Seja bem-vindo(a) ao meu Blog. Sou Mário Jorge Lima, e abaixo estão textos meus, apresentados como sermões, palestras, ou simplesmente frutos de minhas reflexões pessoais.

Sou pai dessas 5 moças ao lado, Mariana, Isabela, Júlia, Laura e Luíza, a quem amo mais que a mim mesmo. Quando escrevo sobre assuntos espirituais, quando apresento palestras ou sermões, é primeiramente para elas e pensando nelas que estou escrevendo e falando.

Esses textos, atualizados sempre que eu os crio, e para isso não tenho uma periodicidade definida, são o legado escrito que deixarei a elas, sem erudição, sem proselitismo, sem "filosofismos". São as coisas em que de fato creio e pelas quais hoje vivo. Se Deus me der o tempo e a chance necessários, ainda pretendo escrever um livro com estas reflexões. Se não conseguir, elas estarão pra sempre aqui nesse Blog.

OBS: As palestras são organizadas com as mais recentes sempre no Topo.

Postado em: sábado, 27 de junho de 2015

Reflexões Sobre a Graça - 23 - UNIÕES HOMOAFETIVAS

UNIÔES HOMOAFETIVAS

27/06/2015

Abro meu Facebook hoje à tarde e vejo uma verdadeira inundação de ícones coloridos, em sua maioria saudando a resolução americana de liberar por lei o casamento civil para uniões entre pessoas do mesmo sexo. E consequentemente vejo opiniões, comentários, postagens belicosas, defendendo e condenando não só esse fato mas, também, as manifestações, e isso de lado a lado.

Como ser humano, como cidadão, como pai, como cristão, tenho responsabilidades com minha família, e acabo tendo também com as pessoas que me cercam e com aquelas que, por alguma razão, me dirigem seus questionamentos e dúvidas sobre assuntos como esse. É assunto complexo, delicadíssimo, pois envolve seres humanos, criaturas de Deus por quem Ele deu Sua própria vida, dotadas de emoções, sentimentos e circunstâncias de nascimento, crescimento, criação e vida das quais nada sabemos.

Vou à minha Bíblia e vejo que as principais situações relacionadas com a sexualidade que constam dos diversos episódios e histórias ali relatados, são, basicamente, de cinco naturezas: adultério, prostituição, incesto, poligamia e homossexualismo. Percebo que nenhum deles foi considerado como sendo algo natural, mas, todos eles foram tidos como sendo situações que fugiam ao plano original e Edênico de Deus para as Suas criaturas. Um deles, o adultério, constitui um dos itens condenados explicitamente por Sua Lei. Todos tiveram consequências desagradáveis e, alguns, até trágicas.

Jesus, em Sua passagem pela terra, defrontou-se especificamente com duas dessas situações: a prostituição (Maria Madalena) e o adultério (a mulher levada para ser apedrejada). Em tempo: não são a mesma pessoa, a mulher adúltera não tem o nome especificado na Bíblia.

Da atitude de Jesus com essas duas mulheres icônicas e emblemáticas, podemos inferir qual deveria ser nossa atitude humana e cristã para com essa situação dos nossos dias, que permaneceu muito tempo velada (ou "dentro do armário", como dizem), mas, que hoje, por força da pós-modernidade e da evolução dos costumes, está aí às claras, cada vez mais presente diante dos nossos olhos, na vizinhança, no trabalho, na escola, nas ruas, e até na igreja e na nossa família, tendo agora leis específicas a protege-la e a dar-lhe contornos sociais e antropológicos definidos.

A mulher pecadora, apanhada em adultério, foi levada por seus algozes a Jesus, com o duplo objetivo de justiça-la e também de enredar a Cristo numa séria e constrangedora situação. Sociedade patriarcal e machista, “esqueceram” de levar também o homem. Ninguém adultera sozinho, e, assim, distorceram a lei civil então vigente, a qual mandava apedrejar os dois, não somente a mulher.

Cristo foi perfeito, dando ali não somente uma lição de moral e golpeando duramente a hipocrisia e crueldade daqueles corações, mas, também uma demonstração do que vem a ser o processo de Justificação e Santificação pelo qual todo ser humano salvo por Ele, necessariamente, deve passar. Não compactuou com a situação que fugia ao padrão de Deus, mas, demonstrou amor, graça, inclusão, aceitação.

