Seja bem-vindo(a) ao meu Blog. Sou Mário Jorge Lima, e abaixo estão textos meus, apresentados como sermões, palestras, ou simplesmente frutos de minhas reflexões pessoais.

Sou pai dessas 5 moças ao lado, Mariana, Isabela, Júlia, Laura e Luíza, a quem amo mais que a mim mesmo. Quando escrevo sobre assuntos espirituais, quando apresento palestras ou sermões, é primeiramente para elas e pensando nelas que estou escrevendo e falando.

Esses textos, atualizados sempre que eu os crio, e para isso não tenho uma periodicidade definida, são o legado escrito que deixarei a elas, sem erudição, sem proselitismo, sem "filosofismos". São as coisas em que de fato creio e pelas quais hoje vivo. Se Deus me der o tempo e a chance necessários, ainda pretendo escrever um livro com estas reflexões. Se não conseguir, elas estarão pra sempre aqui nesse Blog.

OBS: As palestras são organizadas com as mais recentes sempre no Topo.

Postado em: sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Pérolas Esparsas - 25 - POSSO SER PERFEITO?

POSSO SER PERFEITO?

19/08/2016

(Excerto de um Sermão de nova Série sendo planejada e preparada, sobre Vida Cristã e Volta de Jesus.)

Nas minhas andanças por esses “Brasís” pregando sobre a Graça de Deus e a Doutrina da Salvação, tenho frequentemente sido procurado por pessoas que me fazem esta e outras perguntas correlatas. Sinto que algumas buscam claramente a polêmica e querem apenas colocar de forma enfática, às vezes agressiva, a sua posição. Mas, na maioria das vezes delas sinto nelas um sincero e, por vezes, angustiado questionamento.

Esse é um assunto sempre presente, recorrente em todo o meio cristão, e, é claro, também entre o povo do advento, e isso há muitas décadas, quiçá séculos. Vê-se essa discussão quase como “arroz de festa” aqui nas redes sociais, na Internet de modo geral, nas faculdades de Teologia, nas igrejas, nas TVs, nos sermões e nos livros. Acredito que nos lares cristãos esse debate também se faça presente com bastante frequência. Eu mesmo, já me ocupei desse assunto algumas vezes.

E que não se pergunte aos nossos teólogos e pastores, ou aos nossos oradores e palestrantes televisivos ou midiáticos. Não vou citar nomes, eles são por demais conhecidos, e são homens consagrados ao ministério da pregação. Mas, seus discursos muitas vezes mostram que não há muita concordância entre eles sobre essa questão e sobre os textos bíblicos e de literatura denominacional que falam de perfeição, natureza de Cristo, semelhança com Cristo, natureza humana, pecado e vitória sobre o pecado, perdão de Deus, construção do caráter, até mesmo sobre a graça, a doutrina da salvação e outros temas agregados. Há diversos vídeos na Internet que mostram essa diametral oposição de pensamentos e opiniões.

Essa discordância é verdadeira aqui e nos EUA, e eu até acho que isso não é assim tão ruim como se pensa. Entre outras coisas, a oposição de ideias pode estimular a busca, o questionamento e a pesquisa.

Por um lado, é muito bom ver tomando o lugar do futebol, das novelas, da política, da fofoca e de amenidades absolutamente desimportantes, um assunto de natureza eminentemente espiritual. Amém por isso. Muito embora seja conversado, às vezes, com paixão acima do esperado e recomendável.

Por outro lado, sente-se claramente que o debate acirrado e agressivo, que até mostra erudição e conhecimento bíblico, mas, frequentemente resvala para o julgamento, a ironia, o deboche e o menosprezo por posições contrárias, de ambos os lados, demonstra claramente que discutimos tanto a perfeição que esquecemos de ser perfeitos, ou seja, de procurá-la no nosso dia-a-dia, de deixar crescer o fruto do Espírito, de fomentar os dons espirituais e de desfrutar da graça de Deus e da alegria da salvação. Passamos a ler a Bíblia e outros livros religiosos, para encontrar argumentos que mostrem quão certos estamos, quão errados estão os outros, e não mais para encontrar Jesus, nosso modelo, e mais que isso, nosso substituto. A discussão em si, toma, assim, o lugar da busca sincera por santificação. Que triste, não é mesmo?

Prega-se que posso ser perfeito nessa vida, assim como Jesus conseguiu eu posso conseguir, posso mesmo atingir a estatura de Cristo, vivendo sem pecar (isso não tem outro nome a não ser impecabilidade), antes de vê-Lo voltar nas nuvens e me conceder mente transformada e corpo glorificado. Na posição oposta, prega-se que não podemos, que essa perfeição humana é muito limitada, que temos a nossa esfera de atuação, que a perfeição é um conceito e um ideal e não um estado absoluto, que o conceito de pecado e de pecar ou viver pecando precisa ser melhor entendido.

Um lado apega-se a figuras como Enoque e Elias para querer demonstrar graus de perfeição terrena que habilitam para o céu. O outro lado mostra Moisés, Abraão, e principalmente o icônico e emblemático Davi, para mostrar, principalmente nesse último caso, como até no leito de morte, alguém segundo o coração de Deus, pôde agir de maneira inadequada e até mesmo dar conselhos terríveis a seu filho.

E não é apenas isso que de modo tão simples e rápido eu coloquei acima. Há muitos outros detalhes e sutilezas nas colocações, que conduzem a assuntos mais complexos como as duas naturezas de Cristo, pré e pós lapsarianismo, carne santa, pecado original, perfeccionismo, universalismo, relativismo, teoria da última geração, cento e quarenta e quatro mil e tantas coisas mais.

