de equilíbrio onde não podem jamais ser dissociados um do outro sem gerar uma crise ou tragédia. E há que se ter discernimento.

Toda lei, portanto, restringe a nossa atuação e aponta os desvios de comportamento. Falando na Lei de Deus, como entender que ela possa ser chamada de Lei Perfeita da Liberdade, sendo que ela limita a liberdade de ação do cristão? E, não nascemos para ser livres?

Na verdade, a minha vontade, a minha consciência e o meu desejo é que são livres. Mas, nem tudo que quero, penso e desejo, é realizável. Liberdade não é a possibilidade absoluta de se fazer o que se quer, mas, o respeito absoluto pela diversidade entre as pessoas. Ser livre implica, necessariamente, em buscar a harmonia, e, obrigatoriamente, em fazer escolhas. Se possível, boas escolhas.

Cito aqui o Pr. Dr. Roberto Badenas, especialista em hermenêutica e exegese do Novo Testamento pela Universidade Andrews: "Lei e liberdade são duas realidades paralelas na existência do homem. A vida funciona entre dois polos contrários, mas ambos necessários: responsabilidade e liberdade, ou autonomia. A Lei é uma força que tende a sujeitar, enquanto que a liberdade é uma força que tende a livrar-se de toda sujeição. O pêndulo da História oscila sempre entre estes dois extremos, raramente encontrando o equilíbrio." Aliás, é o que estamos vendo nos últimos acontecimentos na Europa.

Concluindo, se a Lei de Deus é chamada pelo apóstolo Tiago como a Lei Perfeita da Liberdade, e se toda lei tem um aspecto restritivo, em última instância, ao observá-la, somos livres ou escravos?

Escravo é quem obedece contra a vontade. Ser livre, pois, é cumprir a Lei porque se deseja fazê-lo. Assim, o que define se somos escravos ou livres é se fazemos a vontade de Deus por dever ou por querer. A verdadeira liberdade é a realização do bem pelo bem, por atitude voluntária e consciente. A Lei de Deus só será para nós a Lei Perfeita da Liberdade quando a obedecermos lendo seus preceitos a partir do nosso coração, onde ela deverá estar escrita, sem querer, nem de longe, fazer disso moeda de troca com Deus na questão da Salvação. Quando fizermos isso única e exclusivamente por amor.

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 16/Janeiro/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, xx16/Jan/2015.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: sábado, 3 de janeiro de 2015

Pérolas Esparsas - 03 - O PRISMA DA LEI

O PRISMA DA LEI

03/01/2015

Tenho lido bastante a respeito de Lei e Graça, preparando novos sermoes e também uma nova Série na sequência da Série Maravilhosa Graça, e tenho encontrado e também feito reflexões interessantes sobre esse assunto inesgotável. Algumas dessas reflexões, que farão parte de futuros sermões em preparo, venho dividindo com vocês nesse grupo de pequenos artigos a que dei o título de Pérolas Esparsas. Aliás, nome que tomei emprestado de um prazeroso livro da CPB, que não tenho mais, e que continha histórias saborosas, que li e reli há mais de meio século, quando criança.

Se olharmos a Lei de Deus, considerando-se todo o conjunto de ordenanças legado a partir do Sinai por meio de Moisés, servo de Deus, através de um prisma redutor que simplifique o seu entendimento, mas, sem afetar a sua eficácia, teremos uma visão preciosa e muito interessante quanto aos preceitos divinos.

Foi um rabino chamado Simlai, que viveu no terceiro século na terra de Israel, quem compilou 613 mandamentos que se espalham por todo o conjunto da Torá, ou Pentateuco, ou, simplesmente, Livro da Lei. Esse é o manuscrito sagrado que representa toda a vontade e sabedoria de Deus para o povo Judeu. O Rabi ensinava que eram 365 ordenanças negativas, como os dias do ano, e 248 positivas, como os ossos do corpo humano. Nessas 613 ordenanças estava incluído o Decálogo, ou Dez Palavras.

Davi, o maior rei de Israel, no seu Salmo 15 deu uma nova visão, compilando 11 mandamentos, que deveriam nortear a vida de quem aspirasse a morar no tabernáculo de Deus e habitar no Seu santo monte. Conte-os e confira: viver com integridade, praticar a justiça, falar a verdade, não difamar, não fazer mal ao próximo, não lançar injúria contra o vizinho, desprezar o perverso, honrar os que temem ao Senhor, jurar com dano próprio sem mudar, não emprestar dinheiro com usura e não aceitar suborno. Lindo, não?

Vem, então Isaías, e no seu capítulo 33 resume em 6 mandamentos a serem seguidos por quem quiser vencer o fogo devorador, a saber: andar em justiça, falar o que é reto, desprezar o ganho da opressão, recusar suborno, não ter interesse nos homicídios e não desejar ver o mal.

O Profeta Miquéias, no capítulo 6 do seu livro, faz mais uma redução e resume em 3 simples preceitos o que é bom e a forma como Deus espera que reajamos ao Seu amor: praticar a justiça, amar a beneficência e andar humildemente diante de Deus. Vejam que praticar a justiça e recusar o suborno foram ações explicitamente mencionadas por Davi, Isaías e Miquéias. Parece que estavam vendo os nossos dias. Fantástico!

Então, chega Jesus e resume tudo de forma extraordinariamente sintética, em apenas dois perfeitos mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Palavras do Salvador.

Agora é Paulo quem, de forma moderna, e eu diria também pós-moderna, atualíssima, em Romanos 1:17, resume toda a Lei, todos os seus preceitos e normas, em uma única postura cristã, que nos dá a medida exata de justiça a ser seguida por aquele que quiser estar na eternidade: viver pela fé, a fé genuína, a fé justificadora, a fé viva, que segundo Tiago, necessariamente se traduz em boas obras, que não salvam, apenas demonstram submissão à vontade de Deus.

Vejam que, a cada redução, a cada sumo extraído de todo aquele cipoal de ordenanças e regras, nada se perdeu. De 613 regras chegamos a apenas uma, e todo o espírito da Lei original foi mantido intato.

Que conforme o grande apóstolo Paulo nos prescreve em I Tim. 1:8, possamos entender a exata função da Lei de Deus, a forma correta como devemos nos relacionar com ela e a questão da obediência, pois só assim ela se tornará boa e legítima em nosso viver.

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 03/Janeiro/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 03/Jan/2015.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Reflexões Sobre a Graça - 14 - PARÁBOLAS...

PARÁBOLAS...

01/01/2015

"Um homem possuía cem ovelhas, e tendo perdido uma, deixou as outras noventa e nove e saiu em busca da que se perdeu ..."

"Uma mulher tinha dez moedas, e, perdendo uma, acende a candeia, varre a casa e a procura diligentemente ..."

"Um homem tinha dois filhos... Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo, partiu para uma terra distante ... E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou."

Pai, mãe, responsável, pastor, professor, líder comunitário, desenvolvam, construam a parábola das suas vidas. Usem de graça, usem de generosidade, usem de compaixão, usem de tolerância e, sobretudo, usem de muito amor.

Sabem por que o amor "apaga uma multidão de pecados"? Porque o amor é o combustível do perdão. Não permitamos que nossa pretensa erudição e excelência doutrinárias apaguem em nós a verdadeira prova do discipulado de Cristo Jesus.

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 01/Janeiro/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 01/Jan/2015.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.