“Mulher, eu sou o teu Salvador, não vim para te julgar, Eu também não te condeno.” Isso é Justificação. Isso é perdão. “Agora, muda de vida, aceita a transformação que Minha graça te proporciona, segue teu caminho, não peques mais.” Isso é Santificação, sem a qual ninguém verá a Deus.

Desse episódio podemos compreender que, mesmo não aprovando o procedimento daquela mulher, Jesus foi absolutamente misericordioso, inclusivo, nem mesmo a repreendeu, respeitou seus sentimentos, entendeu sua natureza caída, não fez troças, não foi irônico, mordaz, contundente, como costumava ser com escribas, fariseus e doutores da lei.

Maria Madalena, a outra personagem, era irmã de Lázaro e Marta. Segundo estudiosos foi primeiramente seduzida pelo próprio tio, Simão, e por ele levada a prostituir-se em Magdala, pequena aldeia de pescadores da Galiléia. Jesus não apenas a perdoou e restaurou, mas, dela expulsou sete demônios. Com sua irmã e irmão, ela veio a fazer parte de um círculo particular de amigos de Jesus, com quem Ele se sentia muito bem, muito à vontade, em cuja casa provavelmente sempre pousava, e ela talvez tenha sido a pessoa que melhor entendeu o ministério salvador e redentor do Filho de Deus. Jesus, seguramente, muito a amou, pois que de muitos erros a perdoou.

Nessa história também, vemos a conduta carinhosa, absurdamente amorosa e perdoadora de Cristo Jesus, levando aquela mulher a um processo de transformação tal, que deu a ela a oportunidade de conviver de maneira muito próxima com Ele, cujo ministério ajudava com seus recursos, quem sabe, obtidos nos seus anos de prostituição.

E, agora, fico pensando em qual teria sido a atitude de Jesus se tivessem se aproximado dEle pessoas com relacionamento homoafetivo. Será que agiria de forma diferente da que agiu em relação ao adultério e à prostituição? Será que os escorraçaria, os submeteria a constrangimento público, se referiria a eles de forma pejorativa e despreziva? Será que essa situação foge mais ao ideal de Deus do que as demais?

Tenho certeza de que o meu Salvador iria enternecer-Se da mesma forma, e iria manifestar a mesma atitude de inclusão e compreensão que demonstrou nas outras ocasiões. Isso não significa que iria concordar com aquele modo de vida, que por todos os aspectos espirituais é contrário ao que se encontra na Palavra de Deus. Mas, como Criador, entenderia Suas criaturas, e iria amá-las da mesma forma que ama a todos, e saberia inclui-las entre Seus seguidores, e por amor, somente por amor, transforma-las-ia para que se tornassem semelhantes a Ele. Porque esse é o papel da graça, salvar para transformar.

Não somos como Jesus, claro, por isso erramos tremendamente a dosagem nas nossas atitudes e comportamentos, seja através de um simples comentário, de um olhar, de um meneio de cabeça, de uma ação agressiva ou zombeteira, de um ato de desamor, desconsideração, desrespeito. E temos que nos conscientizar de que somos assim, temos que nos apossar da graça de Deus e de Seu poder para nos transformar e fazer de nós cristãos maduros. De outra forma estaremos reproduzindo a atitude e postura do fariseu da parábola com o publicano.

É um sinal dos tempos tudo o que está acontecendo no mundo, não somente nesses aspectos comportamentais, mas em todas as áreas da vida e atuação humanas? Sim, sem a menor sombra de dúvida. Mas, é também um sinal dos tempos que pessoas salvas por um fluxo vertical de amor e graça vindo lá dos céus, não consigam demonstrar o mesmo fluxo de amor e graça na horizontal, nos seus relacionamentos.

Citando o que li algures, “Cada pessoa que você encontra, seguramente está enfrentando uma batalha da qual você nada sabe. Portanto, seja amorável.” E deixo com vocês o texto basilar de Paulo em I Corintios 4:5:

“Portanto, a ninguém julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não somente trará à plena luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e, então, cada um receberá o seu louvor da parte de Deus.”.

PS: Jesus também Se defrontou com a poligamia, na vida da mulher samaritana junto ao poço. E da mesma forma, Sua atitude foi inclusiva, salvadora, e fez dela um arauto da Sua graça redentora.

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 27/Junho/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 27/Jun/2015.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.