E, convenhamos, com um pouco de conhecimento das Escrituras e dos livros espirituais, esgrimindo interpretações variadas, consegue-se, com grau bem razoável de coerência e desempenho, chegar a conclusões díspares. Tanto é verdade que os sermões, livros, vídeos, se multiplicam nesses cenários e são verdadeiros sucessos. Eu poderia mostrar aqui diversos textos que comprovam essas possibilidades distintas, e até sem tirá-los muito de seu contexto. Mas, não gastarei um minuto sequer com isso.

Assim, vou responder às pessoas que me têm procurado, e vou fazer isso de uma vez por todas, minha posição é bíblica, simples, não é polêmica, não vou citar grandes tratados perfeccionistas ou anti-perfeccionistas, até porque não os conheço. E quero dizer que eu não alimento essa discussão, entre outras coisas por reconhecer o que digo acima, e por saber que, na maioria das vezes, essa discussão não edifica.

Vou então fazer minhas as palavras do apóstolo Paulo, ele mesmo, atormentadíssimo que foi com essa questão de não fazer o que queria, fazer o que não queria e ser ou não perfeito. Paulo realmente padecia dessa tremenda angústia e não se conformava com isso. Em Rom.7:15-24, começa dizendo:

“Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto”. Verso 15.

E isso vai crescendo, por dez desesperados versículos, até que ele clama em agonia espiritual: “Miserável homem que eu sou; quem me livrará do corpo dessa morte?”. Verso 24.

Quem nunca passou por isso? Felizmente Paulo encontra alívio e a grande solução para esse processo no verso 25:

“Graças a Deus, por Jesus Cristo nosso Senhor! De modo que eu mesmo, com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado.”

Aqui ele dá graças a Deus pelo ministério gracioso, substituto, justificador e santificador de Cristo Jesus, e reconhece que embora na carne ele sirva à lei do pecado (tendências herdadas e cultivadas, natureza pecaminosa), na sua mente ele servia à Lei de Deus.

Rom. 7:15-25 é um dos textos mais fantásticos de Paulo, pois descreve nossa própria miséria, a nossa condição de seres humanos com natureza caída se debatendo com algo que apenas Jesus Cristo pode fazer por nós e em nós. Mas, mostra também a maneira divina de resolver essa tensão.

Em outro momento, Paulo estava já preso em Roma, mais ou menos 3 a 4 anos antes de sua morte. Portanto, não era um cristão iniciante, inexperiente, mas um grande herói da fé, e escreve a epístola aos Filipenses, onde reconhece, taxativamente, que não tinha alcançado a perfeição. Mas, até por isso mesmo, ele diz que atitude tomava:

“Não que já a tenha alcançado ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” Fil.3:12-14.

Fantástico! Neste único texto Paulo dá um golpe forte nas duas correntes de pensamento: de um lado, nas pretensões perfeccionistas de qualquer cristão; de outro lado, no comodismo espiritual de quem procura um álibi para não buscar vencer o pecado.

Vejam, para o cristão que espera e quer ver Jesus voltar, a Perfeição não deve ser um problema, mas um anseio legítimo. Viver sem pecar é nosso grande ideal, sonho de todo cristão consciente, será o passo final para a glorificação, quando não apenas não pecaremos mais (atos pecaminosos) mas, mais que isso, deixaremos de ter tendência para pecar (natureza) e voltaremos a ser como Adão antes da queda, seremos como Jesus Cristo.

Por outro lado, nenhum cristão consciente, salvo pela graça, vai usar essa graça, ou o fato de ter natureza pecaminosa, de ter tendência natural para pecar, como desculpa para pecar e permanecer como escravo do pecado, deixando o pecado reinar na sua vida e buscando pecar de caso pensado, planejado, e conscientemente alimentado.

Aliás, isso não seria nem inteligente. Basta quem age assim lembrar que quem lê e conhece os motivos mais escondidos do nosso coração é Alguém que não erra, e cujo julgamento não admite a menor e mais ínfima possibilidade de ser injusto. Aconselho que todos tomemos uma overdose de Rom. 6.

Analisando a vida e obra de Paulo, é muito fácil perceber que ele jamais liberou o crente da necessidade de obedecer às leis de Deus como estilo de vida, como ato de ética cristã. Ele mesmo se declarou seguidor da Lei de Cristo. Mas, com certeza, ele ensinou que o crente está livre do peso da Lei de Deus como sistema de salvação.

Meu querido irmão e amigo, essa é a minha posição, a posição que inspirou Paulo, levando-o a nos transmitir de maneira tão simples e sem qualquer rebuscamento a sua situação e como ele enfrentava isso. Desfrute da graça de Deus, use-a não como cobertor a encobrir uma vida espiritual acomodada que não quer mudar, mas, sim, como estímulo para mudar de vida e deixar-se transformar, dia a dia, pelo caminhar com Deus.

De conversas sinceras e equilibradas, não há problema algum em participar e até mesmo debater, como diz Pedro, com mansidão e boa consciência. Mas, fuja das discussões sem nenhum resultado espiritual prático, que apenas acirram os ânimos, criam cisões e evidenciam que, de fato, não somos perfeitos. Alegre-se no Senhor e refugie-se na Sua salvação!

Mário Jorge Lima./ /
São Paulo, 19/Agosto/2016.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 19/Agosto/2016.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.